Saúde

Canetas emagrecedoras em adolescentes: quando o uso é indicado e quais são os riscos

Entidade destaca que medicamentos para obesidade e diabetes tipo 2 exigem indicação médica e acompanhamento, e alerta para riscos como desidratação, perda de massa muscular, pancreatite e transtornos alimentares

24 de agosto de 2026

Foto: Receita Federal/divulgação

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) publicou uma nota de alerta sobre o uso sem indicação e acompanhamento médico de medicamentos da classe dos agonistas do receptor GLP-1, popularmente conhecidos como “canetas emagrecedoras”, por crianças e adolescentes.

Segundo a entidade, embora esses medicamentos apresentem eficácia e segurança comprovadas para adolescentes quando utilizados dentro dos critérios estudados e associados a mudanças no estilo de vida, a banalização do uso, especialmente por influência das redes sociais, pode aumentar a frequência e a gravidade de eventos adversos.

Entre os possíveis riscos do uso inadequado estão déficit de crescimento e desenvolvimento, desidratação e distúrbios eletrolíticos, perda de massa muscular, pancreatite aguda e problemas na vesícula biliar.

A SBP também chama atenção para os impactos relacionados à imagem corporal. De acordo com a entidade, o uso dos medicamentos com finalidade exclusivamente estética pode servir como gatilho para transtornos alimentares, como anorexia e bulimia, além de ansiedade e quadros depressivos relacionados à aparência.

Medicamentos não devem ser usados apenas para fins estéticos

A Sociedade Brasileira de Pediatria destaca que as chamadas “canetas emagrecedoras” não devem ser utilizadas por adolescentes com peso adequado simplesmente para modificar a aparência corporal ou alcançar padrões estéticos.

Os medicamentos possuem indicações específicas, principalmente para o tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2. Mesmo quando essas doenças são diagnosticadas, porém, a prescrição não é automática.

Antes de indicar o tratamento, o médico deve avaliar fatores como a resposta da criança ou adolescente a intervenções farmacológicas e não farmacológicas anteriores, a gravidade da doença, a existência de comorbidades, os riscos potenciais, a possibilidade de acompanhamento adequado e as expectativas do paciente e da família.

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A SBP recomenda ainda que a expressão “canetas emagrecedoras” seja substituída por “medicamentos para tratar a obesidade”. Segundo a entidade, a terminologia é mais precisa porque reconhece a obesidade como uma doença crônica e reforça que o objetivo do tratamento é melhorar a saúde e a qualidade de vida, e não apenas promover perda de peso.

A entidade avalia que expressões associadas exclusivamente ao emagrecimento podem banalizar o tratamento e reforçar o estigma enfrentado por pessoas com obesidade que necessitam de medicamentos.

Quais são os efeitos colaterais?

Os eventos adversos mais comuns dos medicamentos dessa classe são gastrointestinais e tendem a ocorrer principalmente durante o período de aumento gradual das doses.

Entre os sintomas estão:

  • Náuseas;
  • Vômitos;
  • Refluxo;
  • Azia;
  • Diarreia;
  • Constipação.

A perda de massa magra também é apontada como um possível risco. Por isso, a SBP recomenda acompanhamento médico para que a conduta seja ajustada em casos de intolerância ou efeitos adversos.

Entre os eventos considerados potencialmente graves estão pancreatite, hipoglicemia e colelitíase, caracterizada pela formação de cálculos na vesícula biliar.

SBP alerta contra produtos sem registro

Outro ponto destacado pela entidade é a procedência dos medicamentos. A SBP contraindica o uso de produtos sem procedência ou registro sanitário, incluindo preparações clandestinas, manipuladas ou importadas sem registro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Para a entidade, o problema observado atualmente não está necessariamente nos medicamentos, mas na forma como eles vêm sendo banalizados, especialmente nas redes sociais.

A SBP ressalta que as evidências científicas disponíveis demonstram eficácia e segurança desses medicamentos em adolescentes quando utilizados dentro dos critérios estudados, com indicação adequada e associados a intervenções relacionadas ao estilo de vida.

Quando os medicamentos são contraindicados?

De acordo com a nota da SBP, os medicamentos são contraindicados para pessoas com hipersensibilidade ao princípio ativo ou a componentes da formulação.

Também não devem ser utilizados por gestantes e lactantes, nem por pacientes com histórico pessoal ou familiar de carcinoma medular da tireoide ou síndrome de neoplasia endócrina múltipla tipo 2.

Já o histórico de pancreatite é considerado uma contraindicação relativa e exige avaliação médica individualizada.

A orientação da Sociedade Brasileira de Pediatria reforça que o tratamento da obesidade em crianças e adolescentes deve ser individualizado, com avaliação médica e acompanhamento adequado, evitando o uso dos medicamentos exclusivamente por motivos estéticos ou sem orientação profissional.

 

Fonte: Agência Brasil

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