Artigo do leitor: A origem do nome Pomerode
Você conhece a origem do nome da cidade de Pomerode? Não? Então confira esse artigo para descobrir
O nome do município catarinense de Pomerode é atípico na toponímia brasileira. Não tem origem indígena, como Ibiaçá, Caiçara, Apiúna. Não surgiu de acidente geográfico, como Rio Negro, Torres, Campos Novos. Não é formado por designação religiosa, como São Joaquim, Santa Maria, Santa Cruz. Não cultua personalidade de destaque como Lauro Müller, Governador Valadares, Getúlio Vargas.
O nome é peculiar, sui generis, formado por aglutinação do designativo de uma etnia com o sobrenome de uma família. Grande número de imigrantes que vieram à região do Rio do Testo, integrante da então Colônia criada pelo Dr. Blumenau, na década de 1860, eram naturais da Pomerânia (Pommern), integrada à Prússia. Como acontecia em toda a Região Sul brasileira, foram localizados e isolados em áreas afastadas, com recursos deficientes ou inexistentes. Ficaram com sua língua, seus costumes e habilidades e com sua religião, que não era a oficial do Império.
Em 1860, o Dr. Blumenau, dono da colônia por ele criada, passou a propriedade da mesma ao Governo Imperial, ficando, no entanto, como seu administrador. Nesta condição de dirigente interessou-se, nos primeiros anos sessenta do século XIX, pela vinda de mais imigrantes, chamados colonos.
Na missão de angariar e selecionar, no Rio de Janeiro, então Capital e porto de ingresso, elementos interessados e convenientes, encontrou um jovem, que viajou por sua conta, sem integrar leva organizada por contratante ou empresa. Seu destino era o Rio Grande do Sul, ou seja, a Colônia de Santo Ângelo, atual Agudo.
Na escolha interessou ser ele pomerano, solteiro e, especialmente, por ter noções de administração no setor público. Seu nome era FRIEDRICH ALBERT ROHDE, nascido em 27/10/1833. Vejamos quem era este pomerano imigrante.
August Rohde, de Hundskopf (Kreis Dramburg, Pomerânia) agricultor comerciante e professor, embarcou no porto de Hamburgo, no Brigue Wilhelmine, com o pai, sua mulher e seis filhos menores. Chegou à Colônia Santo Ângelo no dia 8/01/1858. Ficaram lá na Pátria três filhos adultos, sendo o mais velho, FRIEDRICH ALBERT, o qual permaneceu lá, no exercício da função pública, antes ocupada pelo pai.
Saudades e dificuldades supervenientes lá na Europa fizeram com que decidisse a emigrar. Ao aceitar o convite do Dr. Blumenau, não tinha noção das distâncias e das dificuldades de locomoção daquela época. Por isto a posterior visita aos seus ficou retardada e, depois, nunca aconteceu.
Na tradição oral da família teria havido troca de cartas no primeiro tempo. Uma sobrinha dele, Elsa Rohde, reportava isto com convicção. Temos, portanto, a etnia, Pommer, e um nome de família, Rohde.
Na pronúncia de nomes alemães com vogal seguida de h, ocorre a omissão deste fonema e há ênfase na vogal antecedente, como se tivesse acento circunflexo. Assim, Grohs (grôs), Fehn (fên), Bohn (bôn), Sehn (sên), Rohde (rôde).
Nos contatos dos moradores locais com o encarregado do Dr. Blumenau, em instruções, ordens, pedidos e reclamações, deve ter surgido a identificação, aos poucos, Der Pommer-Rohde (o Rohde pomerano), reduzido para o nome final: POMERODE.
Até aqui fatos naturais, plausíveis, com toda a verossimilhança. Falta, porém, uma comprovação com base documental. Infelizmente, esta não foi possível suprir. Em contato com a Prefeitura de Blumenau, veio a informação de que todo o acervo dos primórdios da colonização foi destruído em incêndio de 1958. Todos os documentos da história de 1850 a 1957 existentes no Arquivo Histórico da Fundação Cultural de Blumenau se perderam.
Como corolário de todo o exposto acima, é de se considerar com reserva a hipótese de o nome ter surgido com a prática de destocar as áreas desmatadas, para posterior plantio, significada no verbo alemão roden. Esta postura ou reserva se justifica por várias razões: (1) na pronúncia do infinitivo dos verbos alemães o “e”é engolido e assim roden se torna “rodn”, com o que fica sem nexo juntar pommer com esta fonia; (2) a terra fértil dos desmatamentos podia ser (e era) plantada sem o árduo e demorado trabalho de eliminar os tocos, pois estes apodreciam em poucos anos; (3) era urgente plantar e produzir para sustento próprio e para vender, pelo que seria perda de tempo dedicar-se, já no início, ao destocar.
Aldo Rohde – Economista e Advogado – Auditor Fiscal aposentado – Prefeito em dois mandatos de Paraíso do Sul – RS, onde temos a Linha dos Pomeranos, na região serrana
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