Aprendizado, terapia e geração de renda: conheça o projeto de produção de velas da Apae de Pomerode
Projeto da Apae estimula alunos a produzirem velas, cujas vendas irão gerar recursos a serem utilizados para momentos de lazer
Foto: Isadora Brehmer / JP
As manhãs e tardes de segunda-feira na Apae de Pomerode ganharam um novo significado neste ano. É nesse dia que uma das turmas da instituição se dedica à produção de velas artesanais, em um projeto que vai além do artesanato: é uma atividade de inclusão, aprendizado e também uma oportunidade para mostrar à comunidade o potencial criativo e a dedicação dos alunos.
Segundo a professora Nayara Brito, responsável pelo Serviço de Convivência, a oficina de velas foi incorporada à rotina escolar como uma forma de estimular a autonomia e a prática de tarefas do dia a dia. “Eles participam de todas as etapas, desde derreter a parafina até decorar e etiquetar as velas. Para nós, pode parecer um processo simples, mas para eles cada detalhe exige atenção, paciência e cuidado, e isso torna o aprendizado muito mais rico”, explica.
Do aprendizado prático ao efeito terapêutico
O trabalho com as velas vai além do caráter pedagógico. O contato com as cores, formatos e essências se tornou também uma experiência terapêutica para os alunos. “A essência ajuda a acalmar o corpo e a mente. É um momento de concentração, de treino da motricidade e de cuidado. Muitos nunca haviam acendido um fogão, por exemplo, e aqui aprendem a perder o medo, entendendo que é possível fazer isso com segurança”, destaca Nayara.
Ela compara a confecção das velas com atividades da vida prática que podem ser levadas para fora da sala de aula. “É como cozinhar. Eles entendem que precisam ter calma, mexer devagar, cuidar para não se queimar ou manchar a roupa. Essas habilidades são importantes porque podem ser usadas em casa, ajudando na independência de cada um”, complementa.
Criação colaborativa
A produção acontece de forma coletiva. Enquanto alguns alunos cuidam da parafina, outros ajudam a montar os moldes e preparar os laços. Alunos alfabetizados, como Sueli e Elmo, ficam responsáveis pela colocação de etiquetas com preços (entre R$ 10 e R$ 15) nas peças que depois seguem para a venda, sendo um dos pontos a loja Handgemacht, no Centro Cultural de Pomerode.
As bases de madeira utilizadas nas velas são fruto de doações da comunidade, como a contribuição do senhor Mário, parceiro assíduo do projeto. Vidros e outros materiais também chegam por meio de doações de professores e voluntários. “A gente tenta economizar ao máximo, porque a parafina e as essências não são baratas. Tudo que conseguimos de doação já faz uma grande diferença”, afirma Nayara.

Foto: Isadora Brehmer / JP
Renda revertida em experiências
Toda a renda obtida com as vendas tem um destino especial: proporcionar momentos de lazer aos próprios alunos. “Nosso objetivo é juntar um valor para que eles possam, no fim do ano, participar de um passeio, algo que seja divertido e marcante para a turma. É uma forma de eles colherem os frutos do próprio trabalho”, explica a professora.
Além da Apae, os produtos também são oferecidos em brechós da instituição e em datas especiais. A professora conta que está em busca de novas parcerias para ampliar a visibilidade das velas. “Queremos chegar até floriculturas e outros espaços de venda. Já temos conversas com alguns parceiros, porque quanto mais pessoas conhecerem o trabalho, mais oportunidade teremos de valorizar o esforço deles”, comenta.
Embora os modelos atuais sejam simples, o projeto já planeja novidades. A ideia é começar a produzir velas em recipientes de vidro transparente, decoradas com flores. “Para isso, vamos precisar de uma parafina específica, que é mais cara, mas vai deixar o produto ainda mais bonito e atrativo. É um sonho que queremos realizar com calma, conforme tivermos condições”, diz Nayara.

Foto: Isadora Brehmer / JP
Para a professora, cada vela produzida é símbolo de conquista e superação. “Alguns alunos têm bastante dificuldade em tarefas manuais, mas não desistem. Quando conseguem finalizar uma peça, a alegria é imensa. É nesse momento que percebemos o quanto a atividade fortalece a autoestima e a confiança deles”, reforça.
Inclusão que aquece a comunidade
O projeto tem mostrado à comunidade que a inclusão se constrói no dia a dia, com iniciativas que dão espaço para os alunos explorarem suas habilidades. A cada vela vendida, não é apenas um produto artesanal que chega às mãos do comprador, mas também o resultado de um trabalho coletivo que carrega dedicação, aprendizado e o desejo de ser reconhecido.
“Nosso maior desejo é que a comunidade abrace o projeto. Quando alguém compra uma vela, está levando para casa muito mais do que um objeto decorativo: está levando o esforço, a criatividade e a história dos nossos alunos”, conclui Nayara.
Para quem quiser adquirir uma vela produzida pelos alunos da Apae, basta entrar em contato pelo telefone (47) 3387-1666.

Foto: Isadora Brehmer / JP

Foto: Isadora Brehmer / JP
