Dedicação integral ao bem maior
Enfermeiras e funcionárias falam sobre o trabalho no HMRT, ao longo dos anos
A história do Hospital e Maternidade Rio do Testo, ao longo de seus 100 anos, foi escrita por meio de muitas mãos, nas mais diversas profissões que integram o quadro de funcionários da instituição.
Na matéria anterior da série especial dos 100 anos do HMRT, conversamos com os médicos da instituição, sobre sua participação na história do local e, nesta edição, conversamos com mulheres que, cada uma em sua ocupação, contribuíram com o crescimento e desenvolvimento do HMRT, ao longo dos anos.
Elise Raasch é técnica de enfermagem no HMRT. Sua relação com a instituição começou em 1983, quando recebeu uma visita da Schwester Anita Guenther, com um convite especial. “Lembro de quando a Schwester Anita foi de lambreta à casa dos meus pais para nos ver, e disse que eu e minhas irmãs seríamos muito boas ‘schwester’, mas na época tive que esperar para poder começar a trabalhar no Hospital”, conta Elise.
Ela iniciou a sua trajetória no HMRT em 10 de dezembro de 1987, atuando primeiro na ala da maternidade, onde ficou até 1990. “Então fui para a clínica médica e, na época, me disseram que estava preparada para atender o no pronto-socorro, onde fiquei até recentemente. Depois passei para a pediatria e agora estou na ala da clínica médica”, afirma.
A técnica em enfermagem fala com carinho sobre as memórias vividas com a Schwester Anita, da época em que foi interna na instituição. “O convívio com a Schwester Anita era muito bom e tenho muita saudade. Vivíamos aqui porque éramos internas, então ela se tornou uma segunda mãe, já só íamos a cada 14 dias para casa. Uma história engraçada foi quando fomos sem avisar a ela ao X do Gordo e ele nos perguntava a todo o momento se tínhamos avisado que estaríamos ali, até que ela apareceu lá e nos viu. Depois de comermos, ela conversou conosco sobre o acontecido e sempre que voltávamos à lanchonete ele brincava conosco sobre o que aconteceu”, relembra Elise.
Sobre a motivação para continuar dando o seu melhor para a instituição, Elise afirma que o segredo para o sucesso é o amor pelo que faz.
“Trabalho com amor e acredito que isso me fez ficar tanto tempo, esse gosto por cuidar das pessoas, desde que meu pai adoeceu. Me doei tanto à profissão que deixei de ter a minha própria família, ás vezes faz falta, mas ao mesmo tempo eu tive uma grande família, aqui no Hospital. Para quem está iniciando nesta caminhada, meu conselho é que tenham certeza, ao escolherem a enfermagem, de que amam a prática, amam cuidar das pessoas, não com outro objetivo. O amor precisa ser a base e sem ele não iria funcionar, além de muita paciência. Repito um conselho que a Schwester Anita nos dava: ouçam mais e falem menos, pois foi por isso que Deus nos deu apenas uma boca e dois ouvidos, e sempre levei isso comigo”, enaltece.

(Foto: Arquivo HMRT)
A pomerodense Asta Krahn Klotz também é enfermeira do HMRT e foi pupila da Schwester Anita. Na instituição há 40 anos, ela conta que começou a atuar no Hospital com apenas 16 anos. “Meus pais queriam que eu trabalhasse no hospital, então vim com 16 anos e fazia de tudo, como interna, por nove anos. Fui auxiliar, depois comecei a estudar, fiz segundo grau e técnico. No nosso tempo como internas, a convivência com a Schwester Anita era muito boa. Lembro de que nos reuníamos à noite, depois da janta, para cantarmos, junto com ela. Era um momento bem bacana”, relata Asta.
A técnica em enfermagem destaca um dos ensinamentos transmitidos pela Schwester Anita, que reforçam a importância da honestidade e do zelo pela prática do que é pedido para ser feito. “É preciso ter muito amor e eu sempre gostei do que faço. As coisas mudaram muito por aqui. No começo era bem difícil, porque sabíamos pouco e trocávamos de setor a cada três meses, fazendo de tudo. Mas ainda assim, considero que antigamente era mais fácil, porque hoje focamos só na parte de enfermagem e eu gostava de poder ajudar em tudo. Mas adoro trabalhar aqui e, graças ao meu trabalho no Hospital, tive o privilégio de acompanhar o nascimento de meus quatro netos, o que foi muito especial”, ressalta Asta.
Trabalho em equipe
Mas nem só dos servidores da saúde o Hospital é feito. Por trás da grande estrutura da instituição, existe toda uma equipe, disposta a fazer o melhor possível, para que os pacientes sejam bem atendidos e os profissionais da saúde possam trabalhar da melhor forma.
Há 27 trabalhando no Hospital e Maternidade Rio do Testo, Irene Dorn começou a trabalhar na instituição em 03 de junho de 1993 como faxineira, profissão que manteve por 11 anos, até se transferir para o setor da lavanderia do HMRT, serviço essencial para a manutenção da organização da instituição.
Em seus primeiros anos como faxineira no local, ela teve contato, também, com a Schwester Anita e enaltece a bondade da enfermeira. “Schwester Anita era como uma mãe para nós, sempre convivia junto conosco, era uma ótima pessoa. Schwester Anita sempre estava muito conosco, quando tínhamos problemas ela se preocupava e vinha perguntar. Nossa relação era de amor com ela”, afirma.
Com quase 30 anos de casa, Irene destaca a evolução da estrutura, também nos serviços gerais, o que torna o trabalho mais tranquilo. “Hospital cresceu muito, a estrutura evoluiu muito, até mesmo para nós na parte de limpeza temos equipamentos bem mais modernos, facilita muito nosso trabalho”, comenta.
A colaboradora não esconde a satisfação em trabalhar no Hospital, algo que faz com gosto e amor pela profissão e pelo restante da equipe, com quem sempre teve uma relação de muito carinho e respeito.
“Gosto muito de trabalhar aqui, não sei o que faria caso tivesse que sair do Hospital um dia. Quando temos problemas em casa, aqui se distrai, esquece esses problemas e eu trabalho com amor, gosto muito de estar aqui. Para quem é mais nova e está começando aconselho que tenha, principalmente vontade de trabalhar, tenha fé e dê valor ao serviço que desempenhamos aqui”, enaltece.
A cozinheira, Ursula da Silva também fala com muito carinho da vida como funcionária do Hospital, onde atua há 31 anos.
Animada, ela conta como foi o seu início, também por um convite da Schwester Anita. “Era uma terça-feira, a Irmã Anita apareceu em minha casa e me perguntou se eu não gostaria de trabalhar no hospital. Respondi que não poderia confirmar na hora e primeiro falei com meu marido. No dia seguinte eu respondi que trabalharia, sim, no Hospital e na sexta da mesma semana comecei a trabalhar lá. Era meu primeiro emprego aqui e comecei apreensiva, porque nunca tinha trabalhado fora”, relembra.
Para a cozinheira, sempre foi muito legal trabalhar no Hospital e afirma que aprendeu muito ao longo dos anos. Mesmo com as várias dificuldades, principalmente financeiras, Ursula afirma que sempre manteve a cabeça erguida e, junto com a equipe, não desanimou e continuou se dedicando à instituição.
“Houve momentos que o Hospital estava financeiramente mal, e até chorávamos com essa situação. Nós nos esforçávamos para economizar o máximo possível. Jamais pensei em desistir e, se fosse para começar tudo de novo, a minha história aqui, faria exatamente a mesma coisa, pois gosto muito de trabalhar no Hospital”, destaca.
Ursula também fala com nostalgia sobre a estrutura do Hospital ainda no início e como as coisas mudaram, desde então. “A cozinha, no início tinha um fogão a lenha, que depois foi tirado com as novas normas da vigilância sanitária. Durante a reforma, cozinhávamos onde hoje o grupo Oase se reúne. Hoje é mais fácil, porque quando comecei fazíamos tudo sozinhos e hoje já temos muita ajuda e estrutura. Gostaria de dizer, ainda, que todos que vierem a trabalhar no hospital façam isso com amor, porque fazemos para os pacientes e eles precisam ser tratados como nós gostaríamos de ser tratados”, finaliza.
