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A história das famílias pomerodenses, entalhada em madeira

Escultor em madeira, de Pomerode, fala sobre o trabalho de resgate histórico, por meio da confecção de brasões familiares

19 de novembro de 2023

Foto: Isadora Brehmer / JP

A história de uma família, desde os tempos de reis e nobres, eternizada em belas peças de madeira. Este é o objetivo do escultor em madeira, Rui Knopf, ao se propor a trabalhar com a confecção de brasões familiares, esculpidos no material.

Rui comenta que o serviço de entalhe está presente em sua vida há cinco anos, inicialmente com quadros de flores e imagens. “A oportunidade de entalhar brasões familiares surgiu naturalmente e, aos poucos, comecei a receber mais encomendas. Cada vez mais a valorização da história das famílias vem crescendo em Pomerode”, comenta o escultor em madeira.

Tudo começa com o primeiro contato com a pessoa interessada em ter um brasão. “Normalmente, as pessoas já fizerem uma pesquisa prévia e encontraram uma imagem do seu brasão familiar. Porém, há famílias que têm mais de um brasão, então é preciso pesquisar mais a fundo a história da família”, explica.

O escultor em madeira também esclarece a origem dos brasões familiares. Brasão é uma condecoração concedida pelos reis com ganho de título ou terras. Então, segundo ele, antigamente, muitas famílias se dividiram em diversas regiões da Alemanha, na época em que o território era dividido em reinos. Algumas vezes, pessoas com o mesmo sobrenome recebiam brasões com diferentes elementos, de acordo com o feito importante que executaram para receber aquele brasão.

“Algumas famílias chegam a ter cinco brasões para o seu nome, então é preciso buscar de onde, exatamente, veio a família, para saber qual o brasão correto. O brasão é composto por elementos que, na época, tinham algum significado com o que quer dizer o nome, ou com o que a pessoa fez para recebê-lo. Outra curiosidade, é que somente a parte central é o brasão, ao redor, como soldados e ramos de flores são apenas decorações”, destaca.

Foto: Arquivo pessoal

 

Quanto ao tempo necessário para que um brasão fique pronto, Rui afirma que irá depender de uma série de fatores.
“O tempo de entalhe de um brasão depende dos detalhes que ele possui e o tipo de madeira que consigo utilizar, pois há alguns tipos de madeira bem mais resistentes. Um deles, por exemplo, que era maior e tinha mais detalhes, foram cerca de duas semanas. Mas já houve brasões que levei apenas cinco dias para terminar. Uma série de fatores influenciam”, frisa.

E como criou gosto pela coisa, Rui também já se adianta no trabalho de pesquisa, procurando a origem de famílias que conhece, por nome, de Pomerode, salvando as informações e os modelos de brasões, caso algum dia, quem faz partes destas famílias tiver interesse em ter um brasão.

“Aprendi muito também, graças a este trabalho com os brasões, principalmente em relação à origem dos nomes, como surgiram os segundos nomes, os sobrenomes, que passam de pai para filho. Por exemplo, sei que muitos dos nomes surgiram ou da profissão das pessoas ou do local de onde elas moravam”.

Foto: Isadora Brehmer / JP

 

Um dos moradores de Pomerode que buscou o trabalho de Rui Knopf para ter esta representação material da história de sua família foi o corretor de imóveis Ivan Lach.

Ele afirma que buscou um escultor que pudesse fazer este trabalho pois queria que o brasão fosse o “toque final” na restauração de uma casa enxaimel de sua família.

“A história do brasão eu já conhecia e estava há algum tempo procurando um profissional que fizesse o brasão, justamente para conciliar com a obra de reforma que estava fazendo na casa enxaimel da família, de 112 anos. A ideia era, assim que a casa fosse terminada, colocar também o brasão da família, para completar a obra. Então, conheci o Rui em um evento, por indicação de um amigo. Conversei com ele, fechamos o negócio e conciliou com o término do restauro na casa, tornando possível ter um pacote completo”, afirma.

Ivan e Rui com o brasão da família Lach. (Foto: Isadora Brehmer / JP)

 

Ivan também destaca a importância e a felicidade em ter este brasão finalizado, de forma tão caprichada e detalhista. “Foi muito importante para nossa família completar este resgate com o brasão, pois sempre gostei de estudar sobre a história dos meus familiares, de onde vieram, quem eram, como vieram para cá, onde se instalaram. Toda esta história tenho mapeada, após um estudo de anos. O brasão finalizado é a peça final, que coroou todo o trabalho de estudo que realizei ao longo dos anos”, enaltece o corretor.

Rui comenta, também, que se sente honrado por dar continuidade a um trabalho tão importante de resgate histórico, a exemplo de outros escultores em madeira, como um dos filhos do Sr. Erwin Curt Teichmann, que também trabalhava com brasões em madeira.

“Muitas pessoas ficam maravilhadas com o resultado final do brasão entalhado em madeira. Eu me sinto bastante orgulhoso por poder ajudar com o conhecimento que eu tenho destas histórias das famílias alemãs que vieram para cá. Ajudar as pessoas a entender o porquê de os brasões serem desta forma, a história por trás é muito gratificante”, finaliza.

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