Hepatite C: problema de saúde pública
Estima-se que cerca de 170 milhões de pessoas tenham o vírus da Hepatite C em todo o mundo.
Estima-se que cerca de 170 milhões de pessoas tenham o vírus da Hepatite C em todo o mundo. Só no Brasil há cerca de três milhões de pessoas que o possuem. A doença é contraída através de sangue contaminado e, em raros casos, também pode ser passada de mãe para filho. O portador do vírus da hepatite VHC pode desenvolver uma forma crônica da doença que leva a lesões no fígado (cirrose) e câncer hepático, segundo o Dr. Dráuzio Varella.
Não há vacina contra a doença. Por isso a sua prevenção é tão importante quanto o tratamento. A hepatite C, na maioria dos casos, o portador não sente nada após a infecção pelo vírus. Em algumas situações em que a enfermidade em sua forma aguda antecede à forma crônica o paciente pode apresentar alguns sintomas. Mal-estar, vômitos, náuseas, pele amarelada e dores musculares são alguns deles. Porém, a maioria dos portadores só percebe a doença anos após a infecção, normalmente quando ela já apresenta um caso grave de hepatite crônica com risco de cirrose e câncer de fígado.
O diagnóstico da doença é efetuado através da pesquisa de anticorpos contra o vírus da hepatite C, o anti-VHC. No entanto, muitas vezes, ela só é confirmada durante os exames de rotina ou a investigação de outras doenças. Hoje em dia, o sangue de doações são testados e analisados, mas antes de 1993 esse teste não era efetuado e o vírus havia sido recém descoberto. Por isso, aconselha-se que quem tenha recebido transfusão de sangue antes dessa data faça o exame.
O tratamento da doença tem como objetivo eliminar o vírus do sangue e impedir a sua evolução. Quando o vírus não é mais identificado no sangue o tratamento continua pelo período indicado pelo médico. Quando o paciente responde ao tratamento favoravelmente na 12ª semana, as chances de cura aumentam. Para que haja sucesso, é necessário que o paciente cumpra corretamente as instruções médicas e permaneça no tratamento pelo tempo indicado.
Seis meses após o término do tratamento realiza-se novo exame de sangue com o objetivo de avaliar a presença ou ausência do vírus. Se este exame indicar que não há mais VHC na circulação, pode-ser dizer que houve uma resposta virológica sustentada, o que alguns médicos classificam como cura.
Hepatite C e HIV
Estar contaminado com um tipo de hepatite não significa que você está isento de contrair outras doenças. Por isso, é importante que portadores da hepatite C sejam vacinados contra as hepatites A e B. Não são apenas os vírus das hepatites que portadores do VHC podem contrair.
No Brasil, as taxas de prevalência dos pacientes portadores do HIV co-infectados com o VHC situam-se entre 9,2% e 54,7% (conforme distribuição geográfica e fatores de risco). Nessa situação, a hepatite C tende a apresentar uma maior velocidade de progressão, podendo ocorrer cirrose mais precocemente. As doenças do fígado são as que mais levam pacientes com HIV ao óbito.
Hepatite C já mata
mais que a AIDS
O governo dos Estados divulgou um alerta por meio do CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças) informando que as mortes causadas pela hepatite C já ultrapassam as causadas pela AIDS.
A taxa de mortes pela AIDS vem caindo, enquanto as mortes causadas pela hepatite C estão aumentando e, a partir de 2007 as mortes causadas pela hepatite C superam as causadas pela AIDS.
Em artigo publicado dia 21 de fevereiro, na “Annals of Internal Medicine” um estudo financiado pelo CDC, coordenado pela Dra. Kathleen Ly analisando atestados de óbitos nos Estados Unidos entre os anos de 1999 e 2007, foram confirmadas 12.734 mortes causada pela AIDS e 15.106 por causa da hepatite C no ano de 2007.
Alertam os autores que certamente os números representam apenas uma fração da morbidade e mortalidade na hepatite C, já que por falta de diagnostico da doença a maioria das pessoas não sabem que estão infectadas e no atestado de óbito a causa da morte é atribuída a complicações, não a aquilo que realmente a ocasionou.
Nas 15.106 mortes causadas pela hepatite C nos Estados Unidos, 73,4% aconteceram em pessoas com idade entre 45 e 64 anos.
Fonte: Divulgação