Alerta climático: El Niño pode trazer enchentes severas e ventos destrutivos a SC
Fenômeno deve atingir pico entre setembro e outubro, mas efeitos começam já em junho; Vale do Itajaí e Blumenau estão entre as áreas mais vulneráveis
Foto: Envato Elements/Imagem Ilustrativa
Santa Catarina deve enfrentar, nos próximos meses, o El Niño mais intenso da última década. O alerta é do meteorologista Piter Scheuer, que projeta um cenário de alto risco para o estado, com possibilidade de enchentes severas, deslizamentos de terra e fenômenos extremos como tornados e vendavais entre junho e outubro.
De acordo com Scheuer, o auge do fenômeno está previsto para ocorrer entre setembro e outubro, mas os primeiros impactos devem ser sentidos já a partir de junho, com chuvas intensas, trovoadas e rajadas de vento potencialmente destrutivas. O meteorologista também aponta a possibilidade de microexplosões atmosféricas, ampliando o risco em regiões vulneráveis.
O especialista compara o atual cenário com episódios históricos de El Niño, como os registrados em 1983, 1997/1998 e 2015, todos marcados por eventos climáticos extremos no Sul do Brasil. A referência mais preocupante é 1983, quando uma enchente histórica no Vale do Itajaí deixou 49 mortos e cerca de 50 mil desabrigados em Blumenau. Na ocasião, o Rio Itajaí-Açu atingiu 15,34 metros, em um dos maiores desastres climáticos já registrados em Santa Catarina.
Segundo Scheuer, as semelhanças na formação do fenômeno atual indicam um potencial destrutivo comparável. “Não é alarmismo, é realidade”, afirmou o meteorologista ao reforçar a necessidade de preparação antecipada.
Regiões em maior risco
O alerta destaca áreas historicamente afetadas por cheias. Entre elas estão o Vale do Itajaí, os vales dos rios Uruguai e do Peixe, além de municípios como Blumenau, Rio do Sul e Tubarão. Nessas regiões, rios que percorrem vales estreitos podem transbordar rapidamente diante do grande volume de chuva, provocando alagamentos em poucas horas.
Além das enchentes, há preocupação com eventos severos como tornados e vendavais. Scheuer lembra que, no ano passado, tornados atingiram o Oeste do Paraná mesmo sem a influência direta de El Niño ou La Niña. Com um fenômeno forte em formação, o risco de instabilidade atmosférica aumenta significativamente.
Por que o fenômeno preocupa
A intensidade do El Niño está diretamente ligada ao aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Quando as temperaturas permanecem acima da média por longos períodos, há alterações nos padrões atmosféricos que favorecem o deslocamento de calor e umidade da Amazônia para o Sul do Brasil.
Segundo a análise do meteorologista, esse “corredor de umidade” deve atuar com força ao longo do segundo semestre, atingindo Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul com maior frequência e intensidade.
Impactos também no Sul do Brasil
O Rio Grande do Sul deve ser o primeiro estado a sentir os efeitos, já a partir de maio. No Oeste de Santa Catarina e do Paraná, os impactos também devem ocorrer de forma antecipada, antes de avançarem para o litoral.
No Paraná, o alerta é ainda mais enfático devido às condições geográficas que favorecem a formação de supercélulas, sistemas de tempestade capazes de gerar tornados. A combinação com um El Niño forte eleva o risco para níveis considerados muito altos entre julho e outubro.
Preparação é essencial
Especialistas destacam que o período até setembro é crucial para medidas preventivas. Entre as ações recomendadas estão a limpeza de bueiros e canais de drenagem, reforço de encostas, planejamento de rotas de evacuação e organização de estoques de emergência.
Experiências anteriores, como as enchentes de 1983 e 2015, mostram que a falta de preparação pode agravar significativamente os impactos, especialmente em cidades como Blumenau, Rio do Sul e Tubarão.
Diante do cenário, o alerta é claro: a antecipação pode fazer a diferença. O comportamento do El Niño nos próximos meses deve ser determinante para o nível de impacto em Santa Catarina e as ações tomadas agora podem evitar que tragédias do passado se repitam.