Reconstruindo a vontade de viver
Cirurgia para reconstrução das mamas proporciona esperança de um recomeço mais feliz para quem enfrentou o câncer de mama
Ocâncer de mama é a doença mais comum entre as mulheres no mundo e no Brasil, depois do de pele não melanoma, correspondendo a cerca de 25% dos casos novos a cada ano. No Brasil, esse percentual é de 29%. E além de toda a luta em busca da cura, com quimioterapia e outros tratamentos, existe ainda uma outra consequência para algumas mulheres que passam por ele: a retirada da(s) mama(s).
Maria Angélica Papini é atendida pela Rede Feminina de Pomerode e enfrentou esta batalha. Em 2008, foi diagnosticada com câncer de mama e fez o tratamento, principalmente com radioterapia, conseguindo curar a doença. Porém, em 2016, oito anos depois, descobriu novamente um nódulo no seio direito.
“Então, meu médico disse que precisaríamos retirá-la, pois já houve reincidência. Ainda, havia cerca de 40% de chances de ocorrer um nódulo na mama esquerda, então, o médico recomendou que retirássemos as duas. A minha cirurgia foi em março de 2017”, conta.
Logo quando eu soube que precisaria retirar as mamas, eu soube que desejava fazer a reconstrução.
Depois da retirada, fez a quimioterapia, para evitar o retorno da doença e, em maio de 2018, pôde fazer a cirurgia de reconstrução da mama. “Logo quando eu soube que precisaria retirar as mamas, eu soube que desejava fazer a reconstrução. O meu mastologista logo indicou um cirurgião da equipe para fazer a reconstrução e, em seguida, coloquei o expansor e, depois, a prótese”, explica.
Agora, já recuperada do procedimento e recomeçando sua vida, Maria Angélica precisa apenas tomar um remédio e fazer exames de rotina a cada três meses.
A cirurgia da aposentada foi feita por meio do convênio, mas mesmo assim, ela enfrentou alguns incômodos e, no fim, precisou pagar pelas próteses. Mas afirma que não se arrepende da decisão que tomou.
“Hoje em dia eu agradeço, principalmente, a Deus, e também ao apoio do meu marido, da família e dos amigos. Não foi fácil, mas passou. A Rede também foi muito importante, sendo que até hoje elas me visitam. É um carinho a mais, que é muito importante para nós que passamos por isso”, ressalta Maria Angélica.
Para a aposentada, a palavra que define sua vida, agora, é gratidão, por cada momento, cada vitória. Graças à experiência, ela afirma que passou a dar mais valor às coisas simples e tenta sempre retribuir ao carinho recebido.
“Eu não consegui me imaginar sem a mama, faria muito mal para mim se eu não tivesse nada. Para a mulher, é muito importante fazer esta cirurgia, pois é algo natural do seu corpo, que deve ser um direito logo quando você recebe a notícia de que terá que rtirá-las”, ressalta.
Lição de vida
Quem passou por uma situação semelhante foi Mayke Heidrich, enfermeira da Rede Feminina de Pomerode. Há um ano, ela teve câncer de mama e precisou retirar os seus seios, um deles para prevenir uma reincidência da doença. No mesmo ano, fez a cirurgia para colocar a prótese de silicone, por opção própria.
“Na hora que se recebe a notícia que precisará retirar a mama, você fica sem chão, mas, felizmente, aceitei na escolha do médico cirurgião, o que ajuda muito. Claro que o primeiro desejo é sempre se ver livre do câncer, mas depois da cura há uma vida pela frente e você quer se ver bem, se sentir bem consigo mesma, por isso, a importância da reconstrução”, destaca.
Mayke, além da perda das mamas, precisou enfrentar, ainda, um outro problema, com a cicatrização da cirurgia. Ela precisou retirar novamente a prótese e utilizar o extensor, para auxiliar no processo. Só depois, pôde colocar a prótese novamente, em julho deste ano.
Após a experiência, a enfermeira revela que passou a se dedicar ao trabalho de uma maneira diferente, pois a sua visão da situação mudou.
“A gente pensa que nunca acontecerá conosco, principalmente, porque eu estava do outro lado, como enfermeira, conhecendo pessoas com a doença. Agora, vejo que consigo ajudar as mulheres com muito mais propriedade, com olhar e cuidados diferentes. Foi a grande lição que eu tive na vida”, ressalta Mayke.

Próteses são oferecidas pela Rede. (Foto: Isadora Brehmer / Jornal de Pomerode)
A enfermeira destaca, também, que a Rede exerce um papel fundamental na melhora da autoestima das mulheres, oferecendo próteses para as que não têm como colocar alguma por meio de cirurgia. “As mulheres gostam bastante, pois ajuda a melhorar a autoestima e quando você se sente bem, tudo melhora. Isso acontece com as perucas, também”, acrescenta.
Lei Nacional
No dia 20 de dezembro do ano passado, foi publicada, oficialmente, a Lei nº 13.770, que garante cirurgia plástica reconstrutiva da mama em casos de mutilação decorrente de tratamento de câncer.
De acordo com o texto, os procedimentos de simetria da mama e de reconstrução do complexo aréolo-mamilar passam a ser considerados partes integrantes da cirurgia plástica.
A lei estabelece, ainda que, quando existirem condições técnicas, a reconstrução da mama seja efetuada de forma imediata. Quando isso não for possível, a paciente será encaminhada para acompanhamento e terá garantida a realização da cirurgia logo após alcançar as condições clínicas exigidas.
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