Saúde

Anvisa faz alerta sobre medicamento para emagrecimento vendido ilegalmente na internet; retatrutida ainda não foi aprovada

Medicamento experimental para diabetes e obesidade ainda está em fase de pesquisa e não pode ser comercializado. Agência alerta para riscos à saúde e reforça que venda de produtos sem registro é crime

27 de julho de 2026

Foto: Imagem Ilustrativa/Envato Elements

A crescente procura por medicamentos voltados ao tratamento do diabetes e da obesidade tem impulsionado o interesse por novas opções terapêuticas em todo o mundo. No Brasil, um dos nomes que mais tem chamado a atenção é a retatrutida, um medicamento experimental que, apesar da repercussão nas redes sociais e na internet, ainda não possui aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e não está disponível para venda em nenhum país.

O alerta foi reforçado pela Anvisa, que destaca que a retatrutida continua em fase de pesquisa clínica. A empresa responsável pelo desenvolvimento do medicamento sequer solicitou o registro do produto à agência brasileira ou a qualquer outra autoridade reguladora internacional.

Mesmo assim, o medicamento tem sido oferecido ilegalmente em sites na internet e já foi apreendido como contrabando nas fronteiras brasileiras.

Medicamento ainda passa por testes rigorosos

Antes de ser aprovado para uso pela população, qualquer medicamento precisa passar por um longo processo de desenvolvimento, que inclui estudos pré-clínicos e clínicos. Esses testes são fundamentais para comprovar a segurança, a eficácia e a qualidade do produto.

Durante essa etapa, são definidas questões como a dose adequada, os possíveis efeitos adversos, as interações com outros medicamentos e as situações em que o tratamento deve ser interrompido.

Sem a conclusão desse processo, não há garantias de que o medicamento seja seguro ou realmente eficaz.

Quais são os riscos de usar a retatrutida sem registro?

Segundo a Anvisa, utilizar medicamentos sem registro sanitário e ainda em fase experimental pode trazer riscos significativos à saúde.

Entre os principais perigos estão:

  • efeitos adversos ainda desconhecidos;
  • ausência de comprovação científica de eficácia;
  • incerteza sobre a dose segura e efetiva;
  • possíveis falhas na fabricação e no controle de qualidade;
  • risco de contaminação, impurezas e variações entre lotes;
  • problemas de armazenamento e conservação.

Além disso, não existe garantia de que o produto comercializado contenha realmente o princípio ativo anunciado ou que a substância esteja presente na quantidade informada. Em casos de adulteração ou erro na formulação, o consumidor pode ingerir um produto completamente diferente do esperado, ficando exposto a riscos imprevisíveis.

Registro sanitário vai muito além de uma autorização

A Anvisa ressalta que o registro sanitário não é apenas uma formalidade burocrática.

O processo integra um amplo sistema de controle que inclui a avaliação da segurança, eficácia e qualidade do medicamento, inspeções nas instalações de fabricação, fiscalização das matérias-primas, validação dos processos produtivos, rastreabilidade dos lotes, monitoramento de efeitos adversos e cumprimento das boas práticas de fabricação e armazenamento.

Quando um produto é comercializado sem registro, ele fica completamente fora desse sistema de fiscalização, sem qualquer garantia de qualidade ou segurança.

Venda de medicamentos irregulares é crime

A recomendação da Anvisa é clara: não utilizar, em nenhuma hipótese, medicamentos que não possuam registro na vigilância sanitária.

Além dos riscos à saúde, a comercialização de medicamentos irregulares é considerada crime, conforme prevê o Código Penal (Decreto-Lei nº 2.848/1940).

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A agência reforça que a ausência de registro significa que o produto está excluído de todos os mecanismos criados para proteger a saúde da população, tornando seu uso um risco potencial para os consumidores.

Fonte: Agência Nacional de Vigilância Sanitária

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