Bem-vindo à família, Luke
Família adota cãozinho, após ele ter sido abandonado, preso em uma árvore
Em tempos de pandemia de coronavírus, com o noticiário praticamente tomado por informações relacionadas à doença, nada melhor do que uma história de emoção para nos lembrar das coisas boas da vida e de que a solidariedade continua presente em nossos corações.
Há alguns dias, uma família pomerodense ganhou um novo integrante, para trazer alegria para a casa. O simpático amigo de quatro patas nas fotos é o Luke, um cachorrinho que tem uma história muito especial.
Tudo começou em uma tarde, quando Vilson Hass saiu de casa para abastecer a moto, quando viu dois indivíduos com um cachorro na Rua Ribeirão Herdt, em frente a um terreno baldio. Eles tinham uma atitude suspeita, mas Hass passou pelo local e foi ao posto de gasolina. Quando voltava para casa, viu as mesmas pessoas passarem pela Avenida 21 de Janeiro, mas sem o cachorro.
“Achei aquilo muito estranho e voltei para casa. Mas aquilo ficou ‘martelando’ na minha cabeça, então, entrei em contato com Cláudio Jung, líder da rede de vizinhos, e juntos, fomos ao local averiguar. De início, não vimos nada, mas depois de eu assoviar algumas vezes, escutamos o latido do cachorro mais para dentro do terreno”, conta Hass.
Os dois moradores entraram na mata e encontraram o cachorro amarrado em uma árvore. Trata-se de um filhote, com cerca de três ou quatro meses. Jung e Hass entraram em contato com a Polícia Militar e registraram um Boletim de Ocorrência para o abandono do animal, mas o órgão público nada mais poderia fazer e a única solução seria alguma família adotar o filhote.
“Fiquei chocado com a crueldade do ser humano, em deixar um outro ser vivo preso em uma árvore, sem água ou comida, e sem a chance de sair dali. Se não o tivéssemos visto, ele teria morrido”, afirma Hass.
Depois de socorrer o cachorrinho, os dois moradores ponderaram sobre que fazer. Como Jung não poderia ficar com o animal, Hass decidiu que daria um novo lar ao pequeno.

“A princípio, eu não queria um cachorro, porque a propriedade não é fechada e nós já tínhamos um cachorro, filhote de uma cadela que também adotamos. Mas decidi ficar com o filhote, pois pensei: onde há um, cabe outro. Levei-o para casa e, quando cheguei, minha família logo ficou empolgada, já conversando sobre que nome daríamos a ele”, revela Hass.
O mais novo integrante da família foi batizado de Luke e logo foi levado ao veterinário para tomar uma das vacinas essenciais. Pouco a pouco, todos foram se apegando cada vez mais ao pequeno que, hoje, já está totalmente integrado à rotina da família Hass.
“Todos amaram o Luke, foram se apegando a ele pouco a pouco e o filhote agora só quer brincar com o Max, nosso outro cachorro. No começo ele ‘ficou com o pé atrás’, estranhando esse novo integrante e tendo que dividir atenção, mas em cerca de três dias, se acostumou. Hoje, só podemos rir com esses dois, porque o Luke tem muito pique, mas o Max não consegue acompanhar totalmente”, comenta.
Vilson Hass também chama a atenção para a importância do ato de adotar e para a crueldade de quem ainda abandona animais. “Acho que todos deveriam colocar a mão na consciência. Primeiramente, não abandonar, pois o animal não tem culpa de nada. Se não quer ou não pode mais ficar, anuncie para adoção, alguém estará disposto a dar um ar para o animal. O Luke é o quarto cachorro que adoto na minha vida e me sinto bem fazendo isso, pois ganho um companheiro. Realmente, o cachorro é o melhor amigo do homem”, finaliza.
Abandono de animais é crime
O abandono de animais é crime e está previsto no artigo 32 da lei 9.605/98. A pena é de três meses a um ano de detenção e multa. Se houver morte do animal, a pena é aumentada em um sexto a um terço. Apesar disso, pode-se afirmar que, na maioria das vezes, quem pratica esse crime acaba impune, pelo abandono de animais ser um crime silencioso.
Estimativas do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostram que, no Brasil, são 55,2 milhões de cães e 22 milhões gatos. Os dados da OMS (Organização Mundial de Saúde) apontam que existem cerca de 30 milhões de animais abandonados nas ruas no Brasil. Destes, 20 milhões são cachorros e 10 milhões, gatos. No país, o abandono é uma realidade comum no dia a dia das ONG’s e nas cidades como um todo. Os descartes acontecem também em parques, praças, estradas e portas de pet shops. Nem os hospitais veterinários públicos escapam. Há quem interne o animal doente e não volte mais. O número de rejeição aumenta na época de festas, quando tutores deixam os pets em clínicas veterinárias e hotéis para cachorros / gatos e não voltam para buscá-los.
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