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A delicadeza da pintura em porcelana

Arte é mantida em Pomerode, com artista que domina e ainda pratica a técnica

6 de setembro de 2020

Uma manifestação artística que resiste ao tempo e ainda encanta pela delicadeza em seus traços. A pintura em porcelana já foi muito popular na cidade com diversos artistas que se dedicavam a esta produção. Mas com o tempo, cada vez menos pessoas aderiram à pintura em porcelana e, hoje, são poucos os artistas que ainda dominam esta técnica.

Uma destas remanescentes é Joana Wachholz, de 43 anos, que ainda trabalha com a pintura em porcelana. O seu amor pela arte e pelo trabalho com cores e desenhos foi o primeiro passo rumo ao aprendizado da técnica, quando tinha apenas seis anos de idade.

“Eu adorava tudo que envolvesse cores e gostava desenhar e colorir na escola. Então meus pais me inscreveram na aula de pintura em porcelana, porque na época era um destaque e economicamente rentável, devido ao turismo. Tive aulas, inicialmente, com a professora Ursula Bahr, depois com a professora Dorita Campestrini e, por fim, com a professora Rosita Jung”, enumera.

 

 

Foram cerca de 15 anos aprendendo e aperfeiçoando sua técnica que, no início, era apenas uma forma de desenvolver sua veia artística, fazendo algo que lhe despertava interesse. Mas com o tempo, o hobby se transformou também em uma fonte de renda.

“Depois deste tempo aprendendo e treinando, quando comecei a me sentir autossuficiente, eu e minha família começamos a comercializar as peças e, inclusive, criamos uma loja de artesanato, aqui em nossa casa”, conta.

Os principais trabalhos são em peças menores, como pratos e canecas, com retratos da cultura de Pomerode. As peças são muito procuradas por visitantes de fora da cidade, que desejam uma lembrança de seus momentos em Pomerode. Além disso, a artista também faz peças sob encomenda, principalmente para comemorações, como aniversários e bodas, por exemplo.

 

Hobby na pintura em porcelana virou uma fonte de renda alternativa. (Foto: Isadora Brehmer / Jornal de Pomerode)

“Quando comecei a vender as minhas peças, era a época em que foi criado o slogan A Cidade Mais Alemã do Brasil, do prefeito Eugênio Zimmer e do secretário Francisco Canola Teixeira. O artesanato estava ganhando mais destaque e locais para venda da produção dos artesãos locais, e eu tive a oportunidade de vender algumas de minhas peças no Portal Sul, já naquela época”, relata Joana.

A pintura em porcelana exige delicadeza nos traços e firmeza nas mãos, por isso é necessário tanto tempo de aprendizado e aperfeiçoamento. Para pintar, Joana utiliza uma tinta em pó, combinada ao óleo, que colore os traços do desenho escolhido. Depois de finalizada, a peça de porcelana precisa ser queimada, o que é feito em um forno industrial, específico para porcelana e cerâmica.

As peças maiores de porcelana, como pratos mais detalhados, ou vasos, por exemplo, levam cerca de uma hora para ficarem prontas, enquanto peças menores precisam apenas de cerca de 20 a 25 minutos. O processo mais demorado é o de queima no forno, para a secagem da peça. Joana enaltece que a queima é essencial para a manutenção da pintura, pois não há outra forma de secagem da tinta.

 

(Foto: Isadora Brehmer / Jornal de Pomerode)

 

“A principal diferença para outras técnicas de pintura é a leveza maior na hora de fazer os traços. A mão deve ser muito mais leve, sem perder a firmeza, para que os traços sejam delicados, mas marcantes e precisos. Para o trabalho de pintura em porcelana, utilizamos tinta em pó, misturada ao óleo, específica para superfícies lisas. O primeiro passo é fazer o traçado do desenho que será ilustrado, com uma caneta especial, depois, é pintado o desenho, conforme a criatividade do artista e, então, a peça é levada para a queima no forno”, explica Joana.

Outra diferença para outras formas de arte é que, uma vez que a peça é começada, ela deve ser finalizada no mesmo momento, sem interrupções em seu processo de pintura. “Por isso, já não tenho mais tanto tempo para me dedicar à pintura, pois é necessário tempo para ela. Com as obrigações profissionais, a pintura em porcelana tornou-se mais um hobby, uma tarefa para momentos em que há mais tempo livre.

Hoje, Joana é uma das únicas artistas que domina a técnica da pintura em porcelana e ainda permanece trabalhando com ela. “Com o tempo, muitas pessoas na cidade foram deixado de se dedicar à arte, então eu adquiri, destas pessoas, matéria prima e peças, de quem foi parando. Hoje tenho um bom estoque de materiais, que me garantem continuar produzindo esta arte”, ressalta.

 

Peças são queimadas em um forno industrial específico para porcelana e cerâmica. (Foto: Isadora Brehmer / Jornal de Pomerode)

 

Por fim, Joana agradece aos pais pelo investimento feito em si, para que aprendesse a técnica. “Sou muito feliz por ter aprendido a pintar em porcelana, porque é algo que, inclusive, já me ajudou financeiramente e, também, é uma terapia. Além disso, me sinto muito bem em atender a quem busca um presente ou uma lembrança única, que simboliza o carinho em querer presentear alguém com algo especial”, frisa.

 

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