Artista que expôs 4 vezes no Museu do Louvre visita Pomerode
Giovanni BocchiNejar já teve mais de 80 exposições em diversos países
Foto: Isadora Brehmer / JP
Giovanni BocchiNejar, artista plástico reconhecido internacionalmente por seus desenhos de mapas, navios e paisagens arquitetônicas, esteve em Pomerode nesta semana. Com uma trajetória que une talento, história e precisão, BocchiNejar é o único brasileiro a expor quatro vezes no Museu do Louvre, em Paris, feito que o colocou à frente do recordista anterior, o também brasileiro Romero Britto.
Ao longo de duas décadas de carreira, o artista soma mais de 80 exposições em diversos países, 15 premiações nacionais e internacionais e mais de 9 mil obras vendidas. É também o fundador da Galeria de Arte de Gramado, a única do Brasil especializada em mapas.
Durante a visita a Pomerode, Giovanni falou sobre o início de sua relação com a arte, sendo uma história que começou cedo.
“Comecei a desenhar com três anos, num teste para entrar na pré-escola. A pedagoga pediu que eu fizesse um barquinho e acabei desenhando uma caravela. Ela muito impressionada e, desde então, nunca mais parei”, relembra.
O gosto por temas históricos e náuticos, segundo ele, surgiu de forma natural, talvez influenciado pelas aulas da avó, professora de História. “Ela me despertou esse interesse, mas os navios apareceram por conta própria”, conta.
Ainda adolescente, Giovanni atuou como ilustrador técnico da Revista Náutica. As primeiras exposições em shoppings e galerias o levaram, em 2014, à sua primeira mostra na Europa. No ano seguinte, recebeu o convite para expor no Museu do Louvre, um marco que impulsionou sua carreira internacional.
“Foi uma grande honra. Desde então, participei de quatro edições no museu, sendo que em 2023 fui o único brasileiro com um estande próprio dentro do evento”, destaca.
A partir desse reconhecimento, o artista mudou-se para Gramado, em 2015, onde manteve por quase uma década sua galeria. Hoje, dedica-se integralmente à produção de novas obras e à divulgação de sua técnica minuciosa: o pontilhismo com caneta nanquim.
Cada trabalho pode reunir mais de um milhão de pontinhos e levar mais de 200 horas entre o desenho e a pesquisa histórica. As obras, feitas à mão com caneta de ponta ultrafina, são resistentes à água e projetadas para durar mais de 300 anos.
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“São desenhos inspirados no passado, especialmente nos períodos Renascimento e Medieval, até o século XIX. Antes da fotografia, os artistas faziam o chamado ‘bico de pena’, retratando fachadas, castelos e mapas de forma detalhada. Essa arte quase se perdeu com o tempo — e é justamente isso que procuro resgatar”, explica.
Giovanni também se dedica à personalização de obras, incluindo brasões familiares e dedicatórias. Seus mapas históricos e temáticos retratam locais do mundo todo, da Grécia ao Brasil colonial.
Sobre a passagem por Pomerode, o artista conta que a visita nasceu da curiosidade em conhecer a “cidade mais alemã do Brasil”. “Eu já tinha ouvido falar muito sobre Pomerode e a semelhança com Gramado. Aproveitei uma viagem a Curitiba e decidi vir conhecer. Achei a cidade encantadora”, comenta.
A visita também marcou o reencontro com admiradores locais, como a pomerodense Dirce Fiedler, que acompanha seu trabalho há anos. Além disso, Giovanni foi recebido pelo Secretario de Cultura, Turismo e Desenvolvimento Econômico de Pomerode, Manfredo Goede, no Portal Sul.

Foto: Isadora Brehmer / JP