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A responsabilidade de um pai que também é mãe

Perder uma pessoa amada pode ser uma das experiências mais dolorosas na vida de alguém. E após a perda da mãe, pai e filha relatam os desafios da mudança da rotina e da relação

12 de agosto de 2018

Perder uma pessoa amada pode ser uma das experiências mais dolorosas na vida de alguém. Ainda mais se essa pessoa é o amor da sua vida e mãe da sua única filha. Essa é a história de Jair Chiste, de 56 anos, que desde 2014 é pai e mãe para sua filha, Larissa Caroline Chiste, hoje com 20 anos.

Quando passou o período de luto para os dois, começava a adaptação à nova rotina, na qual pai e filha só tinham um ao outro no dia a dia. “A adaptação a uma nova rotina é sempre muito difícil se você não tiver o apoio da família. Sempre me mantive forte, pois tinha uma filha adolescente e sabia que ela ainda precisava muito de mim e do meu apoio. A minha maior preocupação era como ela iria reagir sem a presença da mãe, pois havia uma ligação muito forte entre elas e eu não sabia como ela iria lidar com a situação”, relata Chiste.

Larissa e a mãe, Ivana Reni Volani Chiste, sempre foram muito próximas, e a adolescente, na época, sempre contava com a ajuda da mãe na maioria das tarefas do dia a dia, inclusive nas escolares. E, por isso, a maneira como Larissa iria reagir na escola após a perda da mãe foi uma preocupação do pai.

“Além disso, havia a preocupação com os estudos, porque ela poderia desanimar ou não se preocupar mais em se dedicar aos estudos. Mas graças a Deus isso não aconteceu, ela se manteve sempre muito forte, deu força pra toda família e, inclusive, pra mim. Hoje, já na faculdade, só nos enche de orgulho”, ressalta o pai.
Ele também comenta que a mudança no diálogo entre os dois foi a principal mudança após a perda da mãe de Larissa, justamente porque ela ainda era adolescente. “A nossa principal mudança foi saber lidar com o novo dia a dia, com os desafios que viriam pela falta da figura da mãe, a mudança no diálogo entre a gente, pois além de pai e filha, agora eu tinha também que fazer o papel de mãe. Tudo isso ajudou a nos fortalecer”, pondera.

Em como a maioria das situações de perda, Larissa e seu pai tornaram-se o motivo de força um do outro. Eles relatam que tinham um bom relacionamento antes, mas que, naturalmente, ficaram mais próximos. Inclusive, Chiste garante que não houve dificuldades quanto tomar decisões em relação ao futuro da filha.

“A minha filha já era adolescente e sempre foi muito responsável com tudo. A minha esposa também sempre se preocupou muito com a educação dela, o que tornou as coisas mais fáceis para mim e para ela”, revela Chiste.

Hoje, Jair Chiste pode se orgulhar do que construíram juntos, pois Larissa ingressou no curso de Medicina, na Furb, justamente para seguir uma trajetória parecida com a da mãe, que trabalhava na área no ambulatório da Netzsch. “Mesmo hoje com ela morando em outra cidade e fazendo um curso integral que exige bastante do tempo dela, fica difícil ficar muito tempo longe, a saudade sempre fala mais alto”.

Larissa, após tudo o que ela e o pai passaram, expressa a profunda gratidão e admiração que tem pelo pai, por tudo o que fez pelo seu futuro. “Meu pai se mostrou uma pessoa muito forte apesar de toda a situação. Ele foi aprendendo a lidar com essa nova rotina de uma forma natural e sempre disposto a fazer o melhor por e para mim. Tenho muito orgulho da pessoa que ele se tornou e sou imensamente grata por ter ele como meu pai e, além disso, um grande exemplo para minha vida”, destaca.

Chiste, porém, comenta que a tarefa de cuidar e zelar pelo futuro da filha não termina por aqui e assume o compromisso de continuar fazendo tudo o que pode pela felicidade dela. “Continuarei levando sempre com muita preocupação, a responsabilidade é sempre muito grande porque, afinal de contas, o que está em jogo é o futuro e a felicidade dela, nós pais sempre queremos o melhor para os nossos filhos”, finaliza.

 

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