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Minutos que fizeram a diferença

Policiais utilizam manobras de desobstrução de vias aéreas, para salvar bebê engasgado, em Testo Rega

1 de agosto de 2021

Um dia que ficará marcado, para sempre, na memória dos envolvidos. Isso porque, na última sexta-feira, 23 de julho, um ato não muito comum no meio policial, fez a diferença para a pequena Maria Valenttina, de apenas 45 dias.

Por volta das 19h daquele dia, a guarnição da Polícia Militar de Pomerode, formada pelo soldado Everton Coradini e pelo cabo Anderson Stadtlober, atendeu a uma ocorrência, na Rua Gustavo Rauh, em Testo Rega. No local, a bebê estava engasgada com leite materno e sem conseguir respirar.

“Eu estava dando leite para a Maria Valenttina a coloquei para arrotar. Então, notei que ela começou a ficar roxa, com olhar fixo e sem movimentos de respiração. Neste momento, chamei o meu marido, que entrou no quarto para começarmos a fazer a manobra. E como ela não ‘voltava’, tomamos a atitude de ligar para a Polícia”, relata a mãe, Luana Hebbel.

O marido, então, acionou a Central Regional de Emergência (190), que logo orientou o pai a ligar, também, para o 192 do Samu. Por estarem na região próxima à residência, os policiais chegaram primeiro, cerca de dois minutos após a chamada. No local, Coradini e Stadtlober logo realizaram manobras de desobstrução das vias áreas, o que fez com que a criança voltasse a respirar, cerca de um minuto depois.


Foto: Bob Gonçalves

Com a chegada da equipe Bravo 11 do Samu de Pomerode, integrada pelo condutor socorrista Cleyton Eising e pelo técnico em enfermagem Maikon da Silva, a pequena foi avaliada e, em seguida, encaminhada ao Hospital e Maternidade Rio do Testo.

“No momento, a única coisa que eu pedia era para que Deus não a levasse, pois ela foi muito aguardada. Apesar da gestação difícil, ela é tudo na minha vida. Mas quando o socorro chegou, eu tive a certeza de que ela seria salva”.

Segundo os policiais, este tipo de ocorrência não é habitual no cotidiano deles. “Durante o curso, aprendemos a fazer a Manobra de Heimlich, só que em um boneco, o que é muito diferente. Mas, no fim, conseguimos realizar a desobstrução da melhor maneira possível”, destaca Stadtlober. “Os pais ainda tentaram fazer a desobstrução com o aspirador nasal, mas ela continuava sem respirar. Vimos o desespero da mãe, que nos entregou a criança, praticamente desacordada, quando iniciamos a manobra, primeiro o cabo Stadtlober e, depois, comigo continuando. Na sequência, percebemos que a bebê começou a respirar, para alívio de todos”, completa Coradini.

Ainda conforme Stadtlober, diante deste fato, não há como não aflorar fortes emoções. “Ver aquela mãe entregando sua filha para nós, como sendo a salvação dela, nos deu uma responsabilidade muito grande. E como os dois têm filhos, tivemos que encarar essa situação com muito mais vontade de ajudar aquela família.Para mim, foi a situação mais tensa que vivi dentro da polícia, pois se tratava de uma criança de 45 dias, nascida de 34 semanas. Mas Deus nos abençoou naquele momento e pudemos fazer o nosso melhor”.

Já para Coradini, essa não é uma situação nova. “Já vivi isso com meu filho, mas nada comparado do que aconteceu naquele dia. Foi algo emocionante.”

Emoção é o que não falta nas palavras de uma mãe, aliviada por poder ter a sua filha nos braços. “Eles não salvaram só a Maria. Eles salvaram nossa família. Não íamos conseguir viver longe dela. Não há dinheiro no mundo que pague o que eles fizeram pela gente. Agradeço muito a Deus e à Nossa Senhora Aparecida, mas se não fosse por eles, a Maria não estaria aqui. Eu entregar minha filha desacordada e eles a devolverem respirando, é algo que não tem preço. Eles serão, para sempre, os heróis para nossa filhinha”, conta Luana, muito emocionada.

Neste contexto, a recíproca é verdadeira. “Eu desejo muita sorte para a família e que esta criança venha a dar muita alegria a eles. E também, agradecemos aos pais por terem confiado no trabalho da Polícia Militar”, finaliza Coradini.

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