Anvisa alerta para riscos de tratamentos odontológicos caseiros vendidos na internet
Agência reforça que produtos odontológicos precisam ser regularizados e alerta para os riscos de clareadores e dentes de resina utilizados sem acompanhamento profissional
Foto: Imagem ilustrativa gerada por IA / Jornal de Pomerode
A busca pelo sorriso perfeito tem impulsionado a venda de tratamentos odontológicos caseiros em redes sociais e marketplaces. No entanto, a facilidade para adquirir produtos como dentes de resina e clareadores dentais pode esconder sérios riscos à saúde bucal quando esses itens são utilizados sem orientação profissional.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) alerta que produtos odontológicos sem regularização representam perigo aos consumidores e reforça que muitos deles não podem ser manipulados por pessoas sem formação técnica. Entre os problemas que podem ser causados estão sensibilidade dentária, queimaduras, alterações na mordida e até comprometimento da estrutura dos dentes.
Dentes de resina exigem conhecimento técnico
Os chamados dentes de resina, vendidos em versões em pó, líquido ou pasta para moldagem em casa, têm atraído consumidores pelos preços acessíveis e pela promessa de melhorar a estética do sorriso.
Segundo a Anvisa, a manipulação desses produtos por pessoas sem qualificação pode provocar problemas na articulação temporomandibular (ATM), responsável pelos movimentos de abrir e fechar a boca, além de queimaduras e contaminação por resíduos tóxicos.
Outro risco é a alteração da mordida, causada pelo encaixe inadequado dos dentes ou pela força excessiva durante a mastigação, podendo comprometer os tecidos de suporte dos dentes e a articulação da mandíbula.
A agência destaca que, até o momento, não aprovou nenhum dente de resina para ser manipulado por pessoas sem formação profissional.
Clareadores dentais precisam de registro na Anvisa
A regulamentação também varia conforme a concentração de peróxido de hidrogênio presente no produto.
Os cremes dentais com até 0,1% de peróxido de hidrogênio são classificados como cosméticos e podem ser utilizados pela população, desde que estejam regularizados pela Anvisa.
Já os clareadores com concentração superior a 0,1%, bem como outras substâncias que liberem peróxido de hidrogênio, são considerados dispositivos médicos e precisam atender aos requisitos da RDC 923/2024.
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Mesmo os produtos aprovados para uso domiciliar devem possuir regularização na Anvisa e, em muitos casos, serem utilizados sob supervisão de um cirurgião-dentista.
Além disso, os clareadores com concentração superior a 3% de peróxido de hidrogênio só podem ser vendidos mediante prescrição de profissional habilitado. A embalagem deve apresentar, obrigatoriamente, uma tarja vermelha com a expressão “Venda Sob Prescrição”.
Quais são os riscos do uso inadequado?
O uso incorreto dos clareadores dentais pode provocar diferentes problemas, dependendo da concentração da substância.
Produtos com até 3% de peróxido de hidrogênio, comuns em cremes dentais clareadores, fitas e géis de uso doméstico, podem causar:
- Sensibilidade dentária;
- Desconforto ao consumir alimentos ou bebidas quentes e frias;
- Irritação leve na gengiva.
Produtos com concentração acima de 3%, quando utilizados de forma inadequada, podem provocar:
- Sensibilidade dentária intensa;
- Irritação ou queimaduras na gengiva;
- Alterações na superfície do esmalte dos dentes;
- Maior suscetibilidade ao desenvolvimento de cáries;
- Perda de tecido da raiz dental, causando dor intensa e necessidade de tratamento odontológico.
Como verificar se o produto é regularizado?
A Anvisa orienta que produtos odontológicos regularizados apresentem na embalagem o número de notificação ou de registro da agência.
Também é importante verificar se fabricantes e importadores possuem cadastro na Anvisa e Autorização de Funcionamento de Empresa (AFE).
Recomendação da Anvisa
Diante dos riscos, a Anvisa recomenda que qualquer tratamento odontológico seja realizado com acompanhamento de um cirurgião-dentista, profissional legalmente habilitado para avaliar cada caso e indicar o tratamento mais adequado.
A agência também lembra que o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece assistência odontológica. Os interessados podem buscar informações na unidade de saúde responsável pelo atendimento em sua região.