Saúde bucal infantil: cuidados com o sorriso começam no primeiro dentinho
No Mês das Crianças, dentista de Pomerode esclarece dúvidas sobre escovação, creme dental com flúor e acompanhamento durante a infância
Foto: Eliane Cristina/Jornal de Pomerode
Quando começar a escovar os dentes dos filhos? Criança pode usar creme dental com flúor? Em que momento é necessário avaliar o uso de aparelho? Essas dúvidas fazem parte da rotina de muitas famílias, e as respostas ajudam a construir hábitos que podem acompanhar os pequenos por toda a vida.
Para o especial do Mês das Crianças, o Jornal de Pomerode conversou com a cirurgiã-dentista Ana Claudia da Silva, CRO-SC 13045, da Ortohaus, em Pomerode. A profissional destaca que o cuidado com a saúde bucal deve começar cedo, com acompanhamento odontológico e participação dos responsáveis na higiene diária.
Segundo Ana Claudia, o nascimento do primeiro dentinho é o momento de procurar orientação. Além de avaliar o desenvolvimento da criança, a consulta permite esclarecer dúvidas sobre a limpeza da boca e os cuidados necessários nessa fase.
“É mais uma consulta de orientação”, explica a dentista, ao destacar que os pais também precisam aprender como realizar a higiene dos primeiros dentes.
A época do nascimento dos dentinhos pode variar. Por isso, a profissional orienta que dúvidas sobre o desenvolvimento sejam avaliadas individualmente, respeitando as particularidades de cada criança.
Escovar todos os dias não basta: é preciso limpar corretamente
Uma das dúvidas mais comuns é sobre a frequência da escovação. Para organizar a rotina, Ana Claudia recomenda a limpeza após o café da manhã, depois do almoço e antes de dormir.
A dentista destaca especialmente a escovação noturna, que deve acontecer depois da última alimentação do dia. Nesse momento, a participação de um adulto é importante para garantir que todas as regiões sejam higienizadas.
Mesmo quando a criança já demonstra independência, isso não significa que consiga realizar toda a limpeza sozinha. Segundo a profissional, é comum que os responsáveis deixem essa tarefa inteiramente com os filhos quando eles chegam aos seis ou sete anos.
“A criança não tem essa destreza que a gente tem de adulto”, ressalta.
A orientação é permitir que ela pratique, mas manter a ajuda de um responsável, principalmente à noite. Demonstrar os movimentos e explicar quais regiões precisam ser limpas também faz parte do aprendizado.
Conforme Ana Claudia, a supervisão pode ser necessária até por volta dos 10 anos, dependendo das habilidades da criança. Mais do que considerar apenas a idade, é preciso observar se ela consegue fazer a higiene adequadamente.
Fio dental também faz parte dos cuidados na infância
A limpeza entre os dentes é outro ponto que merece atenção. Ana Claudia explica que a escovação, sozinha, não alcança adequadamente todos esses espaços.
“A gente acha que criança não precisa passar fio dental, mas precisa”, afirma.
Segundo a dentista, a presença de cáries entre os dentes é uma situação observada nos atendimentos infantis. Por isso, ela reforça a importância de incluir o fio dental na rotina, com auxílio dos responsáveis.
O Ministério da Saúde recomenda o uso uma vez ao dia quando os dentes estão juntos, sem espaços entre eles. Na rotina sugerida pela entrevistada, a higiene antes de dormir é uma oportunidade para realizar essa limpeza com atenção.
Creme dental deve ter flúor, com controle da quantidade
Na hora de escolher a escova, Ana Claudia orienta que os pais priorizem modelos com cabeça pequena e cerdas macias. O tamanho adequado facilita o acesso às diferentes regiões da boca, inclusive aos dentes do fundo.
Sobre o creme dental, a profissional esclarece uma dúvida recorrente: ele deve conter flúor. O cuidado está na quantidade colocada na escova e na supervisão do uso.
Não é necessário preencher toda a superfície das cerdas. Ana Claudia destaca que os responsáveis devem aplicar uma pequena porção, conforme a orientação para a idade, evitando deixar essa tarefa inteiramente com a criança.
De acordo com o Ministério da Saúde, a partir do nascimento do primeiro dente, a higiene deve ser feita com uma escova pequena, de cerdas macias, e uma quantidade de creme dental com flúor menor que um grão de arroz. O produto deve ser mantido fora do alcance das crianças. Fonte: Ministério da Saúde.
A consulta odontológica permite demonstrar essa quantidade e orientar os pais sobre a técnica adequada em cada fase.
Músicas e brincadeiras ajudam a criar o hábito
Quando a criança resiste à escovação, transformar o momento em uma atividade lúdica pode ajudar. Ana Claudia sugere músicas, demonstrações dos movimentos e a escolha de uma escova com um personagem de que a criança goste, desde que o modelo seja adequado.
A proposta é envolver os pequenos no cuidado, tornando a rotina mais agradável. Durante os atendimentos, a dentista conta que utiliza explicações adaptadas à idade e brincadeiras para ensinar os movimentos da escova.
A participação dos responsáveis é fundamental nesse processo. Além de ajudar na limpeza, eles podem incentivar a prática e mostrar, pelo exemplo, que a higiene bucal faz parte do cotidiano.
Para Ana Claudia, o hábito construído desde cedo tende a acompanhar a criança nas próximas fases da vida.
Chupeta e hábito de chupar o dedo precisam de acompanhamento
O uso de chupeta e o hábito de chupar o dedo também devem ser conversados com o dentista. Conforme Ana Claudia, esses comportamentos podem interferir na posição dos dentes e no desenvolvimento da boca.
Entre as alterações está a mordida aberta, situação em que os dentes de trás se encostam ao fechar a boca, mas permanece um espaço entre os dentes da frente.
A profissional destaca que a orientação para interromper esses hábitos deve considerar a rotina e as necessidades de cada criança. No caso do dedo, a retirada pode ser mais difícil, inclusive porque o comportamento pode acontecer durante o sono.
Além da avaliação odontológica, algumas situações podem exigir acompanhamento com fonoaudiólogo, especialmente quando há alterações na posição e na função da língua.
Por isso, observar esses hábitos e relatá-los durante as consultas ajuda a definir os cuidados necessários.
Quando avaliar a necessidade de aparelho?
Ana Claudia recomenda uma avaliação com ortodontista por volta dos seis anos, período em que costuma começar a troca dos dentes de leite pelos permanentes. O objetivo é observar a mordida, o desenvolvimento das bases ósseas e o espaço disponível para os novos dentes.
A consulta não significa que toda criança precisará colocar aparelho. Em alguns casos, será necessário apenas acompanhar o crescimento. Em outros, poderá haver indicação de uma intervenção, no momento adequado.
Segundo a dentista, identificar determinadas alterações durante o desenvolvimento permite planejar o tratamento e pode facilitar correções futuras.
Ela explica que o tratamento pode ocorrer em etapas: uma voltada ao desenvolvimento das bases ósseas e outra, posteriormente, ao alinhamento dos dentes permanentes. Isso não significa que a criança ficará usando aparelho continuamente entre uma fase e outra.
O acompanhamento desde cedo permite orientar a família e definir o que cada criança precisa. Para Ana Claudia, a participação dos responsáveis na rotina de higiene, aliada às avaliações odontológicas, é essencial para cuidar do sorriso durante a infância.

