Profissionais incansáveis na área da saúde
Em meio ao pior momento vivido por nosso estado e região, em toda a pandemia, um ano após seu início, trabalhadores da saúde buscam fôlego para continuar tentando salvar vidas
Foram confirmados, no mundo, 120.505.974 casos de Covid-19 e 2.665.597 mortes. Em Pomerode, segundo a Secretaria de Saúde, já foram confirmados 4.080 casos confirmados Covid-19 e 42 óbitos deste o início da pandemia, sendo que 40% deles ocorreram em 2021, demonstrando o quanto estamos em um momento crítico da pandemia.
“Estamos em um momento de maior atenção, novas variantes do vírus circulando e, com isso, os cuidados devem ser redobrados, principalmente, por estarmos com os hospitais lotados e UTI’s com 100% de ocupação. Como região, Médio Vale do Itajaí, nos organizamos com a ampliação de leitos clínicos (enfermaria) e de UTI para atendimento da população, com a criação de 140 leitos exclusivos Covid e, ainda, a previsão de mais 17 a serem abertos – conforme informações da Secretaria Estadual de Saúde – e, no momento, com 257 leitos clínicos”, afirma a Secretária de Saúde de Pomerode Lígia Hoepfner.
Ainda segundo a Secretária de Saúde, também foram investidos recursos na contratação de profissionais de saúde para atuar nas unidades de saúde, tanto no atendimento de casos suspeitos e confirmados de Covid, quanto no monitoramento dos casos e realização da testagem. Foi ampliado o atendimento do segundo médico no pronto atendimento do HMRT para 24 horas e a Secretaria está, em conjunto com o Hospital, buscando equipamentos para o atendimento dos casos mais graves.
E quem está vivenciando, diariamente o drama do avanço desenfreado da doença, são os profissionais da saúde. Gisele Sens, gerente de enfermagem e assistencial do HMRT, enaltece o quão exaustivo e essencial é o trabalho nos hospitais, em meio à doença.
“Estamos passando por um grande desafio, mas também, estamos dispostos a enfrentar essa situação que nunca vivenciamos, com essa pandemia de Covid-19. Hoje, mais do que nunca, acredito que os profissionais que realmente gostam da profissão, ‘que são pessoas cuidando de pessoas’, permaneceram firmes nesta luta, onde não conhecemos o inimigo. Sabemos que toda essa pandemia gera apreensão, medo, angústia porque somos seres humanos.
Neste momento, a gente pensa muito antes de sair de casa para trabalhar, mas o cuidar do outro fala mais alto, somos fortes e fazemos o nosso melhor. Me pergunto, todos os dias, como faríamos sem os profissionais da saúde, principalmente da enfermagem, que cuida 100% dos pacientes, nosso trabalho não pode ser mecanizado, jamais! É um trabalho constante, árduo e de toda equipe. Neste momento, o trabalho de todos é importante desde a higienização, recepção, enfermagem e médicos. Claro que ficamos tristes pelos momentos longe da família, mas ao mesmo tempo, sabemos que neste momento o melhor é manter-se afastados de quem amamos. O que nos motiva é o prazer em trazer a vida, acalmar, acalentar e proporcionar os cuidados necessários ao paciente, é se sentir-se útil, fazer parte desta história, resumidamente, salvar vidas”, pondera.
Rodrigo Souza de Medeiros também é enfermeiro no Hospital e Maternidade Rio do Testo, há mais de sete anos, e embora seja um apaixonado pela profissão e pelo cuidado com os pacientes, ele revela que não tem sido fácil encarar a rotina em meio à pandemia.
“Todos os dias vamos para o hospital e temos que ver, conversar e amparar pacientes em estado crítico, com metade ou mais do pulmão comprometido. E estes pacientes estão conscientes, eles estão conversando e sentindo sua situação. Quando nos perguntam como está o prognóstico, e nós sabendo da situação complicada, não podemos mentir. Mas tentamos de todas as formas dar forças e pensar que tudo pode melhorar”, relata.
Um dos momentos mais complicados, segundo o enfermeiro, é sair do quarto de um paciente e ter que falar com os familiares, angustiados com a incerteza. Principalmente porque, de acordo com Medeiros, assim como uma hora o paciente apresenta melhora, outrora ele rebaixa e tem de ir para o “tubo”.
“Sentimos, neste momento, uma angústia, pois queremos que todos melhorem e cada um que tem de ir pra UTI parece que, inicialmente, perdemos a batalha. Outra situação, e que tem algumas pessoas que não acreditam, apesar de tudo que é falado e reportado, é a de que pacientes com Covid não ficam sozinhos no quartos, pois não há vagas suficientes. Esses pacientes que estão lutando veem outro paciente, que está no mesmo quarto, ter de ser levado para sala de emergência para ser intubado. Imaginem o que paciente que ainda está no quarto, e viu essa situação, se sente, com medo. Por isso, passou da hora de as pessoas se conscientizarem e se cuidarem, tomar as medidas de higienização mais a sério, higienizar as mãos. Pois ninguém merece passar por isso”, frisa.
O quadro crítico, nas UTI’s
Os médicos que atuam nos hospitais da região, principalmente nos que possuem as UTI’s destinadas a pacientes com Covid-19, precisaram se transformar em super-heróis, lidando com jornadas de trabalho estendidas e o risco altíssimo de contaminação.
O Doutor Rafael Amorim é Médico Intensivista da UTI Covid do Hospital Santo Antônio e revela que a sensação é de estar vivendo no limite. “Desde 2020, tivemos várias fases na pandemia. No início, era tudo muito novo e mais difícil por ser um vírus desconhecido, além de não estarmos tão sobrecarregados. Agora, desde o fim do ano passado, já temos sobrecarga de trabalho, às vezes fazendo o dobro do que normalmente faríamos em escala de trabalho”, relata o médico.
O profissional também afirma que, além do trabalho árduo e difícil que a área da saúde enfrenta, há, ainda, o medo da contaminação. “No início havia um medo muito maior do contágio, causando um estresse por esse receio do que poderia acontecer se contraíssemos a doença, somado à preocupação com a família, buscando se proteger ao máximo. As UTI’s já vinham com uma lotação considerável desde julho do ano passado, quando houve um pico da doença. Mas naquele momento havia mais equipe, com o psicológico ainda menos abalado. E desde lá, a nossa exaustão aumentou e a equipe diminuiu, com médicos se afastando pelo excesso de estresse, ou mesmo, pela Covid. Tivemos aumento de pacientes nas enfermarias, o que reflete diretamente nas UTI’s e estamos fazendo o máximo para que os pacientes se recuperem o quanto antes, para liberarmos os leitos para novos pacientes. Estamos sempre no limite, sem o mínimo de margem para trabalhar”, enaltece Amorim.
Porém, o médico enxerga a esperança com o início da vacinação no país.
“A Covid-19 é uma doença grave, que afeta também as pessoas jovens. Nós vemos muitos pacientes jovens na UTI, com saúde, que evoluem para um quadro grave. Alguns, infelizmente, também vem a falecer, o que só ressalta a gravidade desta doença. A vacina vem para vencermos estes casos mais graves, diminuindo as internações e, por consequência, as mortes pela doença. Sabemos que ainda há um longo caminho e continuaremos com o nosso trabalho da melhor forma possível”, garante.
Em meio à situação crítica da pandemia, Lígia enaltece que os cuidados, mais do que nunca, devem ser adotados, para proteger a si a à sua família. É preciso manter o distanciamento social, o uso de máscara (cobrindo nariz e boca e bem aderida ao rosto) e higiene. E, mesmo com o início da vacinação, todos os cuidados devem continuar, mesmo para quem já foi vacinado.
“O isolamento social, a vacinação e a testagem com rastreamento são as ferramentas mais eficientes no combate ao coronavírus. Portanto, temos realizado ações no sentido de aumentar o isolamento social, como campanhas de conscientização, fiscalização e publicação de decretos, campanha de vacinação de maneira ágil e o contínuo investimento na testagem dos casos sintomáticos e rastreamento dos contatos. A vacinação em massa é a principal aposta para acabar com a pandemia, mas o ritmo no Brasil ainda está lento. É de extrema importância que as pessoas dos grupos prioritários venham se vacinar. As vacinas, neste momento da pandemia, são para diminuir o agravamento da doença e os óbitos, mas para que isso ocorra, é necessário adesão da população a vacinação. Não devemos subestimar o vírus e o cuidado deve ser coletivo. Temos muito ainda a aprender com a pandemia e sobre o coronavírus, mas o maior ensinamento desta pandemia é termos empatia e pensarmos na coletividade”, ressalta a secretária.
