Perfil: O maior desafio é trocar a cultura de que segurança pública é um gasto
O Tenente Coronel Jefferson Schmidt, de 51 anos, mudou-se para Santa Catarina aos oito anos de idade
Gaúcho, natural de Porto Alegre, o Tenente Coronel Jefferson Schmidt, que irá comandar a 7ª Região de Polícia Militar de Santa Catarina, tem 51 anos e mudou-se para Santa Catarina aos oito anos de idade. Sua carreira na PM começou aos 21 anos, quando fez o Curso de Formação de Oficiais. Schmidt possui formação acadêmica na área de segurança, com pós-graduação em segurança pública, direito civil com mediação para arbitragem no Mercosul, pós-graduação em psicologia do esporte, e trabalha também como árbitro de futebol. Hoje é, ainda, acadêmico de psicologia.
Como começou sua carreira na PM?
Após concluir CFO, fui trabalhar em Chapecó. Era para eu ter vindo para Blumenau, mas por questões administrativas, toda a minha turma foi para o oeste. Em Blumenau estou desde o ano de 2016. São quase cinco anos no comando do batalhão de Blumenau, que é muito importante para o estado, pela população, riquezas que abrange, todas as matizes econômicas, além de ser cortado pela BR-470, que é dorsal para desvio e transporte. Muita coisa passa por aqui, por isso a PM tem que estar atenta.
Depois de quase cinco anos, qual o sentimento agora, deixando o comando do batalhão?
Me sinto muito feliz, porque não temos uma mácula no trabalho, nenhuma crítica negativa, além das esperadas, pelo padrão que adotamos de serviço. Fizemos parceria boa com a comunidade, fortalecemos os CONSEG’S, fortalecemos as redes de vizinhos, passamos a ser um estado referência neste projeto, tínhamos 100 quando cheguei e hoje temos 580. Somos referência na Rede Catarina, na qual atendemos cerca de 500 mulheres, sendo que quase 300 têm medidas protetivas vigentes a favor delas e contra os agressores, nas quais a PM faz o acompanhamento através de visitas às mulheres e de vigia a estes homens, para que eles não se sintam fiscalizados e se reincidir na violência contra a mulher. Renovamos a frota do batalhão, todas as viaturas têm condições de trabalhar na cidade de Blumenau, ajuda a ter um trabalho de qualidade.
Falando sobre segurança pública, qual o maior desafio hoje?
São muitos. O maior é trocar a cultura de que segurança pública é um gasto, sendo que, na verdade, é investimento. Quando alguém começa alguma obra, da sua residência, não começa colocando o alarme ou cerca elétrica, mas sim começa pelo alicerce, e isso é custo. Quando termina a casa, é que irá se preocupar com a segurança, que é investimento. E é isto que a população e os governantes têm que entender, que segurança pública não é custeio, é investimento. Também temos que mudar conceito sobre ordem pública, hoje temos uma desordem pública, que é aceita pela população, pelo entendimento de que é normal. Perturbação, por exemplo, há determinadas formas que as pessoas aceitam, quando na verdade não deveriam aceitar, porque quebra a ordem e pode desencadear outras coisas, que podem evoluir para outras coisas.
Qual a expectativa para o novo desafio, que é o comando da 7ª Região?
A 7ª região é uma coisa mais tranquila. Desafio gigantesco, porque a responsabilidade dela abrange 44 municípios, incluindo Blumenau, onde estou. Mas a parte do comandante, é mais estratégica, é de buscar recursos, fazer planejamentos a nível regional, que sejam desencadeados da melhor forma possível, com condições de trabalho para os batalhões que fazem parte. Seremos sempre um elo entre os comandos de batalhão, batalhão, com o comando geral e o governo.
E o que representa Pomerode na sua trajetória?
Pomerode volta a estar sobre os meus domínios, porque já foi anteriormente. Tenho um carinho muito grande por Pomerode, porque a cidade irmã, na Alemanha, Greifswald, é o berço da minha família, a origem dela. Meus bisavós e tataravós nasceram lá e estão enterrados lá. Então tenho um elo muito forte com Pomerode, por ser a coirmã de Greifswald.
Como você avalia a relação da Polícia Militar com a comunidade?
Eu acho que foi um sucesso aqui em Blumenau e acho que pode ser um sucesso também na região, com essa aproximação, principalmente através da imprensa, que é o elo mais forte hoje, para alcançar uma gama maior de pessoas, com o menor tempo possível. Isso é importante para a Polícia Militar, porque, da mesma forma que é chamada para atender urgências, também precisa repassar orientações de forma urgente. Não adianta tentar repassar uma informação em uma cidade ou região e as pessoas só saberem dali a um mês, quando está ultrapassado.
Um livro
A arte da guerra
Um filme
O Feitiço de Átila
Um time
Grêmio
Um momento inesquecível
Nascimento dos meus filhos
Uma comida
Cachorro-quente
Uma palavra que te define
Destemido
Uma viagem
Gramado
Um desejo
Retribuir a Blumenau o que ela me deu
Uma frase
Até a pé nós iremos, para o que der e vier
Ser comandante da PM é:
Realização profissional.
