Saúde

Um desafio que podemos vencer

Atualmente, quando se fala de DST, muitos se direcionam ao vírus da imunodeficiência humana, o HIV, devido ao seu maior impacto individual e no âmbito social. No entanto, dentre as DST, a sífilis vem novamente ganhando um grande destaque no cenário mundial, ocorrendo aumento da incidência de casos de sífilis recente, especialmente na população jovem sexualmente ativa.

1 de junho de 2015

Atualmente, quando se fala de DST, muitos se direcionam ao vírus da imunodeficiência humana, o HIV, devido ao seu maior impacto individual e no âmbito social. No entanto, dentre as DST, a sífilis vem novamente ganhando um grande destaque no cenário mundial, ocorrendo aumento da incidência de casos de sífilis recente, especialmente na população jovem sexualmente ativa.
A infecção pelo “Treponema pallidum” vem trazendo um problema adicional: ao afetar mulheres em idade reprodutiva, a sífilis tem a propriedade de infectar mais crianças por transmissão vertical do que o próprio HIV, determinando a Sífilis Congênita (SC). No ano de 2011, em Santa Catarina, foram notificados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), 110 casos de Sífilis Congênita, enquanto que o número de crianças expostas, que se infectaram com o HIV, chegou a 11 casos no mesmo período.
No Brasil, em 2010, e de acordo com o Ministério da Saúde, foram detectadas e notificadas 10.084 mulheres com sífilis (5 vezes a mais do que em 2005, ano em que se iniciou a notificação desses casos) e 6.677 casos de sífilis congênita.
Ao compararmos o tempo de existência e eficácia do tratamento da sífilis (cerca de 60 anos) ao de outras doenças “modernas”, é possível afirmar que ela é uma forte candidata ao controle clínico-epidemiológico. No entanto, sua erradicação não será possível, se comparada a outras enfermidades (a exemplo da varíola). Esta afirmação se deve principalmente em não haver disponibilidade de vacinas ou outro imunobiológico eficaz para sua prevenção, e sim se adotando práticas sexuais mais seguras. O avanço da epidemia da infecção pelo HIV nos prova o quanto é difícil à mudança de comportamento. Espera-se que o resultado das ações conjuntas de prevenção (uso de preservativos) e assistência (diagnóstico precoce e tratamento adequado) haja a redução do número de casos novos de sífilis. Mas, mesmo tendo acesso a estas medidas de controle, há mais recém-nascidos afetados por sífilis congênita do que qualquer infecção neonatal, incluindo o HIV, rubéola e tétano que atualmente recebem atenção mundial.

Onde está a falha?
Já é conhecido, há muito, que gestantes com sífilis não tratadas possuem até 40% de chances de terem os seus bebês mortos ou gravemente acometidos. As consequências da infecção congênita são severas e poderão determinar sequelas como: cegueira, surdez, retardo mental, má formações ósseas dentre outras. Devido à sua elevada transcendência, a doença é considerada um evento sentinela da qualidade da assistência à saúde, devido à eficácia do seu tratamento; que a existência de casos acima da meta estabelecida pelo Pacto pela Saúde/MS (1 caso/1000 nascidos vivos) denuncia uma grande falha na assistência pré-natal.
Desta forma, é unânime a opinião de especialistas em saúde pública em apontar a necessidade de abordar a sífilis e a sífilis congênita de forma mais pragmática e enérgica. É chegado o momento de não mais aceitarmos que uma infecção bacteriana que, ao acometer gestantes, poderá ser diagnosticada por meio de exames estabelecidos em protocolo de pré-natal, e que é curável com penicilina, um tratamento de baixo custo e acessível em virtualmente todas as unidades de saúde, ainda acometa tantas crianças em nosso meio. Lançar o desafio da eliminação da sífilis em nosso estado nos impele à observância das nossas práticas profissionais e à sensibilização para a gravidade da situação. Antes de tudo, refletirmos sobre a vulnerabilidade feminina às DST, suas implicações na sua saúde sexual e reprodutiva e ao direito a uma gestação saudável.

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