Saúde

Ajuda na área da saúde, no Rio Grande do Sul

Pomerodense técnica em enfermagem viajou ao Rio Grande do Sul para ajudar como voluntária e relata vivências em solo gaúcho

13 de julho de 2024

Foto: Arquivo pessoal

Foi o sentimento de solidariedade para com o próximo que fez com que a pomerodense Letícia Thaís Dalpiaz, técnica em enfermagem, decidisse partir rumo ao Rio Grande do Sul com um grupo de voluntários, para ajudar as vítimas da catástrofe climática que atingiu boa parte do estado.

“Eu olhava muito as redes sociais e sentia que não poderia ficar apenas observando tantas coisas ruins acontecerem. Aquele sentimento de poder fazer mais me acompanhava por vários dias, eu sentia a necessidade de fazer alguma coisa. No meu curso de Técnica em Enfermagem, em Timbó, conheci Leila e Thelma, duas técnicas em enfermagem, e vi que a Leila estava indo para o Rio Grande do Sul. Como eu estava saindo do meu emprego, decidi ir com ela e perguntei se podia. Quando ela deu a resposta positiva, logo arrumei minhas malas para partir rumo ao estado vizinho”, conta Letícia.

A jornada rumo ao Rio Grande do Sul começou com a ida até Florianópolis, na Igreja Palavra Viva Church, do Bispo Flori Ramos, que Leila frequentava. Com auxílio do Prefeito Ércio Kriek, Letícia e o grupo de voluntárias formado por Leila, Telma, Priscila, Letícia e Adriana foi para Florianópolis, onde encontrou o restante dos voluntários, liderado pela enfermeira Amanda.

Em um ônibus da Polícia Rodoviária Federal (PRF), os voluntários compostos de técnicos de enfermagem, enfermeiros, psicóloga, fisioterapeuta, médica veterinária, socorrista e técnico de laboratório de SC de Santa Catarina foram para o RS e, chegando lá, foram recepcionados em Canoas, pela equipe de uma escola, ligada à igreja, onde ficaram em um primeiro momento.

“Havia a promessa de fazermos parte de um hospital de campanha, que não se tornou realidade, mas nos deram contato de um abrigo de voluntários, em uma empresa, chamada Bastos, de Canoas, e foi para lá que fomos. Lá conhecemos outros voluntários e partimos para a ULBRA, no hospital de campanha deles, onde atendemos as pessoas, começamos a cadastrá-las a ULBRA, no hospital de campanha deles, onde atendemos as pessoas, começamos a cadastrá-las, mas queríamos mesmo era ir para a linha de frente”, destaca Letícia.

Então, a técnica em enfermagem e a colega, Leila, conheceram um grupo de Curitiba, também de voluntários, formado por Andrews, Bernardo e Vinícius, que foram de Kombi para o Rio Grande do Sul, e se uniram a eles no trabalho de percorrer algumas ruas, para ajudar quem precisasse.

Letícia com o grupo de voluntários de Curitiba. (Foto: Arquivo pessoal)

 

“Eles distribuíam marmitas para pessoas que estavam ilhadas, e nós fomos junto, levando água, medicamentos, fazendo medição de pressão e conferindo a condição de algumas pessoas. Neste caminho, conhecemos um casal de idosos, quando paramos na casa deles, com a Kombi. Quando descemos e entregamos as marmitas, aferimos a pressão, pedimos se estavam bem, se precisavam de remédio ou tinham algum problema de saúde, mas eles só precisavam conversar. Orientamos que, se sentissem alguma coisa, deveriam procurar o pronto-atendimento, mas só queriam conversar e receber um abraço”, relata Letícia.

Outra história marcante, segundo a técnica de enfermagem, foi uma cena que representou a força das pessoas que moram no Rio Grande do Sul, diante da tragédia que estão enfrentando.

“Uma senhora estava cuidando da mãe, de 89 anos, e nos contou que morava no Paraná, há dois anos, e que perdeu tudo porque a casa foi consumida por um incêndio. Ela se mudou para o Rio Grande do Sul e perdeu tudo de novo, com a enxurrada. Mesmo assim, nos garantiu que não iria desistir, que iria conquistar tudo de novo. Isso me marcou muito, pois mostrou o quanto o povo lá é forte e vivenciar esta demonstração de força, nos tornou mais fortes, acredito eu”, destaca.

Por quatro dias, Letícia esteve no Rio Grande do Sul exercendo funções voluntárias como esta, passando pelas cidades de Canoas, Porto Alegre e Eldorado do Sul. E, segundo a técnica em enfermagem, nestas cidades presenciou cenas e cenários que jamais esquecerá.

Um destes cenários foi na ULBRA, em Canoas, onde estão abrigadas quase sete mil pessoas. Segundo Letícia, há famílias, pais, mães, crianças, jovens, misturados até mesmo com membros de facções criminosas e presidiários, que precisaram buscar um abrigo, devido às inundações.

“Embora todos estejam gratos por estarem vivos, é uma situação muito difícil e até insalubre. Há problemas como piolho, tuberculose, crianças com diarreia, problemas respiratórios, muitas situações complicadas. E ainda virão tempos difíceis, principalmente em relação à saúde, na questão epidemiológica e de doenças, então temos que continuar ajudando”, destaca.

Letícia e as profissionais da saúde de Timbó. (Foto: Arquivo pessoal)

 

Letícia garante que deseja voltar ao Rio Grande do Sul para continuar sendo voluntária. Além disso, ela parabeniza as prefeituras por adotarem municípios gaúchos. Inclusive, o pai dela é um dos membros da Prefeitura de Pomerode que foi para Cruzeiro do Sul auxiliar nos trabalhos de reconstrução.

“É um sentimento de gratidão muito grande por poder ajudar. Quero poder voltar e continuar ajudando, nem que seja apenas com um abraço. As pessoas lá, tanto as que perderam tudo como os voluntários precisam muito de abraços, precisam conversar, falar sobre o que sentem, pois a parte psicológica está muito abalada. O que vivi lá é algo que nunca vou esquecer, mas que me traz gratidão por saber que consegui ajudar. Acho que é um sentimento de quem trabalha na área da saúde, precisamos fazer algo para ajudar ao próximo”, finaliza.

Com um coração repleto de gratidão por ter sido capaz de ajudar, Letícia expressa sua determinação em continuar apoiando as comunidades afetadas. Sua experiência no Rio Grande do Sul não apenas a transformou, mas também fortaleceu sua convicção de que o verdadeiro poder da humanidade reside na capacidade de cuidar uns dos outros, especialmente nos momentos mais desafiadores.

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