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“A sensação é de dever cumprido”: médico e bombeiro voluntário que auxiliaram a atender parada cardiorrespiratória, em Pomerode, relatam experiência

Caso de emergência médica ocorreu durante o Festival Gastronômico

22 de julho de 2023

Foto: Envato Elements

O que era para ser uma noite tranquila, se tornou um momento no qual habilidades e conhecimentos foram colocados à prova.

Os bombeiros voluntários Éverton Horongoso e Tuany Lümke, além do médico anestesiologista Henrique Alberto Moris, estavam no lugar certo, na hora certa e foram cruciais para possibilitar a reversão de um quadro de parada cardiorrespiratória, no Festival Gastronômico de Pomerode.

O caso ocorreu na noite de 11 de julho, momento em que as três pessoas visitavam o Festival, quando a emergência médica aconteceu, conforme relata o bombeiro voluntário de Pomerode, Éverton Horongoso.

“Estávamos aguardando vir os pratos do Festival, quando escutamos alguém pedindo por ajuda. De imediato falei pra minha noiva, que também é bombeira, que iria ver o que houve, e fui procurar de onde vinha o pedido de ajuda. Assim que localizei de onde vinha o pedido, fui correndo até o local. Lá, vi um homem caído e os familiares desesperados. Juntamente com os brigadistas, retiramos eles do meio das pessoas e das mesas, e colocamos o homem em um local mais reservado”, relata Horongoso.

O médico Henrique Moris, que também aproveitava o Festival, contou que viu um socorrista passar por ele, apressado, então deixou a mesa para ir atrás dele, sabendo que alguém poderia estar precisando de ajuda. Logo encontrou o aglomerado de pessoas, agitadas, e viu o homem sendo retirado da chuva, para ser levado a um espaço mais adequado para receber o primeiro atendimento.

“Nestas horas, a primeira atitude é pedir socorro e ligar pra serviço de atendimento de urgência. Então eu observei e o aspecto da face disse muito, em coloração arroxeada, respiração agônica em ‘gasping’. Chequei o pulso, ausente. Então iniciamos imediatamente as compressões torácicas, primeiramente pelo bombeiro voluntário Éverton. Enquanto realizava o atendimento, um familiar repassou as informações conforme questionava”, relembra o médico.

Ao mesmo tempo em que as compressões eram realizadas, foi acionado o atendimento do Corpo de Bombeiros Voluntários de Pomerode, já com a informação de que se tratava de uma parada cardiorrespiratória. Este conhecimento possibilitou que os Bombeiros já trouxessem o Compressor Toráxico Lucas3 (somente os Bombeiros da União, de Pomerode e o Arcanjo-03 têm), Dea- desfibrilador, o2 e cânulas. O Samu também foi acionado.

“Com a chegada da equipe, já instalamos os equipamentos, onde o desfibrilador já iniciou o choque. Aplicado choque, mantivemos as compressões com Lucas3 por mais alguns ciclos. Até que sentimos pulso da vítima. Nisso, o Samu já havia feito acesso na vítima. Assim protocolamos ela em maca para o transporte”, contou o bombeiro voluntário.

Dr. Henrique e a esposa, Eluana Boso. (Foto: Arquivo pessoal)

 

Éverton e a noiva, Tuany, que também é bombeira. (Foto: Arquivo pessoal)

 

O Dr. Henrique enaltece, sobre este momento, o diferencial de Pomerode na união em prol de uma pessoa.
“Me chamou a atenção que as senhoras da cozinha ao lado abriram a porta pra iluminar. Pensei, Pomerode é especial! Reflete da mesma forma na organização do Hospital Rio do Testo do qual havia recém saído. Lembro-me da primeira vez que entrei neste hospital, na época trabalhando pelo Samu, e sempre me chamou a atenção a organização de lá. Muita gente ofereceu ajuda para revezar, pois massagem cardíaca bem efetuada cansa rápido, e o ideal é trocar a cada dois minutos. Um fato que destoou e devemos valorizar como primordial, foi a chegada rápida de equipamento para desfibrilação – “choque” – precoce. Isto permitiu a retomada de ritmo cardíaco organizado e consequente pulso”, destacou.

 

Sentimento de dever cumprido

Tanto o bombeiro voluntário quanto o médico enaltecem a importância da rapidez do atendimento. Horongoso frisa que, em casos de parada cardiorrespiratória, cada minuto importa. Quanto antes as compressões toráxicas forem iniciadas, maiores as chances de sucesso e de restarem menos sequelas para a vítima.

“Que vitória! Tudo isso com poucas trocas de palavras entre os participantes, nenhum descompasso. Reflete equipes bem treinadas e concentração no atendimento. Souberam integrar as ações, passagem de maca, preparação do ambiente para trânsito, tanto das equipes na chegada, assim como da maca com o paciente em direção a ambulância. Não se perdeu tempo. Ainda ouvi dele a beira da ambulância, ‘Eu já tô bem!’ Um dia especial! Já no carro, com os jantares empacotados, liguei pra minha esposa, também médica, relatei a vitória, ouvi dela ‘Pena não estar junto pra ajudar’, este é o sentimento”, destacou o Dr. Moris.

Sentimento este que é compartilhado pelo bombeiro voluntário. “A sensação é de dever cumprido, de ver que tudo estudo e treinamento vale a pena. Muitos nos perguntam ‘nossa vocês são voluntários, não ganham nada’, mas nada paga o valor de uma vida, de você poder ajudar alguém nas piores horas, o sorriso no rosto dos familiares a sensação de alívio. O homem que atendemos teve uma segunda chance de estar junto de quem ama. E isso não tem dinheiro que pague. Sou bombeiro voluntário com muito orgulho e amo que faço. Gostaria, também de fazer um agradecimento especial para o doutor Henrique, à equipe dos bombeiros de plantão, à equipe do Samu, e aos brigadistas”, finaliza Horongoso.

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