Assim como nós, ele também é uma vítima
Bugios são encontrados com marca de tiros, após casos de Febre Amarela em primatas, na cidade
O mês de fevereiro foi bastante agitado em relação aos casos de Febre Amarela, tanto em primatas, quanto em humanos, já que foram confirmados três casos da doença na cidade, em humanos. Porém, um fato que chamou atenção durante uma coleta de cadáver de um bugio, aqui na cidade, foi a constatação de ferimentos por tiros de “chumbinho”. De acordo com a Secretaria Desenvolvimento Rural, outros dois animais foram achados com suspeita de morte por ferimentos advindos de tiros, o que acende um alerta, já que essa prática é crime ambiental.
Concidentemente, o número de bugios encontrados com essas marcas de tiro, foram justamente neste mês, onde foram confirmados os casos da Febre Amarela, em Pomerode. Por enquanto, segundo a Vigilância Epidemiológica de Pomerode, apenas dois primatas não humanos tiveram o resultado como positivo para a doença.
Mas, é importante reforçar que o macaco não é o transmissor da doença, e sim, o mosquito Aedes aegypti, em sua forma urbana o mesmo que transmite Dengue, Chikungunya e a Zika Vírus. Os primatas são vítimas do mosquito do gênero Haemagogus e, também, sofrem os sintomas da doença, assim como nós, seres humanos. Eles ainda cumprem uma função importante: ao contraírem o vírus, transmitido em ambientes silvestres por mosquitos, eles servem de alerta para o surgimento da doença no local. Desse modo, contribuem para que a Vigilância Epidemiológica e outras autoridades de saúde, tomem logo medidas para proteger moradores ou pessoas de passagem na região.
De acordo com o biólogo do Zoo Pomerode, Cézar Santos, o bugio possui a sua importância para a natureza. “Os bugios são importantes dispersores de sementes que auxiliam na regeneração e manutenção de áreas verdes, em nossa região”, relata.
Santos também fez questão de enaltecer o papel do Zoo, em desmentir boatos e notícias falsas, que acabam desinformando a população em relação à Febre Amarela e explica que o local também está preparado em relação à prevenção, para que os animais dos recintos não contraiam a doença.

Telas ficam na parte de fora dos recintos para evitar a entrada de mosquitos. (Foto: Raphael Carrasco / Jornal de Pomerode)
“O Zoo, além de trabalhar a conservação da espécie, também tem um papel fundamental na Educação Ambiental, onde trabalhamos com os visitantes, informando e sensibilizando para minimizar o impacto causado à natureza, bem como, às formas de prevenção da doença. Ainda não há uma vacina para os macacos, mas implantamos algumas medidas, como a presença de telas com sombrite, para impedir a entrada de mosquito nos recintos, transferência de animais suscetíveis para ambientes mais protegidos em áreas controladas e ações de educação ambiental, como, em 2019, a parceria com o Projeto Bugio, atendendo mais de seis mil pessoas. Além disso, todos os funcionários receberam a orientação para se vacinar e também, o Zoo, possui aspersores com cintronela, para repelir os mosquitos”, comenta.
Como citado pelo biólogo anteriormente, o Projeto Bugio, que fica localizado em Indaial, é uma instituição com mais de 25 anos de história, que tem como missão gerar conhecimento sobre os bugios-ruivos que subsidiem ações de conservação da espécie e de seu habitat. Inclusive, o Projeto Bugio é uma instituição parceira do Zoo Pomerode, realizando vários trabalhos de educação em parceria. No último dia 15, o Projeto Bugio esteve no Zoo Pomerode realizando um trabalho de Educação Ambiental, abordando temas como a Febre Amarela.
Crime ambiental
De acordo com a Secretaria de Desenvolvimento Rural, matar animais silvestres se caracteriza como crime ambiental, no Artigo 29 da Lei 9.605, que cita “Matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar espécimes da fauna silvestre, nativos ou em rota migratória, sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente, ou em desacordo com a obtida. Pena: detenção de seis meses a um ano, e multa.”
Rodrigo André Darolt, inseminador da Secretaria de Desenvolvimento Rural de Pomerode, reforça, também, que a espécie precisa ser preservada e que a desinformação leva a esse tipo de atitude.
“É difícil afirmar a quantidade dessa espécie na região, mas o número de bugios mortos é preocupante, pois devemos refletir sobre qual é o impacto que esse fato vai gerar ou já está gerando na nossa fauna e flora. Por exemplo: algumas frutas da flora nativa são dispersas pelos primatas, com a diminuição desses animais, a dispersão de sementes também não ocorrerá. Isso pode causar um desequilíbrio ecológico. Se alguém presenciar alguma das situações citadas acima, poderá fazer uma denúncia aos órgãos competentes.”
Casos e vacinação
Como dito logo no começo desta matéria, Pomerode possui três casos confirmados de Febre Amarela em humanos e dois em bugios. No 1º caso do pomerodense, de 45 anos, que contraiu a doença, o mesmo segue internado no Hospital Nereu Ramos, em Florianópolis, que é referência no tratamento da Febre Amarela. Até o fechamento desta edição, ele ainda estava internado, chegou a apresentar uma leve melhora, porém, continua em observação pela equipe médica do Hospital.
Também foram confirmados os casos de Febre Amarela em um morador do Vale do Selke, de 47 anos, que também está internado no Hospital Nereu Ramos, em Florianópolis, em estado grave; e também em um morador de Indaial, mas que trabalha na localidade de Ribeirão Souto. Este tem 50 anos e está internado no Hospital Regional Hans Dieter Schmidt, em Joinville, mas seu quadro de saúde é estável.
Durante o Dia “D” de vacinação contra o Sarampo, foram aplicadas 417 doses da imunização contra a Febre Amarela. E agora, mais ainda, quem ainda não recebeu a vacina, deve procurar as unidades de saúde.
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