Há 150 anos, formando cidadãos para o mundo
Escola Básica Municipal Olavo Bilac completa um século e meio de história, fazendo parte da história de várias gerações
A qualidade do ensino como prioridade ao longo dos anos. Este tem sido o principal objetivo da Escola Básica Municipal Olavo Bilac, que, nesta semana, em 02 de outubro, completa 150 anos de história, figurando como a mais antiga de Pomerode e uma das que existe há mais tempo no Vale do Itajaí.
Foi no ano de 1870, alguns moradores fundaram, construíram e inauguraram a escola, então denominada “Deutsche Schule” de Testo Central, tendo como primeiro professor Ferdinand Hackbarth.
Em 02 de outubro de 1935, a escola comemorou 65 anos de existência com festividades e desfile. Em 1936 sofreu alteração em seus estatutos, passando a ser Escola Municipal de Blumenau. Em 1937, assume o Sr. Erwin Curt Teichmann, que deu grande valor à Educação Física, métodos agrícolas e outros. Foi o primeiro professor a introduzir o ensino em português. Aproximadamente em 1940, a escola recebeu como patrono “Olavo Bilac”.
Lugiana Gehlen iniciou seus estudos na escola aos oito anos de idade, estudando por três anos. Logo depois, precisou deixar a escola para trabalhar, assim como muitas crianças naquele tempo. Na época, havia três turmas na instituição e todos os alunos estudavam juntos. “Lembro que tínhamos um professor muito bravo e, naquela época, havia castigos para os alunos, como ficar ajoelhado no milho, para quem não ia bem nas aulas”, comenta.
A escola foi fundada graças ao esforço dos seguintes moradores: Friedrich Arndt, Karl Berner, Karl Borchardt, Karl Dreger, Gottlieb Enke, Karl Fischer, Karl Glatz, Eduard Hartmann, Wilhelm Hein, Fritz Karsten, Karl Koch, Hanz Kröger, Julius Lach, Wilhelm Lümhke, Wilhelm Radünz, Fritz Rux, Karl Siewert, Wilhelm Siewert, Johann Steinert, Gustav Storch, Wilhelm Rusch, Karl Weege, Ernst Wegner e Michel Würdt. Estes nomes, mais o do primeiro professor, estão registrados em uma placa criada quando a escola comemorou 65 anos, em 1935.

(Foto: Arquivo Escola Olavo Bilac)
Na década de 1950, antes mesmo de Pomerode ser um município, Cecília Siewerdt também já estudava no local que hoje é a Escola Olavo Bilac. Conversando com a nossa equipe, ela exibiu o boletim escolar do ano de 1953 e falou sobre as memórias daquele tempo.
“A escola, na minha época, tinha poucos alunos, divididos em duas classes, de manhã e à tarde, mas havia apenas uma professora. Era difícil alcançar notas altas, principalmente para quem não sabia o português, como foi o meu caso. Não podíamos falar alemão e fomos aprendendo, aos poucos. Me recordo que, no fim do ano, vinha um inspetor do estado para a escola e aplicava um exame. Como não entendíamos muito do idioma, tínhamos certo medo. Mesmo assim, gostei muito de estudar lá, pois em Indaial, onde estudei antes, era muito no interior, e aqui havia mais alunos e a nossa professora era mais experiente”, conta Cecília.

Cecília (sentada), com a filha, Carmen, o bisneto, Pietro e a neta, Vanessa, representanto as quatro gerações a estudarem na EBM Olavo Bilac. (Foto: Raphael Carrasco / Jornal de Pomerode)
Quem também se recorda dos tempos em que tudo era diferente é Edith Rusch, de 91 anos, que estudou na Escola Olavo Bilac quando as aulas ainda eram na antiga construção enxaimel.
“Os professores eram bem rígidos e tínhamos que respeitar. Minha professora era dona Nila Batista. Nós tínhamos que fazer muitas contas, sempre fazer os deveres, mas para mim não era difícil, eu estudava muito, eu não apanhava e gostava da minha professora. Em casa falávamos só o alemão e na escola precisávamos falar português, pois a dona Nila não falava alemão, apenas português. Era bem difícil, mas aprendemos e depois foi ficando mais fácil”, relembra Edith.
A antiga escola, em estilo enxaimel, estava em condições muito ruins, sendo então construídos, em 1952, uma nova sala, banheiros e residência do professor. Durante o tempo da construção, os alunos tiveram aula no antigo Salão Koch. Em 1959, a comunidade solicitou uma nova sala de aula, devido ao excesso de alunos, pois já estava funcionando um turno intermediário.
No mesmo ano, em 21 de janeiro, com a criação do município de Pomerode, a escola passou a ser denominada “Escola Municipal de Pomerode”. Durante a gestão do prefeito Ralf Knaesel, foi demolido o antigo prédio e construídas duas novas salas de aula com galpão coberto e banheiro. Em 04 de outubro de 1970 foi inaugurado o “Jardim de Infância Professora Waltrud Siewerdt”, anexo à escola.
Carmen Raduenz, filha de Cecília, foi aluna da escola Olavo Bilac na década de 70. Apaixonada por desenho na infância, ela relembra, também a dificuldade com o aprendizado da língua portuguesa. “No meu tempo, o que marcou era a dificuldade de aprender o português e também tínhamos apenas quatro anos na escola. Éramos colocados na escola, por vezes um ano antes, para irmos aprendendo, mas muitos repetiam no primeiro ano pela dificuldade em aprender o português. Na escola havia apenas quatro salas, com muitos alunos e uma professora para cada turma”, relembra.
Outra memória marcante sobre a escola inclui as brincadeiras nos horários livres e o uniforme diferente da época. “Na hora do recreio, nós gostávamos de brincar de roda, as meninas usavam saias e tínhamos a logo da escola bordada na blusa e me recordo de nos sentirmos bonitas com esse uniforme. A escola teve muita importância na minha vida, se sei ler e escrever, foi graças a escola, agregou ao meu ser, me ajudou em meu desenvolvimento e a ser uma pessoa melhor do que eu era. Sinto muito orgulho em fazer parte desta escola”, ressalta.

(Foto: Arquivo Escola Olavo Bilac)
Em 1979, iniciou a construção de mais de quatro salas de aula, objetivando a complementação do 1º grau. Em 1981, houve mais acréscimos e reformas: instalações sanitárias, sala de professores, secretaria, biblioteca, sala de estudos e uma cozinha nova. Em 09 de outubro de 1983 foi inaugurada a quadra polivalente, marco que foi relembrado por Charles Gehlen, filho de Lugiana.
“Foi muito bacana ter estudado lá, há quase 40 anos. São tantas lembranças boas que guardamos no coração, várias alegrias, do que aprendemos com os professores, lembramos deles com carinho. Eu me recordo que na minha época foi construída a primeira quadra de cimento, antes disso era na brita, o que foi uma conquista e é gratificante ver a quadra coberta hoje, com mais estrutura para os alunos”.
Elfi Rusch Steinert, comenta que a escola evoluiu muito nos últimos anos e fala também sobre o orgulho do neto, Cristian Steinert, que hoje é professor na instituição. “Aprendíamos ‘na marra’, os professores eram rígidos, mas aprendemos muito. Hoje em dia é tudo tão bom, tão prático, antigamente era mais difícil estudar, os professores, como eu disse, eram rígidos, mas nós os respeitávamos muito, também. É muito bom voltar lá às vezes, ver como tudo mudou, e visitar meu neto, que agora é professor, me dá muito orgulho”, enaltece.

Cristian H. Steinert, Alexandre Steinert, Elfi Rusch Steinert e Edith Rusch também representam quatro gerações de uma mesma família a estudarem na instituição. (Foto: Raphael Carrasco / Jornal de Pomerode)
Em 09 de julho de 1995, foi inaugurada a nova sala de professores, biblioteca e secretaria; e, em 1997, a nova cozinha, refeitório, galpão, depósito, escovódromo e gabinete de dentista. Em 1998, a escola termina a construção da quadra de areia e, em 15 de dezembro de 2000, foi inaugurada a quadra coberta.
Da história mais recente, uma das personagens foi Vanessa Raduenz, neta de Cecília Siewerdt, que estudou na Escola Olavo Bilac a partir do ano de 1987, onde permaneceu até concluir a oitava série. Uma de suas principais recordações relacionadas à escola Olavo Bilac é a sua constante evolução, que Vanessa pôde presenciar em seu tempo como estudante.
“A escola estava sempre em construção, era o período em que a estrutura estava sendo aprimorada, por exemplo com o prédio antigo do jardim de infância, que foi demolido. Me lembro de ter ficado um dia de castigo, porque uma professora me viu subindo em uma pilha de tijolos, depois da demolição. As brincadeiras são memórias fortes para mim. Lembro de brincar de amarelinha, de clicas e da moda de colecionar papel de cartas, com meus amigos”, comenta.
Vanessa também ressalta que considera algo incrível ter tido a oportunidade de presenciar a evolução do local, acompanhar o quanto a escola cresceu ao longo dos anos. E, agora, ela fala com orgulho sobre o filho Pietro Pereira, que também é aluno da Escola Olavo Bilac.
“Por muito tempo eu escutei histórias da minha mãe e da minha avó, sobre seu tempo estudando na escola Olavo Bilac e sinto orgulho por ter estudado no mesmo lugar que elas. Levar o Pietro na escola também é muito satisfatório, sabendo que convivi naquela escola e ainda mais quando ele pega os livros na biblioteca, pois alguns foram doação da minha madrinha, Crista Siewerdt à escola, é muito gratificante ver o legado dela ali. Tem pessoas que menosprezam o ter estudado em escola pública, mas vejo que as escolas de Pomerode, públicas, são as melhores da região. Faço questão de meu filho estudar em escola pública e digo com orgulho que também estudei”, enaltece.
Alexandre Steinert é o membro da terceira geração da família Rusch Steinert a estudar na escola. Filho de Elfi Rusch Steinert, Alexandre estudou na Olavo Bilac da primeira a oitava série e comenta o quanto a época foi boa.
“Era ótima a escola, havia muito respeito pelos professores, sempre, e eu tinha muitos amigos. Nos primeiros anos, com certeza, tinham as travessuras e os professores continuavam rígidos. Uma vez estava conversando com um amigo, enquanto a professora dava aula e, então, ela pegou a minha régua e bateu na mesa, eu nunca mais fiz aquilo de novo. Mas a escola com certeza é muito boa, muito importante, pois a nossa região cresceu muito, há muitas crianças e é ótimo ter essa escola maravilhosa”, destaca Alexandre.
Katrien Gehlen, neta de Lugiana, também teve sua formação no ensino fundamental na Escola Olavo Bilac e ressalta o carinho que sempre sentiu pelos professores. “Lembro de minha professora, Iara, e do carinho por ela, assim como os demais professores, alguns dos quais estão até hoje na escola. Também penso com carinho nas festas que sempre temos, por exemplo a festa junina, em que todos participavam, trajados, sem vergonha de se vestir de caipira, de brincar. Outra recordação é de barranco de uma casa que havia ao lado da escola. Lá morava uma senhora, e o mato no barrando era fechado, com barro. De vez em quando ela andava ali atrás, e as pessoas na escola falavam que morava uma bruxa, para ficarmos com medo e não ir lá. Era muito engraçado”, conta.
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Charles, Katrien, Gustavo e Lugiana são os membros da família Gehlen que estudaram na Olavo Bilac. (Foto: Raphael Carrasco / Jornal de Pomerode)
Hoje, ela fala com orgulho do filho, Gustavo Gehlen, que também é aluno da escola, a quarta geração da família a estudar no local. “Preferimos que ele estudasse na Olavo Bilac, porque conhecemos a estrutura e os professores, alguns com quem também tive aula. É bem bacana, gostoso, é onde nos sentimos à vontade, porque conhecemos a estrutura, os espaços e as pessoas. O Gustavo pode até ter algumas mesmas experiências ele está em um lugar bom, passando por boas mãos, com boas pessoas”, destaca.
Mãos que escrevem a história
Os muitos alunos da comunidade de Testo Central e de Pomerode puderam ter uma experiência riquíssima ao serem alunos da Escola Olavo Bilac também devido à equipe que trabalha diariamente para manter a qualidade dos serviços prestados, do serviço de limpeza à diretoria. E muitos destes funcionários já passaram pela escola em outras oportunidades, como alunos.
A professora Gisela Elisabeth Ewald, de 52 anos, que construiu boa parte da sua carreira profissional na Olavo Bilac, foi também integrante da primeira turma formada na instituição. “Eu fiz o magistério, voltei depois para dar aula no jardim de infância, saí novamente e retornei, como professora. Na época em que estudei aqui, fiquei em uma turma pequena, com apenas 14 alunos. Então houve desistências, reprovações e, por fim, nos formamos com seis alunos. Foi muito bom, pela convivência, pelas experiências. Meu filho, depois, também estudou aqui”, conta a professora.
A formatura foi o momento descrito por Gisela como um dos mais marcantes de sua trajetória na Escola Olavo Bilac, assim como a homenagem recebida em sua aposentadoria. Para a professora, a união da equipe é um grande diferencial. “A escola é coração, gosto muito e sou muito feliz aqui, a Olavo Bilac é a minha escola do coração. Tenho muito amor pela equipe e pela instituição, trabalhamos em uma equipe muito unida, somos uma família e é maravilhoso podermos comemorar juntos”, enaltece.
Susan Juliete Piske Soares, professora do 4º ano e integrante da equipe há cinco anos, também é ex-aluna e destaca a experiência como enriquecedora.
“A volta para a Escola como professora tem sido muito boa, muita rica, de muito aprendizado. Eu aprendo muito com os professores que estão há mais tempo, tem sido enriquecedor, pessoal e profissionalmente. Além disso, é muito especial, pois fui aluna, desde o cinco anos estou na escola e fiquei até o fim do fundamental, e agora posso trabalhar com os meus professores, e aprender ainda mais com eles”, afirma.
Cristian Steinert, representante da quarta geração da família Steinert a estudar na Olavo Bilac, é professor desde o início do ano. Cristian comenta que estudou a vida toda na Olavo, desde os cinco anos até completar o ensino fundamental.
“Conquistei uma admiração grande por meus professores durante meu tempo como aluno. Tenho certeza que minha trajetória fez com que me tornasse professor, foram meus mestres que me incentivaram, me inspiraram a seguir nesta profissão. Eu tenho uma gratidão enorme, carreira profissional aqui, família toda estudou aqui e tive a satisfação de começar a trabalhar aqui. Parece que a ficha ainda não caiu, até pela questão da pandemia. É uma emoção muito grande fazer parte da equipe. No primeiro dia encontrei meus professores, meus mestres, o que foi muito emocionante e sempre vou considerá-los meus mestres e, com isso, também cresce a responsabilidade, para que tenha orgulho de mim”.
Ainda, a vontade de trilhar um caminho de sucesso na Olavo Bilac é maior para Cristian, já que ele é a continuidade de um legado de gerações de sua família na escola. “É uma responsabilidade maior, pois além das famílias Rusch e Storch, ainda tem a Steinert e a Rahn, que tiveram integrantes como fundadores. Toda minha família fez parte dessa história e eu continuo esse legado, é uma grande responsabilidade”, conta.
A secretária da Escola, Cátia Hackbarth Kienen também tem uma relação ainda mais profunda com a história da instituição, já que é trineta de um dos fundadores e tataraneta do primeiro professor da Olavo Bilac, Ferdinand Hackbarth. Sua família também teve vários membros como estudantes na escola.
“Comecei em 1982, como aluna, na educação infantil, e estudei durante o ensino fundamental todo aqui. Quando me formei, ainda vinha fazer atividades na biblioteca, e desta forma adquiri experiência. Quando a funcionária saiu, assumiu o cargo de responsável pela biblioteca e depois como secretária. Tudo isso soma 25 anos na escola e meus filhos também estudaram aqui. O sentimento é de amor, orgulho em fazer parte, saber desta história de gerações passadas, é muito gratificante”, declara.
Roseana Buettgen Fischer, atendente de biblioteca, atua na escola desde o ano de 1998. Ela também foi aluna na instituição, assim sua mãe e filhos estudaram na Olavo Bilac.
“A gente trabalha muito com incentivo à leitura e faço o registro histórico da escola, documento estes registros. Quando a escola fez 130 anos, fui ao arquivo de Blumenau e consegui vários registros, que hoje estão guardados aqui. É muito gratificante fazer parte desta história, escola é como uma segunda casa, a gente mora na comunidade, conhece todas as pessoas e, inclusive, vejo os filhos dos alunos que estudaram aqui quando comecei, e é ótimo ver esse ciclo”, enaltece Roseana.
A diretora atual da Escola Olavo Bilac, Joana Wachholz, iniciou sua trajetória na instituição em 1998, na área de Educação Física. Em 2002, foi convidada a assumir a direção da escola e, desde o início, foi recebida como um membro da comunidade.
“Tudo começa quando é bem acolhido ao chegar, desde o início, quando cheguei, fui muito bem tratada. Aqui pude aprender o que é ter uma segunda família, é ambiente bom, e os alunos correspondem às nossas expectativas, vêm com ânimo. Eu agradeço por ter tido a chance de acompanhar o crescimento da escola. Quando cheguei, a escola tinha cerca de 560 alunos, e nestes anos houve crescimento de estrutura, pessoal, e vários projetos novos, que se destacaram”, comenta Joana.
E para o futuro, a intenção é manter a qualidade do ensino oferecido, para formar novos cidadãos responsáveis e conscientes.
“Eu tenho a consciência tranquila de ter oportunizado o melhor aos alunos, em cada etapa. Nosso objetivo é promover o crescimento, formação, fazendo que com se sintam felizes, que tenham prazer em vir à escola, que saiam bem preparados para seguir a trajetória que eles escolherem”, finaliza a diretora.
