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Sendo política desde cedo

Continuando a série de reportagens “Mulheres na Política”, conversamos com a vereadora suplente Cleide Kamchen, sobre sua experiência neste campo tão complexo, que é a política. Nas eleições de 2016, Cleide foi a 7ª candidata mais votada, mas devido à legenda, não foi eleita e permaneceu como suplente

10 de maio de 2019

continuando a série de reportagens “Mulheres na Política”, conversamos com a vereadora suplente Cleide Kamchen, sobre sua experiência neste campo tão complexo, que é a política. Nas eleições de 2016, Cleide foi a 7ª candidata mais votada, mas devido à legenda, não foi eleita e permaneceu como suplente. Ela esteve como vereadora por 11 meses, em 2017, e por mais 15 dias, em 2018.

Tal envolvimento no meio político se deu porque, desde criança, o assunto sempre foi muito debatido pela família, em casa. “Meus pais, meu avô paterno, meu avô materno, tios, amigos deles, sempre comentavam sobre a política. E, principalmente o meu pai, minha mãe, o meu eterno prefeito, sr. Henrique Drews Filho, me despertaram essa vontade de fazer política e participar da e na política”, conta Cleide.

Seu pai, o professor Valmor Kamchen, uma de suas inspirações, foi candidato ao cargo de prefeito de Pomerode em 1982, com o falecido, Sr. IngobertoHoeft, como candidato a vice-prefeito. Perderam, na época, por menos de 70 votos. Em outro momento, Kamchen foi candidato ao cargo de vereador e se elegeu. E ainda foi Secretário Municipal de Educação e Secretário Municipal de Governo. “E afirmo, sem sombra de dúvidas, que o meu pai, sempre foi e continua sendo um grande líder político; não só por participar ativamente da política, mas também, pelos trabalhos voluntários que já realizou em Pomerode”, declara a advogada.

A mãe, Celia Kamchen, foi uma das fundadoras do PP Mulher e é filiada ao partido há mais de 35 anos. Segundo Cleide, a mãe sempre teve um senso crítico aguçado e coerente, motivo pelo qual a admira tanto. “Minha mãe, uma guerreira e apaixonada por política, também teve uma participação muito ativa, auxiliando em diversas campanhas eleitorais; e, em especial, na eleição, a qual, o pai foi candidato ao cargo de prefeito em Pomerode. E, por diversas vezes, refletindo sozinha, penso, que mesmo meu pai sendo esse grande líder político, foi a minha mãe, pela postura dela, que me encorajou, mesmo não tendo ciência da sua influência, a colocar ‘a cara em um santinho’, revela Cleide. 

A advogada comenta que, por vários anos, apoiou outros candidatos, mas que houve um momento em que parou e pensou: “por que não pode ser a sua vez?” E foi, na eleição de 2016, pela primeira vez. Ela cita um conselho que recebeu de uma das pessoas que mais admira na política, o ex-prefeito, já falecido, Henrique Drews Filho, que exerceu três mandatos na cidade.

“Em uma das visitas no hospital que fiz a ele, lembro muito bem, me disse: ‘Cleide, se um dia você for prefeita dessa cidade, não perca a sua essência, não perca esse seu jeito de ser e respeite os princípios e os valores repassados pelos seus pais’. Também quando assumi a cadeira no Legislativo, sempre digo, era um mandato precário, pois não era titular da cadeira, recebi uma ligação do sr. Eugênio Zimmer, o maior adversário político do meu pai e do sr. Henrique Drews Filho. Ele disse: ‘Minha Cleide, a menina a qual, no dia da passeata Vem Pra Rua, em 2013, entreguei a minha camisa verde e amarela. Filha dos meus amigos professores Célia e Valmor Kamchen, honre esta camisa verde e amarela que lhe entreguei. Honre a sua família. Honre a nossa Pomerode. Você é uma das representantes do nosso povo; você, a partir de agora, tem uma responsabilidade maior. Analise tudo detalhadamente. Analise o que você assinará. E lembre: na política, não temos amigos’. Foi um baita conselho. E diante dessas palavras e de alguns outros conselhos, tinha noção que não seria uma tarefa fácil”, ressalta a suplente. 

Ela admite que umas das dificuldades é que a própria comunidade, algumas vezes, é incompreensível com os trabalhos que são realizados, pois confunde o Legislativo com o Executivo, além de acreditar que medidas paliativas, momentâneas, são mais importantes do que ações planejadas efetivas, o que não é. 

“Não esquecendo, agora precisamente, destacando sobre o meio político. Infelizmente, os egos particulares políticos, a inveja, a arrogância, a ignorância, o desinteresse no querer aprender, dificultam diálogos, debates consistentes e, consequentemente, um trabalho em equipe que traga benefícios à comunidade. E com toda a sinceridade, esse anseio nocivo do poder pelo poder a qualquer custo, foi algo que me decepcionou, pois acreditei, que houvesse, no mínimo, respeito às opiniões divergentes e que estaríamos em um outro momento na política. Porque, a política sem ética é imoral, é politicagem”, coloca.

Contudo, Cleide classifica a experiência, apesar do curto período e de algumas decepções, com certeza, como algo que proporcionou um amadurecimento pessoal, um aprendizado ímpar, único. E defende que, quem coloca seu nome à disposição, precisa estar preparado para lidar com críticas e tem que amar a política, pois é doação, uma entrega constante para o bem coletivo. 

Sua principal bandeira foi despertar o cidadão para a conscientização política, por exemplo, com a implantação da Escola do Legislativo, mas que não ganhou seguimento, apenas vem se trabalhando nesta plataforma  com os vereadores mirins, algo que deveria ser voltado à toda a comunidade. 

“Devido a essa bandeira principal, foram decorrentes as cobranças sobre a causa animal, sobre a possibilidade de matérias optativas na Educação, sobre as condições da estruturas físicas dos Centros de Educação Infantil e das Escolas Básicas Municipais, também estabelecimentos de ensino desativados, sobre a valorização do servidor público de carreira, sobre a mobilidade urbana, sobre o saneamento básico, sobre infraestrutura, com as pavimentações de vias públicas, rodovias SC-110 e SC-421, sobre os MEI´s, sobre o pedido de instauração de inquérito civil em desfavor da Celesc, sobre a impessoalidade no processo seletivo de estágio, sobre a transparência pública, entre outras. Afinal, com certeza, um trabalho consciente em equipe, em conjunto com uma comunidade consciente, resulta melhorias para o bem coletivo, pois nada conseguimos sozinhos”, declara. 

Cleide pontua que mais jovens e mais mulheres, devem ser incentivados a participarem da política. Os jovens sendo a semente de um novo modelo de processo político e as mulheres pelas perspectivas e pelas visões de vida, contribuindo para as soluções de conflitos. As mulheres, emsua opinião, são mais detalhistas e mais sensíveis. “No entanto, os próprios partidos políticos precisam se reestruturar internamente para promover uma agenda mais igualitária, com o objetivo de estimular a participação das mulheres e dos jovens no cenário político”.

Por fim, a suplente faz uma reflexão a respeito da crença de que todos os políticos não têm caráter. “Ouço muito o povo comentando, citando que todo político não presta, que partido A é corrupto e que partido B é o responsável pela crise brasileira. Mas, faço o seguinte questionamento: de onde vêm os nossos políticos? E respondo: os nossos políticos vêm das escolas, das universidades, das empresas, das igrejas, das TV’s, das casas, da sociedade. Então, o político vem do nosso povo e é reflexo do que nós fazemos, do que produzimos e do que oferecemos; é o reflexo da nossa conduta. E se essa conduta é de alienação, de silêncio, de colaboração com a corrupção, com certeza, não teremos bons políticos. Também não teremos instituições sólidas e, muito menos, uma justa distribuição de riqueza social. E como sempre destaco, a mudança depende de cada um de nós. Cada um de nós deve fazer o seu papel. E para isso ocorrer, devemos ser um povo consciente político. Afinal, a política precisa de político consciente. E quem sabe a política e a comunidade de Pomerode precisem da Cleide, pois a política está na veia e faz muito tempo”, finaliza.

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