Especiais

1º de maio de 1994: um dia inesquecível

A alegria de um nascimento e a morte de um ídolo: sentimentos tão antagônicos fizeram parte da família Krueger, naquele domingo pela manhã

1 de maio de 2020

O dia 1º de maio de 1994 foi marcante para os brasileiros. Isso porque, naquela data, durante o Grande Prêmio de San Marino, no Autódromo Enzo e Dino Ferrari, em Ímola (Itália), um dos maiores ídolos do esporte perdeu a vida. Na curva Tamburello, Ayrton Senna partiu deste plano e se transformou em mito, reverenciado por grande parte da população. Seu jeito simples e direto, o amor pelo esporte, o patriotismo e a sede de vencer marcaram a vida do piloto, tanto que, mesmo após 26 anos, é quase impossível esquecer os seus feitos e o que ele fez em benefício dos mais necessitados, através das ações assistenciais.

Só que a data também é marcante para a família Krueger, em especial. Naquele dia, enquanto muitos choravam a perda do seu maior ídolo, Reimar e Sedeni de Mello Krueger sorriam, com a chegada da sua primeira filha, Kerli Viviane. Isso mesmo! A moradora de Pomerode tem a honra – conforme suas palavras – de ter nascido num dia inesquecível para os brasileiros.

Segundo Kelly, como é conhecida, foi com cerca de 10 anos que começou a ter noção do quanto Ayrton Senna foi importante para o Brasil. “Quando me perguntavam em que dia eu nasci, eu falava e as pessoas logo lembravam e diziam sobre ele. Então, comecei a ver em muitas notícias na imprensa, jornais e TV, o que ele representou para o Brasil. Nesse momento, percebi que se tratava de uma pessoa muito grande e querida por todos. Não conheci ninguém que não gostasse de Ayrton Senna”, ressalta.

 

Ela fala, também, sobre a mistura de sentimentos, por esta situação. “Eu me sinto feliz, por um lado, e triste por outro, pelo fato dele ter morrido. Mas eu ter nascido nesse dia, me deixa muito honrada, pois se trata de um ícone do Brasil, que todos adoravam. Meus pais sempre foram fãs de Fórmula 1, por isso, se eu tivesse nascido antes, com certeza, teria acompanhado as suas corridas. Ele foi exemplo de luta, vindo de uma família simples, que cresceu e se tornou um ídolo”, frisa Kelly.

 

Aquele dia também não sai da memória de seu pai, Reimar. Segundo ele, a filha chegou ao mundo antes da hora, pois a cesariana estava marcada para o dia 15 de maio. “Fomos para a maternidade, em Jaraguá do Sul, por volta das 8h da manhã. Eu lembro que eu e o meu cunhado vimos a corrida na sala de espera do hospital, enquanto a minha sogra ficou com a Sedeni. Inclusive, vimos o momento do acidente e ficamos preocupados. E como a Kelly nasceu, mais ou menos, às 11h30min, soubemos da sua morte somente à tarde, quando voltamos para casa. Em meio à alegria de ter tido minha filha, ficamos tristes pela morte dele”, conta. Ele acrescenta que depois disso, nunca mais teve interesse em assistir à Fórmula 1. 

 

A esposa, mãe de Kelly, compartilha da mesma opinião. “Eu assistia muitas corridas quando estava grávida. Domingo pela manhã era o nosso programa: ver a Fórmula 1, principalmente, por causa do Ayrton Senna. Eu fiquei sabendo da sua morte somente depois e também fiquei muito triste. Mesmo com a alegria de ter tido nossa filha, as corridas perderam a graça naquele dia”, conclui.

 

Saiba mais:

Ayrton Senna da Silva, ou simplesmente Senna, nasceu em São Paulo, no dia 21 de março de 1960, e morreu de maneira trágica, em 1º de maio de 1994, após colidir com uma mureta de proteção no Grande Prêmio de San Marino, em Ímola. Seu velório foi um dos mais marcantes da história do Brasil, durando cerca daae 22 horas, e que foi acompanhado por, aproximadamente, 240 mil pessoas.

Na principal categoria do automobilismo, a Fórmula 1, integrou as equipes da Tolemann, Lotus, McLaren e Williams. Seus expressivos números ajudam a explicar porque o piloto ganhou status de mito do esporte: foram três títulos mundiais de F1, (1988, 1990 e 1991), em 161 GP’s disputados, com 41 vitórias, 65 poles, 80 pódios e 19 voltas mais rápidas, entre 1984 e 1994.

Em 1999, foi eleito pela revista IstoÉ o esportista do século XX no Brasil. No auge de sua carreira, foi considerado o maior ídolo brasileiro, posto que mantém, mesmo depois de mais de duas décadas de sua morte.

Notícias relacionadas