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Após quase 30 anos, ex-alunos do Colégio Dr. Blumenau reencontram professora alemã e revivem história de amizade

Professora Theda Garnholz voltou da Alemanha para rever a turma do Deutsches Sprachdiplom (DSD), que manteve os laços de amizade desde 1996 e relembrou uma viagem histórica ao país europeu

31 de julho de 2026

Visita da professora Theda ao Colégio Doutor, 30 anos depois - Foto: Arquivo Pessoal

Trinta anos se passaram desde que uma professora alemã desembarcou em Pomerode para ensinar a língua de seus antepassados a um grupo de adolescentes do Colégio Dr. Blumenau. O que ninguém imaginava é que as aulas de alemão se transformariam em uma amizade que atravessaria continentes e décadas. Neste mês, ex-alunos da turma do Deutsches Sprachdiplom (DSD) se reuniram para celebrar o reencontro com a professora Theda Garnholz, que veio da cidade de Oldenburg, na Alemanha, para rever os amigos e reviver memórias que permanecem vivas desde 1996.

Entre os estudantes que participaram desse reencontro está Cinthia C. Volkmann Thies. Ela lembra que a chegada da professora estrangeira marcou profundamente a turma, que participava do programa de aprofundamento em língua alemã e tinha cerca de cinco horas semanais de aulas extras para se preparar para a prova de proficiência.

“Foi a primeira vez que tivemos contato com uma professora que só falava alemão. Ela era estrangeira e isso nos deixou muito empolgados em aprender. Criamos um laço muito grande de carinho e amizade com ela. Foi uma experiência muito especial para todos nós”, recorda.

Dentro da sala de aula com a Theda tendo aula de alemão – Foto: Arquivo Pessoal

Theda viveu em Pomerode entre 1996 e 1997, período em que deu aulas no Colégio Dr. Blumenau e se aproximou dos estudantes. O vínculo foi tão forte que a turma decidiu realizar um sonho ousado para a época: viajar para a Alemanha. Com rifas, vendas de produtos e muita dedicação, os 17 alunos conseguiram arrecadar recursos para passar um mês no país europeu.

“Conseguimos realizar uma viagem de um mês para a Alemanha, algo que nenhuma outra turma conseguiu repetir depois, porque os custos aumentaram muito”, conta Cinthia.

Na ocasião, Theda já havia retornado para seu país de origem. O reencontro aconteceu em Hamburgo, em 1997, durante o intercâmbio. Desde então, mesmo separados por milhares de quilômetros, professoras e alunos mantiveram contato por cartas, fax e, posteriormente, pela internet.

Neste ano, pela primeira vez, praticamente toda a turma que participou daquela viagem histórica conseguiu se reunir novamente. O encontro aconteceu na casa da professora Eliane Strauss, responsável por promover a reunião e que acompanhou a trajetória dos estudantes desde o ensino fundamental.

Reencontro da turma com a professora Theda – Foto: Arquivo Pessoal

“Foi a primeira vez que conseguimos reunir tantas pessoas da turma. Sentamos, tomamos café, comemos bolo e começamos a lembrar das brincadeiras que fazíamos nas aulas. Foi como voltar no tempo. Teve muitas lágrimas e muita emoção”, relata Cinthia.

As lembranças das tarefas de casa, das brincadeiras em sala e das risadas voltaram naturalmente. Segundo ela, o clima foi exatamente o mesmo de três décadas atrás.

Além do encontro com os ex-alunos, Theda revisitou o Colégio Dr. Blumenau. Acompanhada pelos antigos estudantes, percorreu as salas onde lecionava, reencontrou funcionários que ainda permanecem na instituição e conheceu as mudanças ocorridas nas últimas décadas.

Em Heidelberg na Alemanha – Foto: Arquivo Pessoal

Emocionada, Theda descreveu o retorno ao Brasil como uma espécie de volta para casa. “Por um lado, é como voltar para casa. Por outro, tudo está diferente, mais moderno, com internet, mais carros e muitas mudanças. Mas eu me sinto em casa novamente”, afirmou.

Encantada com a paisagem de Pomerode, a professora comparou a cidade a um conto de fadas. “Para mim, é como um conto de fadas. As casas enxaimel em meio às palmeiras e à floresta tropical tornam tudo muito especial e exótico”, disse.

Natural de Oldenburg, cidade alemã com cerca de 200 mil habitantes, Theda veio ao Brasil por meio de um programa do governo alemão para professores no exterior. Inicialmente, sonhava em trabalhar nos Estados Unidos, mas acabou recebendo a oportunidade de lecionar em Pomerode. Sem internet e com poucas informações disponíveis na época, embarcou rumo ao desconhecido.

“Na primeira noite aqui, ouvi rugidos e pensei que estava na África. No outro dia descobri que era o leão do zoológico”, relembrou, entre risos.
Ao longo dos anos, Theda também lecionou no Paraguai e no Vietnã, além de ter vivido experiências em outros países. Mas foi em Pomerode que construiu uma relação que resistiu ao tempo.

“Foi muito especial ter a Theda como professora. Ela nos ajudou a aprender alemão de uma forma muito próxima da cultura alemã, e é uma alegria enorme que, depois de tantos anos, ainda possamos manter esse carinho e contato com ela”, afirma Cinthia.

Para Katrin Grützmacher, celebrar os 30 anos da turma e reencontrar a professora foi um presente. “Sentar à mesa com ela e com a Frau Strauss e ver as risadas e o papo fluírem como na época do colégio aqueceu nossos corações. Foi um reencontro inesquecível e uma grande alegria”, destaca.

Karina Steinert Maas também ressalta que o tempo não apagou os laços construídos na juventude. “Ver que o tempo passou, mas que o afeto, o respeito e a amizade permanecem vivos, é um verdadeiro presente. Sou profundamente grata por ter tido a Theda como professora e, hoje, poder chamá-la de amiga do coração”, afirma.

Depois de reviver tantas lembranças, a turma já pensa em repetir uma experiência que marcou suas vidas há quase três décadas: voltar à Alemanha. Agora com filhos, maridos e uma rotina diferente daquela dos anos 1990, os antigos colegas sabem que o desafio é maior, mas compartilham do mesmo desejo.

“É tão bom reviver tudo isso e manter esse contato com os amigos da escola e com a Alemanha. São histórias que fazem parte de quem somos. E quem sabe um dia a gente não faz essa viagem novamente?”, conclui Cinthia.

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