Saúde

Brincar, sentir e crescer: como a osteopatia pediátrica ajuda no desenvolvimento dos bebês

Fisioterapeuta Amanda Schlup Maass explica a importância da primeira infância e dos estímulos corretos para o crescimento físico e cognitivo das crianças

13 de dezembro de 2025

Foto: Arquivo pessoal

Os primeiros meses de vida de um bebê são determinantes para o desenvolvimento físico, cognitivo e emocional. Cada movimento, som e toque fazem parte de um aprendizado essencial, que influencia diretamente o crescimento e a qualidade de vida da criança. Nesse contexto, a osteopatia pediátrica tem se mostrado uma importante aliada, ajudando a prevenir e tratar disfunções corporais desde os primeiros dias de vida.

A fisioterapeuta Amanda Schlup Maass, especialista em osteopatia e em fase de conclusão da especialização em osteopatia pediátrica, explica que o método tem como objetivo ajudar no desenvolvimento motor e cognitivo dos bebês na primeira infância.

“A osteopatia pediátrica trata toda e qualquer disfunção corporal do bebê e ajuda principalmente no desenvolvimento motor e cognitivo do bebê na primeira infância”, destaca.

Sinais de alerta no início da infância

Alguns sinais podem indicar que o bebê precisa de atendimento especializado. Entre eles, estão a movimentação desigual do corpo, dificuldade para virar a cabeça, sono irregular, refluxo, choro excessivo e recusa alimentar.

Amanda explica que o choro é uma das principais formas de comunicação do bebê e deve ser observado com atenção, já que pode estar relacionado a algum tipo de desconforto ou dor. “Quando o bebê tem algum desconforto, ele chora. O choro é um dos principais sintomas que a gente percebe no bebê”, ressalta.

Além disso, alterações no sono e dificuldades na amamentação também podem ser sinais de disfunções corporais que precisam de acompanhamento.

A importância da primeira infância

A osteopatia pediátrica atua de forma preventiva e terapêutica, garantindo que o bebê tenha liberdade para se mover e explorar o ambiente de forma saudável.

Amanda destaca que os primeiros meses de vida são a base para todo o desenvolvimento futuro, influenciando inclusive a coordenação motora e a postura na vida adulta. “Os primeiros meses vão te dar um norte de como o bebê vai se movimentar na segunda infância e na vida adulta. O desenvolvimento motor na primeira infância é de extrema importância pra gente conseguir ter uma qualidade de vida quando a gente for adulto”, explica.

Estímulos e brinquedos que ajudam no desenvolvimento

Além do acompanhamento profissional, o estímulo com brinquedos e atividades sensoriais é fundamental para o desenvolvimento motor e cognitivo do bebê. Amanda explica que os brinquedos ideais não precisam ser barulhentos nem excessivamente coloridos. Sons suaves e cores contrastantes são mais eficazes.

Segundo ela, a visão do bebê se desenvolve até o sexto mês de vida, e por isso brinquedos com contraste de cores, como preto e branco, chamam mais a atenção nessa fase.

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Brinquedos com diferentes texturas, sons baixos e movimentos leves também ajudam a desenvolver o tato, a audição e a coordenação. Além disso, a interação dos pais durante a brincadeira é essencial. A especialista recomenda que o bebê seja estimulado com movimentos, para que ele aprenda a alcançar, tocar e manipular objetos, fortalecendo o corpo e a curiosidade.

Como funciona o atendimento osteopático

Durante o atendimento, o principal objetivo é garantir o conforto e a segurança da criança. Antes das manipulações, o bebê é acolhido no colo e estimulado de forma leve, até se sentir à vontade com o ambiente e com a profissional.

Amanda explica que o toque utilizado é sempre suave e respeitoso, de acordo com o limite de cada criança. O foco é liberar tensões e melhorar o equilíbrio corporal, promovendo bem-estar e alívio de desconfortos como cólicas, refluxo ou alterações no sono.

Tummy time: o exercício que fortalece e estimula

Um dos exercícios mais indicados pelos profissionais é o tummy time, que consiste em colocar o bebê de barriga para baixo por curtos períodos, sempre com supervisão. De acordo com Amanda, a prática ajuda > Isadora: a fortalecer o tronco, o pescoço e os braços, preparando o bebê para rolar, engatinhar e andar. O tummy time pode ser iniciado já no primeiro mês de vida, desde que feito de maneira segura.

Ela orienta que o movimento deve ser suave e feito a partir da posição deitada, nunca diretamente do colo para o chão, para estimular a percepção corporal e o controle dos movimentos.

O impacto das telas e o valor do brincar ativo

A fisioterapeuta também alerta para os efeitos negativos do uso precoce de telas. Segundo ela, a principal consequência é a falta de movimento. Crianças que passam muito tempo em frente a dispositivos eletrônicos tendem a desenvolver menos habilidades motoras e cognitivas, já que permanecem paradas, sem explorar o ambiente.

Amanda ressalta que nada substitui o brincar ativo, que estimula o corpo, a curiosidade e o vínculo com os pais. “A criança precisa de movimento para se desenvolver. Quando a gente pensa em tela, a criança fica parada. A principal consequência é a falta de movimentação”, afirma.

Cada criança tem seu tempo

Por fim, Amanda destaca que cada bebê tem seu próprio ritmo de desenvolvimento, e comparações podem gerar ansiedade desnecessária nos pais.

Ela explica que há uma janela de tempo normal para cada fase, como o caminhar, que pode ocorrer até um ano e meio sem que isso seja motivo de preocupação. “Cada criança é uma criança. A gente precisa entender isso. Existem janelas de desenvolvimento motor de tempo, e às vezes a gente quer que as crianças façam mais rápido do que efetivamente precisam fazer. É importante estimular de maneira correta para que elas consigam se desenvolver com qualidade”, conclui.

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