Segurança

Antes de acender a fogueira de festa junina, leia isto: erros comuns podem causar queimaduras graves

Com cerca de 1 milhão de casos de queimaduras por ano no Brasil, Corpo de Bombeiros reforça orientações para evitar acidentes durante as festas de São João

3 de junho de 2026

Foto: Imagem ilustrativa gerada por IA / Jornal de Pomerode

As tradicionais festas juninas trazem consigo comidas típicas, música, dança e um dos principais símbolos da celebração: a fogueira. No entanto, junto com o clima festivo, cresce também o número de acidentes relacionados a queimaduras, um problema que preocupa autoridades e profissionais da saúde em todo o país.

Segundo a Sociedade Brasileira de Queimaduras, uma pessoa sofre queimadura a cada 32 segundos no Brasil. Ao todo, são aproximadamente 1 milhão de casos por ano. Desses, cerca de 52 mil são graves o suficiente para exigir internação hospitalar, e aproximadamente três mil brasileiros morrem anualmente em decorrência dessas lesões.

O mês de junho é um dos períodos mais críticos para esse tipo de ocorrência, principalmente devido às festas juninas e ao aumento do uso de fogueiras.

Em Santa Catarina, os números também chamam atenção. Dados do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina (CBMSC) mostram que, em 2023, foram registradas 31 ocorrências envolvendo fogueiras. Em 2024, esse número subiu para 33 e, em 2025, chegou a 50 casos, representando um aumento de 61% em dois anos.

Embora os registros contemplem todo o ano, os meses de junho e julho concentram grande parte das ocorrências, quando as fogueiras passam a fazer parte da rotina em quintais, sítios e eventos juninos.

“O fogo de artifício costuma dominar o noticiário sobre acidentes juninos, mas a fogueira, por ser mais doméstica e culturalmente naturalizada, produz um tipo de acidente menos espetacular e mais frequente”, destaca o comandante-geral do CBMSC, coronel Fabiano de Souza.

Segundo ele, queimaduras de segundo grau em mãos, braços, rosto e olhos são comuns, especialmente durante o acendimento das fogueiras, quando são utilizados materiais inflamáveis como papel, madeira seca e, principalmente, álcool.

A regra da altura

Antes de montar uma fogueira, o CBMSC orienta que a principal preocupação não deve ser apenas a distância até construções ou vegetação, mas sim a altura da estrutura.

A Instrução Normativa 24 estabelece que a fogueira deve estar afastada, no mínimo, uma vez e meia a sua própria altura de edificações, vias públicas, redes elétricas, telefonia e materiais combustíveis.

Na prática, uma fogueira com dois metros de altura exige um espaço livre de três metros ao redor. Já uma estrutura de quatro metros deve ter pelo menos seis metros de afastamento. Mesmo as fogueiras menores, comuns em residências, precisam respeitar essa proporção para garantir a segurança.

Três orientações pouco conhecidas

Além dos cuidados mais conhecidos, a corporação destaca três recomendações que muitas pessoas desconhecem.

A primeira delas é que a fogueira deve ser acesa pelo topo e não pela base. Quando o fogo começa por baixo, a pilha de madeira tende a desabar mais rapidamente, espalhando brasas e dificultando o controle das chamas.

Outra prática proibida é lançar bombinhas, rojões ou outros artefatos explosivos dentro da fogueira. A explosão pode projetar brasas em diversas direções, atingindo pessoas, telhados e áreas de vegetação.

Também é recomendado espalhar uma camada de areia no solo antes de montar a fogueira. Essa medida ajuda a impedir que o calor atinja raízes e matéria orgânica subterrânea, reduzindo o risco de o fogo voltar a surgir horas depois do término da festa.

Brasa apagada não significa segurança

Os bombeiros alertam que uma fogueira aparentemente apagada ainda pode representar perigo.

Antes de encerrar a atividade, é fundamental despejar água em abundância sobre toda a madeira queimada. Em seguida, as cinzas devem ser revolvidas com uma pá ou enxada e novamente molhadas. O processo deve ser repetido até que não haja mais fumaça, calor ou estalos.

Cuidados básicos para evitar acidentes

  • Manter distância mínima equivalente a uma vez e meia a altura da fogueira em relação a construções, vegetação e redes elétricas;
  • Colocar uma camada de areia entre o solo e a madeira antes do acendimento;
  • Nunca utilizar álcool, gasolina, querosene ou outros líquidos inflamáveis;
  • Manter baldes com água ou areia próximos ao local;
  • Evitar acender fogueiras em dias de vento forte;
  • Não utilizar roupas largas, mangas soltas ou tecidos sintéticos próximos ao fogo;
  • Manter crianças e animais afastados e sempre supervisionados;
  • Não acender fogueiras após o consumo de bebidas alcoólicas.

Com a chegada das comemorações juninas, o Corpo de Bombeiros reforça que a prevenção continua sendo a melhor forma de garantir uma festa segura e sem ocorrências.

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