Doando alimento e amor aos bebês que precisam
O leite materno é um dos alimentos mais nutritivos que existem, sendo extremamente importante para o desenvolvimento do bebê, em seus primeiros anos de vida. E foi pensando em oferecer este alimento às crianças que necessitam, que foi criado o Banco de Leite de Blumenau
O leite materno é um dos alimentos mais nutritivos que existem, sendo extremamente importante para o desenvolvimento do bebê, em seus primeiros anos de vida. E foi pensando em oferecer este alimento às crianças que necessitam de mais nutrientes para se recuperarem, que foi criado o Banco de Leite de Blumenau. A instituição atende as cidades que integram o Médio Vale do Itajaí.
O Banco de Leite possui 21 anos de existência, tendo como objetivo fornecer leite materno às UTI’s neonatais. Este leite vem de doações de outras mães que se solidarizam com a causa. Uma delas é Leila Vanessa Rudiger Sabin, mãe de dois filhos, que começou a doar no fim do mês de janeiro, após o nascimento de seu segundo filho, Karl.
“Minha mãe sempre ensinou a ‘doar para alguém, sem olhar a quem’, tanto que sou doadora de sangue, também. E durante a segunda gravidez, já veio a preparação para a amamentação, pois, na primeira, não consegui amamentar, por motivos psicológicos. E, com isso, surgiu a imensa vontade de doar leite”, relata Leila.
Quando o primeiro filho, Sebastian, nasceu, a psicóloga conta que não estava preparada para a amamentação. Por isso, ela foi até o Banco de Leite, onde revela ter sido muito bem recebida. Mesmo assim, não conseguiu produzir leite para poder amamentar Sebastian.
“Conheci o Banco após a primeira consulta pediátrica, pois o Sebastian não ganhava peso. Mas mesmo as longas tardes passadas lá, não foram suficientes para mim naquele momento, pois era uma questão psicológica e, hoje, vejo isso. Acredito que a instituição, que é também uma casa de acolhimento, deve ser visitada antes do nascimento do bebê, para auxiliar nas questões físicas e psicológicas”, ressalta a psicóloga.
Hoje, após a segunda gestação e o nascimento de Karl, Leila afirma que consegue produzir leite, tanto que pode doar para o Banco de Leite. “Me sinto mais preparada, em outro momento de vida e com um pouquinho mais de experiência. Por isso, quis estender esse amor para os demais pequenos que precisam tanto. Faço a doação com muito amor e carinho. Para as outras mães, sempre que puderem, doem”, aconselha.
Ela também pondera que, para o processo de amamentação e da maternidade ser mais tranquilo, a preparação psicológica e emocional é tudo. Para Leila, o parto é só uma passagem, como uma porta, e o quarto onde entramos é a amamentação, onde as mães ficam por mais tempo.
“Sei, por experiência anterior que, se o emocional não estiver preparado, grandes serão as chances da mãe recorrer às mamadeiras, com as fórmulas e, ainda, chupetas. E não é um crime usar chupetas, não, pois o que uma mãe quer depois que seu filho nasce é que ele mame e durma, e nem sempre isso acontece. Mas depois de muita informação e preparação, consegui aceitar e agradecer pelos meus filhos”, reitera.
Na outra ponta desta rede de apoio está quem precisa do leite materno doado para que seu filho possa crescer com saúde. Foi o que aconteceu com Ariane Paola Floriani, de 31 anos, mãe do Vicente Floriani Lessa, de quatro meses, que nasceu prematuro, com apenas 29 semanas, e recebeu doação de leite por 35 dias, enquanto esteve na UTI.
A analista de vendas conta que foi no momento de dificuldade, quando seu filho nasceu prematuro, que conheceu o trabalho do Banco de Leite. “Conheci o Banco de Leite quando meu filho nasceu. Hoje, no Brasil, 11% dos bebês nascem prematuros, por isso, a doação de leite materno é tão importante. Com o leite humano, o bebê tem mais chances de se recuperar e se desenvolver com saúde”, comenta.
Ela afirma que se sente grata pelo gesto de amor de outras mães, que doam o leite materno e tornam possível a saúde dos bebês que passam pela UTI neonatal. “Admiro e parabenizo todas as mães que doam leite. Hoje, percebo e valorizo ainda mais a importância desse lindo ato de amor que salva vidas”, destaca Ariane.
Como funciona o trabalho do Banco de Leite
Com 21 anos de história, o Banco de Leite de Blumenau tem a tarefa de receber as doações de leite materno e encaminhá-las aos hospitais. São as instituições de saúde que solicitam uma determinada quantidade de leite ao Banco e buscam o alimento. É no hospital que o leite materno é destinado aos bebês que mais precisam.
A coordenadora do Banco de Leite de Blumenau, Elisabeth de Souza, explica que, caso alguma mulher deseje ser doadora, basta entrar em contato com o local. Depois deste contato é agendada uma visita, para que se explique para a mãe como funciona o trabalho.
“Nesta visita, fazemos o cadastro da mãe, analisamos os exames do pré-natal, para ver se está tudo bem com a saúde dela e entregamos alguns vidros esterilizados. Depois, ensinamos como deve ser feita a coleta do leite da mama e como ele deve ser armazenado”, esclarece.
Durante a semana, então, a mãe faz a coleta do leite e congela, para que, na semana seguinte, ele seja recolhido pelo banco, que deixa novos frascos de vidro, também esterilizados, para continuar a doação.
Quando chega ao Banco de Leite, o leite é analisado, para ver se o alimento continua tendo os nutrientes que são necessários para o desenvolvimento do bebê. “Esse procedimento é realizado pois, ao ser extraído e congelado, o leite materno pode sofrer perdas de nutrientes, o que prejudicaria a sua função”, ressalta Elisabeth.
Hoje, são 48 mães que são doadoras ativas cadastradas no Banco de Leite, sendo quatro delas pomerodenses. Porém, de acordo com a coordenadora, o Banco tem capacidade para atender mais mães, além de receber e coletar uma maior quantidade de leite.
“O trabalho do Banco de Leite é fundamental para salvar vidas, pois, desde que começou a atuação da instituição, houve diminuição na mortalidade dos bebês, bem como, o aumento de sua saúde enquanto estão na UTI neonatal. As mães que doam também têm diversos benefícios, pois doar leite ajuda a prevenir doenças ligadas ao seio, como tumores, por exemplo”, destaca a coordenadora da instituição.
A população como um todo também pode contribuir com o Banco de Leite, através da doação de frascos de vidro. As embalagens devem ter tampa de plástico e serem de tamanho médio ou pequeno. Elas podem ser levadas diretamente ao Banco de Leite, ou então, em Pomerode, serem entregues nas Unidades de Saúde do município, pois serão recolhidas quando a equipe do Banco estiver na cidade, fazendo as visitas de rotina.
O nutricionista, Geliandro Ribeiro, afirma que a doação de leite materno auxilia, e muito, os bebês que recebem os nutrientes presentes no alimento. “Esta é uma ação sobre a qual se tem pouco conhecimento, ainda. Mas é extremamente importante, pois não há alimento melhor para o desenvolvimento dos bebês que estão na UTI. A menor quantidade que seja, já será primordial para o desenvolvimento do bebê”, frisa o especialista.
Ele destaca, também, a parceria do município de Pomerode com o Banco de Leite, que, segundo Ribeiro, sempre foi fantástica. “Muitos casos de apoio às mães com dificuldades de amamentar conseguimos atender aqui, mas em situações mais difíceis, o Banco de Leite também atende e orientamos a procurar esta instituição, pois sabemos que as mães serão acolhidas”, reitera.
Dia Nacional da Doação do Leite Materno
O Dia Nacional de Doação de Leite Humano é celebrado em 19 de maio, por iniciativa do Brasil, e aceita pelos países que integram a Rede Global de Bancos de Leite Humano (rBLH). Entre 2008 e 2018, o número de doadoras cresceu 45% e o volume de leite coletado, 30% em nosso país. No ano passado, mais de 185 mil crianças receberam leite humano doado de quase 183 mil mulheres. Foram 215 mil litros de leite humano coletados. Os dados são do Ministério da Saúde.
Ainda segundo o órgão, a meta para 2019 é aumentar em 15% o volume de leite materno coletado e aumentar o número de doadoras, por meio da campanha de 2019, que, além de sensibilizar gestantes e lactantes para a importância deste ato de solidariedade, visa, também, desmistificar que é preciso ter ‘muito leite’ para ser doadora.
Qualquer quantidade de leite humano doado pode ajudar os bebês internados nas UTIs neonatais a terem uma melhor recuperação e uma vida mais saudável. Dependendo do peso do recém-nascido, apenas 1ml já é suficiente para nutri-lo, a cada refeição.
Entre os anos de 2008 e 2018, dois milhões de recém-nascidos foram beneficiados com dois milhões de litros de leite humano de 1,8 milhão de mulheres, segundo a Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano (RBLH). Contudo, a quantidade de leite coletado supre 55% da demanda real. Por isso, o Ministério da Saúde lança campanha anuais, a fim de aumentar os estoques de leite humano nos bancos de leite de todo o Brasil.
A Lei Nº 13.227, de 28 de dezembro de 2015, instituiu o Dia Nacional de Doação de Leite Humano a ser comemorado, anualmente, no dia 19 de maio, e a Semana Nacional de Doação de Leite Humano, a ser comemorada, anualmente, na semana que incluir o dia 19 de maio. A Lei foi publicada no Diário Oficial da União de 29 de dezembro de 2015.
Inicialmente, 01 de outubro era o dia da comemoração, data instituída pelo Ministério da Saúde através da Portaria nº 1.893, de 02 de outubro de 2003, Art. 1º. A primeira comemoração do Dia Nacional de Doação de Leite Humano, em 19 de maio, foi realizada no ano de 2004.