Aleitamento Materno
O leite materno é o alimento mais completo para suprir as necessidades dos bebês
A Semana Mundial da Amamentação é comemorada desde 1992, por iniciativa da Aliança Mundial para Ação em Aleitamento Materno (WABA), órgão consultivo do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). E, neste ano, o tema é Amamentação: uma chave para o desenvolvimento sustentável, que convida a uma mobilização da sociedade à conscientização dos benefícios do aleitamento materno para a saúde da mãe e do bebê, bem como para o futuro do país.

O aleitamento materno é o alimento mais completo que a criança pode receber, além de ser espécie – específico, sem riscos de alergias. “Costumo dizer que ele é mãe-filho específico, cada mãe produz um leite diferente, especificamente para suprir as necessidades do seu bebê. O leite materno varia de mãe para mãe, conforme a etnia, individualidade genética, a alimentação da mãe e a idade do bebê. Sabe-se que o leite da mãe de um bebê prematuro é mais calórico e tem maior quantidade de imunoglobulina que o leite de uma mãe que teve bebê a termo”, ressalta a Dra. Francielle Tosatti.
A composição nutricional do leite varia durante o dia e até mesmo durante a mamada. A produção do leite é dinâmica e ocorre antes e durante a mamada, sendo que, ao final dela, a concentração de gordura no leite é maior, daí vem o termo popularmente conhecido como leite posterior.
O leite materno é um alimento nutricionalmente completo, prático, acessível e seguro. Logo, o ato de amamentar proporciona:
• Fortalecimento do vínculo afetivo entre mãe e bebê;
• Redução do risco de abandono e violência contra a criança;
• Desenvolvimento motor-oral do bebê (desenvolvimento dos músculos envolvidos na fala, adequada respiração nasal);
• Desenvolvimento imunológico do bebê (imunoglobulinas A);
• Prevenção de sub e sobre nutrição, diabetes, asma, diarreia, anemia ferropriva e síndrome da morte súbita;
• Proteção para a mãe contra o câncer de mama e ovário;
• Auxílio para a mãe a perder peso (consome até 800 calorias por dia);
• Redução do risco de hemorragia no pós-parto e, consequentemente, de anemia;
• Incentivo à cidadania, ao exercício do direito da mulher;
Amamentar é natural, mas também deve ser aprendido!
Amamentar é um direito e deve ser respeitado!
Amamentar é um ato de amor e deve ser incentivado e assegurado por todos nós!
Também é fundamental pontuar que leite materno fraco não existe. O ganho de peso esperado de uma criança varia entre um limite mínimo e máximo. E, mesmo quando ele não está dentro do esperado, não significa que o leite materno seja fraco. Muitos fatores podem influenciar para que esse ganho de peso não aconteça da maneira esperada: a posição da mamada e a técnica da amamentação, são os mais comuns. A alimentação da mãe, o stress do período pós-parto também podem ser pontuados. São vários fatores que podem ser orientados e solucionados. “Não lute sozinha, não desista. Se está com dificuldades procure orientação, seja com um pediatra ou em um banco de leite da sua cidade”, ressalta a Dra.Francielle.

Assim como os benefícios vão além da nutrição, também existem riscos para a criança que não recebe o leite materno. A amamentação é a maneira mais natural de alimentação nos primeiros meses de vida, de modo que, ao se alterar algo natural tão precocemente, repercute-se em todo o desenvolvimento. “A intenção em informar jamais será despertar culpa. Sabemos que, por vezes, a amamentação não se consolida. Acredito que seja mais benéfico aqui orientar que, caso a mãe não consiga amamentar, não importa a razão, que procure dar a mamadeira como se fosse o peito. Transmitindo muito amor, zelo e segurança. Mantendo sempre um contato íntimo com o bebê, olho no olho e pele com pele”, comenta Dra. Francielle.
A amamentação deve ocorrer de forma exclusiva até os seis meses de idade. Mesmo em dias quentes e secos o leite materno supre as necessidades de líquido do bebê, não sendo necessário ofertas de outras bebidas como chá, água ou sucos. A partir dos seis meses inicia-se com a alimentação complementar, de forma gradual e que é somada a amamentação.
A recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS), é de que se mantenha a amamentação no mínimo até os dois anos de idade. Mas, surge em todo mundo um movimento pela amamentação prolongada, que segue após os dois anos. É importante ressaltar que todo o processo da introdução alimentar deve ser orientado e acompanhado pelo pediatra.
Outro fator que merece atenção é em relação a doação do leite materno, que pode ser feito pelas mães que produzem o leite em excesso. Segundo a pediatra Francielle, doar o leite materno, tem uma importância relevante na vida de alguns bebês. “Gostaria de lembrar daqueles bebês que estão internados nas UTI Neonatais, os quais, por muitas vezes, são impossibilitados de receber leite materno, porque a mãe não produz ou por alguma condição do bebê, mas que tanto necessitam do leite humano para seu desenvolvimento. Toda mulher que amamenta é uma possível doadora de leite humano. Basta ser saudável e não tomar medicamentos que interfiram na amamentação e na doação”, finaliza.
( Fotos: Divulgação )