A caminho de um novo sorriso
Família Hackbarth se empenha no tratamento da caçula, com lábio leporino
A pequena fissura no lábio não ofusca o brilho no olhar de curiosidade da pequena Melissa Hackbarth, de um ano, que nasceu com o chamado Lábio Leporino, uma malformação congênita, que ocorre durante o desenvolvimento do embrião. A menina nasceu com a malformação e, logo no início de sua vida, já precisou enfrentar uma série de desafios, assim como sua família.
“Logo no dia seguinte ao parto, veio uma fonoaudióloga, que nos explicou um pouco sobre o que acontecia. Ela precisou usar uma sonda para se alimentar, pois não conseguia mamar no peito e, por isso, ela começou a perder peso, ao invés de ganhar, como deveria ser. Os primeiros 10 dias de vida dela foram bem difíceis, realmente”, conta a mãe, Ingelore Hackbarth.
Até então, a família não conhecia o Lábio Leporino e nos exames de ultrassom, nunca era possível ver a fissura, por isso, este início de vida da filha caçula de Ingelore e Erenoi foi complicado também para a família. “Nós precisamos tentar entender o porquê daquilo estar acontecendo e foi muito complicado. Mas depois destes 10 primeiros dias, recebemos uma ajuda que foi a nossa salvação”, afirma Ingelore.
Em uma unidade de saúde de Pomerode, receberam a indicação para um centro de referência em tratamento de Lábio Leporino, o Centrinho Prefeito Luiz Gomes, em Joinville. Lá, a menina pôde receber os cuidados e atenção necessária para o tratamento do seu caso, pois trabalham unicamente com Lábio Leporino. A família, agora, vai à cidade do Norte catarinense de 15 em 15 dias, para receber as orientações.
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(Foto: Arquivo pessoal)
“A primeira cirurgia de reparação do lábio, foi realizada no dia 12 de dezembro. Tivemos que esperar um pouco porque a Melissa teve um quadro de anemia, devido à dificuldade na alimentação, o que atrasou um pouco a cirurgia. Mas ainda há várias a serem feitas”, completa a mãe.
Quanto à dificuldade de alimentação citada por Ingelore, são vários os desafios. A bebê só podia se alimentar sentada, para que a comida não voltasse, já que existe uma fissura na parte interna do rosto. Para a menina dormir, também deve ser apenas com as pernas mais altas, para que não seja sufocada.
Agora, ela consegue se alimentar melhor, mas antes do próximo procedimento, será avaliado se tem condições para passar pela cirurgia. A próxima deve ser feita quando a menina chegar aos um ano e seis meses.
A esperança da família vem do tratamento especializado que recebem no Centrinho, em Joinville. “Depois das cirurgias, os especialistas garantem uma vida normal. Nas vezes em que estivemos no centro, em Joinville, pudemos conhecer diversos casos em que a vida da criança tornou-se normal após todo o tratamento e acompanhamento dos profissionais, este que é fundamental para o desenvolvimento daquela criança. Lá encontramos a ajuda indispensável”, ressalta Ingelore.
A fissura labiopalatina
Conforme já mencionado, trata-se de uma malformação congênita, que acontece durante gestação. Esta malformação é multifatorial, podendo ser causada por fatores como estresse, uso de medicação ou outra substância, ou algum outro fator externo, mas não é possível precisar a causa.
A fissura pode ser apenas no lábio, ou também, na gengiva e céu da boca, além de poder ser uni ou bilateral. As consequências são dificuldade para se alimentar, neste caso, dependendo do tamanho da criança, para mamar no peito, dificuldade para ingerir alimentos sólidos, e, devido a isso, a baixa de peso.
“Caso a fissura labiopalatina não for tratada, pode acarretar, ainda, em dificuldades na fala da criança. Ou então, se o tratamento não for feito nos prazos corretos, a fala da criança pode ficar mais anasalada, por exemplo”, explica a coordenadora do Centrinho Prefeito Luiz Gomes, Luiza Gama.
Ela esclarece, ainda, como é feito o tratamento no Centrinho. De acordo com Luiza, assim que uma criança nasce com fissura labiopalatina, as maternidades passam a informação para a Secretaria de Saúde. Esta, por sua vez, cadastra a informação em um sistema, ao qual, o Centrinho tem acesso e sabe quando há uma nova criança com o problema.
“A partir daí, fazemos regulação e colocamos a criança como caso novo. Ela, então, vem para o Centrinho como um caso novo, e aqui passará por avaliações de fonoaudiólogo, cirurgião plástico, pediatra, otorrinolaringologista, enfim, uma equipe multiprofissional, que irá avaliar a criança, como um todo”, destaca a coordenadora.
O objetivo é tratar a criança com um ser integral, reabilitando-a de todos os lados, inclusive, com acompanhamento de psicólogo, assistente social, as diversas especialidades da odontologia, além da assistência da administração, que coordena a equipe.
“Depois da avaliação dos diversos profissionais, é elaborado um plano de tratamento para esta criança, que segue um protocolo de procedimentos que devem ser feitos, em idades determinadas, para que o desenvolvimento ocorra da melhor forma. Por exemplo, a cirurgia do lábio deve ser feita quando a criança tem até um ano, depois a do palato, entre um e dois anos. Após isso, faz cirurgias corretivas e, conforme vai crescendo, precisa de outras cirurgias”.
Por volta dos seis anos de idade, a criança precisará passar por um enxerto ósseo, um procedimento que retira um pequeno pedaço do osso da bacia do paciente, e o cirurgião o coloca na fissura do céu da boca. Tal procedimento é chamado de enxerto ósseo do palato.
A parte de dentição da criança também recebe enxerto, caso necessário e, durante o tratamento, ela utiliza um aparelho ortodôntico, para preparar os dentes e, assim, receba o tratamento completo durante sua vida.
“É um tratamento complexo, grande. Os pacientes permanecem, pelo menos, até os 20, 21 anos de idade, quando recebam alta. Mas se a criança entra no tratamento assim que nasce, temos um bom prognóstico, sai falando bem, comendo bem, com uma estética boa. É importante destacar que a família tem um papel fundamental neste processo. Nós, aqui no Centrinho, somos responsáveis por 50% e a família pelos outros 50%, seguindo as orientações. Assim, juntos, conseguimos um bom resultado”, enaltece Luiza.
O Centrinho Prefeito Luiz Gomes é referência para 266 municípios de Santa Catarina e já atendeu mais de quatro mil pacientes com a fissura labiopalatina em todo o estado. Neste ano, no mês de março, o local completa 30 anos de fundação.
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