Adoção: sinônimo de amor incondicional
Casal adota meninas de 15 e 13 anos, e fala sobre a experiência de adoção tardia
“Filho é filho, não importa como”. É com esta frase que Darliane Baehr Beck, de 42 anos, e Ralf Alexander Roerich Lovera Beck, 32 anos, começam a descrever o sentimento de quem adota um ou mais filhos, para amar como se fossem frutos de si. O casal adotou, neste ano, duas irmãs, Valéria, de 15 anos, e Camila, de 13, formando a sua família.
Darliane conta que adotar um filho sempre foi a sua primeira opção, portanto a ideia de concretizar este desejo partiu dela. Quando conheceu o esposo, conversaram e começaram a estudar a possibilidade. Inicialmente, Ralf tinha um “pé atrás” quanto à ideia da adoção. Paraguaio, ele foi adotado pela mãe, que é blumenauense, conheceu de perto a realidade da adoção.
“Mas eu pensei mais a respeito, refleti muito, e decidi que queria, também, adotar. Isso é muito importante, o casal estar em sintonia, com o mesmo desejo”, afirma.
A partir do momento em que escolheram adotar, foi feito o cadastro inicial na fila da espera. Nele, o perfil feito era de aceitarem duas crianças, com até cinco anos.
Dado o primeiro passo, Darliane e Ralf começaram a frequentar os encontros e reuniões do Grupo de Estudos e Apoio à Adoção de Pomerode (GEAAP), onde receberam orientações e puderam começar a preparação para adotarem seus filhos.
“Nestas reuniões mudamos algumas concepções que tínhamos no início e, por isso, aumentamos no perfil a idade máxima das crianças que desejávamos adotar. Isso foi gradativo, à medida que íamos aprendendo e, em julho deste ano, aumentamos a idade para crianças até 12 anos”, relata Darliane.
Depois desta mudança no perfil, foram apenas cerca de três a quatro semanas de espera na fila, até aparecer a oportunidade. Por se encaixarem no perfil da adoção tardia, não demorou para que houvessem crianças que estavam neste perfil.
A primeira foto que apareceu para o casal foi a das meninas, que hoje são as suas filhas. A princípio a situação os pegou de surpresa, pela rapidez, mas amadurecendo a ideia e, olhando cada vez mais a foto, pensaram: “são elas!” As irmãs, Valéria e Camila, são do Mato Grosso do Sul e viviam na cidade de Campo Grande. Depois de decidirem que iriam adotá-las, aguardaram uma semana até que fosse feito o contato com a assistente social que cuidava do caso delas. E a partir daí, o amor foi crescendo cada vez mais.
“Quando conversamos com elas pela primeira vez, por meio de uma chamada de vídeo, foi só emoção. E cada vez mais fomos conversando, quebrando o gelo, até que chegou o momento de conhecê-las pessoalmente”, ressalta o casal.
Darliane e Ralf, foram para Campo Grande e passaram uma semana lá, para conhecer pessoalmente e conviver com as meninas. Viajaram rumo ao Mato Grosso do Sul no dia 21 de setembro dois dias depois foram ao fórum para conhecer as irmãs. O primeiro contato pessoalmente, de acordo com o casal, foi cheio de surpresas.
“Nós estávamos esperando no corredor e as meninas acabaram passando na nossa frente e nos reconhecemos. Houve aquela pausa, até porque foi meio um susto, mas ao mesmo tempo foi muito emocionante e surpreendente. Este dia nunca irei esquecer”, frisa Darliane.
Durante uma semana, pais e filhas conviveram em Campo Grande, conhecendo-se melhor e, no dia 29 de setembro, eles voltaram à Pomerode. E desde lá, tem sido um aprendizado diário, tanto para os pais, quanto para as filhas.Valéria e Camila estão estudando na EBM Olavo Bilac e adaptando-se à nova realidade. “Nós gostamos daqui, mesmo sendo bem diferente da nossa realidade lá em Campo Grande, é uma cultura muito diferente, mas estamos muito felizes de estarmos juntas aqui”, afirmam.
Logo que a família retornou completa para Pomerode, o pai teve que viajar. Darliane ficou sozinha com as meninas, neste início. “No começou, admito que bateu um certo desespero, pois é tudo meio incerto, ainda. Mas quando ouvi elas me chamarem de mãe, soube que tudo daria certo”, garante.
Adoção tardia ainda sofre preconceito
O casal alerta para o fato de a adoção tardia ainda sofrer muito com o preconceito, pelo fato de muitas pessoas pensarem que as crianças podem vir para casa com problemas de criação. Mas Darliane e Ralf defendem que não existem muitas diferenças entre educar uma criança mais velha ou uma mais nova.
“Ouvimos muitas pessoas nos chamando de loucos pela decisão, mas sempre tivemos muita certeza da nossa decisão, pois refletimos sobre isso. Além disso, o nosso estilo de vida não combina com uma criança pequena, pois viajo bastante”, afirma Ralf.
Felizmente, o casal teve apoio de toda a família, o que foi fundamental para que tudo corresse bem. “Adoção tardia não é problema, e sim algo maravilhoso. O grupo foi muito importante, pois com ele puderam aprender muito e se preparar, e isso aconselhamos os pais interessados a fazerem. Se preparem muito bem. Como dissemos, são filhos, não interessa como”, finaliza o casal.