Hidroxicloroquina: responsabilidade médica é a palavra de ordem
Medicamento tem a possibilidade de ser opção de tratamento, mas administração deve ser feita por médicos
Desde que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na semana passada, falou sobre os medicamentos hidroxicloroquina e cloroquina, colocando-o como uma das soluções no tratamento dos pacientes com coronavírus, os debates relacionados ao uso das substâncias iniciaram.
Autoridades de saúde opinaram sobre o assunto e falaram sobre a necessidade de mais testes e estudos mais aprofundados em relação ao uso da cloroquina e da hidroxicloroquina no tratamento, mas admitiram que a perspectiva é promissora.
O debate chegou a Pomerode e as opiniões se dividem. O médico Dr. Omar Manne foi um dos que se manifestou a respeito do uso do medicamento. De acordo com o profissional, a hidroxicloroquina é uma das melhores opções para o tratamento do coronavírus.
“O remédio promove uma entrada de maior quantidade de zinco nas células, o que impede a replicação do vírus. Em poucos dias, se o vírus não replica, ele morre. Como médico, e como ser humano, como li o primeiro trabalho a respeito, fiquei emocionado, e pensei que a comunidade médica deveria fazer uso, com os devidos cuidados”, afirma.
Manne também falou sobre a procura desenfreada pelo medicamento nas farmácias de todo o país, e afirmou que os estoques logo foram bloqueados para que não se esgotasse. “De alguma forma, as pessoas já sabiam dos efeitos positivos e buscaram o remédio, acreditando que poderia ser uma forma de evitar a doença, mas não é. Existem vários riscos em se tomar hidroxicloroquina e cloroquina sem prescrição e acompanhamento médico, podendo causar efeitos colaterais perigosos”, ressalta.
Os próprios médicos, de acordo com Manne, devem ter os devidos cuidados na administração dos remédios no tratamento do paciente. É necessário saber quais podem receber a substância, quais não podem e quais podem, mas com muito cuidado. “É uma substância muito perigosa para quem tem problemas cardíacos e diabetes, por exemplo, e deve ser usado apenas pelos médicos nas frentes de combate. Na minha opinião, poderia ser usado para casos graves e moderados”, pondera.
Associação Médica Brasileira se pronuncia
Diante de toda a discussão gerada em torno do uso da cloroquina e da hidroxicloroquina, no tratamento de pacientes com a Covid-19, a Associação Médica Brasileira se pronunciou a respeito do assunto, como forma de orientação ao corpo médico brasileiro.
De acordo com a nota:
“É nesse cenário que se encaixa a recente proposta de uso da Hidroxicloroquina (associada ou não à Azitromicina) e seu efeito nos pacientes com quadro de Covid-19. Nenhuma agência regulatória mundial liberou ou recomendou seu uso por dispor de pouca ou quase nenhuma evidência de seu benefício a esses pacientes, o que, obviamente, poderá ocorrer nos próximos dias, frente à enorme geração de evidência disponibilizada nas bases de informação científica. Mas hoje, não há evidência científica ou segurança que permita, de forma responsável classificar este procedimento como aconselhável para tratamento dos pacientes de coronavírus.
Nesse contexto, devemos ter em mente dois elementos regulatórios naturais de nossa prática:
a) Prescrição compreensiva, autônoma e compassiva para pacientes exclusivamente graves, cuja evolução claramente aponta para o desfecho de morte, independente de todas as formas de tratamento utilizadas;
b) Nosso papel fundamental de, educativamente, coibir abusos e absurdos de uso de tais condutas profilaticamente ou em pacientes não graves, submetendo-os a riscos desnecessários e não acompanhados de benefício.
Até que os benefícios e a segurança do uso destas medicações em pacientes com Covid-19 sejam cientificamente comprovados de maneira consistente, a AMB considera que essa modalidade de tratamento deve ser mantida em ambiente experimental, seguindo toda a legislação da Comissão Nacional de Ética e Pesquisa (Conep) e dos demais órgãos reguladores da pesquisa médica no Brasil (Anvisa, CFM e Ministério da Saúde)”.
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