Especiais

Ensino: um direito de todos

Professora e intérprete de Libras fala sobre sua trajetória com a língua e sobre batalhas pela inclusão. Lisbete teve contato com a linguagem de sinais em sua vida graças ao filho Alex, que conheceu em um hospital em Porto Alegre, e por quem se apaixonou

18 de outubro de 2018

Na semana em que lembramos de nossos mestres, os professores, é comum pensar nos professores que marcaram a nossa vida, nas disciplinas mais comuns, como Língua Portuguesa, Matemática, História, Educação Física, etc. Sem tirar os méritos de nenhum deles, escolhemos, nesta edição, homenagear um professor que usa uma linguagem diferenciada, que ainda pouco aparece nas instituições de ensino em geral, mas que é muito necessário: o professor de Libras, a Língua Brasileira de Sinais.

Em Pomerode, a inclusão é tema recorrente, e temos diversos bons exemplos para citar, de pessoas que lutam, diariamente, por esta causa. Um destes exemplos é Lisbete Rosa, enfermeira, intérprete e futura professora graduada em Letras/Libras, embora já atue na profissão.

Lisbete teve contato com a linguagem de sinais em sua vida graças ao filho Alex, que conheceu em um hospital em Porto Alegre, e por quem se apaixonou. Para poder se comunicar com o filho, aprendeu Libras, mas sem pensar em lecionar. Esse desejo começou a surgiu a partir de 2012, quando precisou assumir a função de intérprete de Alex, na escola.

“Ali fui começando a aprender sobre a função do intérprete e até ensinar um pouco de Libras para os outros alunos, colegas de Alex, para se comunicarem com ele. A partir daí, uma paixão foi nascendo, fui descobrindo um mundo através da convivência com a realidade do intérprete”, relata.

Neste mesmo ano, já começou a cursar a pós-graduação em tradução e interpretação em Libras. Mas sentiu a necessidade de se especializar mais, pois a profissão foi se regulamentando e, por isso, decidiu cursar a graduação em Letras/Libras. Ela faz o curso no campus da Uniasselvi de Joinville, pois foi o único que abriu turma para o curso quando ela pretendia iniciar, em 2017.

“Foram quase dois meses buscando algum local onde poderia fazer a faculdade, esperando que algum dos campus abrisse a turma. Com o curso, além de ser uma intérprete, posso também exercer a função de professora e conciliar os dois saberes”, afirma.

Lisbete admite que ainda sente falta do ensino de Libras, em todos os setores da sociedade, o que prejudica, e muito, a inclusão. “Poucas pessoas conseguem interagir com os surdos e a situação é ainda mais complicada em escolas públicas. Muitas vezes, o surdo fica muito ligado, e até, dependente demais do intérprete, que acaba sendo a pessoa com quem ele mais se comunica. Isso gera até um dilema de ética, já que o código que rege a profissão diz que se deve evitar ter um contato muito pessoal com o surdo”, pondera.

Por este motivo, ela revela acreditar que o ensino de Libras deve existir desde o início da trajetória da criança na escola, algo curricular, inclusive, por já ter percebido nas crianças uma grande aceitação.”Já presenciei uma cena em que as crianças ficaram encantadas com um professor surdo, que ministrava o curso de Libras, na mesma data de uma entrega de boletins. Elas ficaram fascinadas com ele e queriam se comunicar, o que mostra que elas não tem estranhamento, o que é muito lindo”, conta, emocionada.

Ela também destaca que os surdos, assim como todos os deficientes, também devem ter mais contato fora de casa e da escola. “É da necessidade que surge a iniciativa, então, só haverá mudança quando perceberem a ncessidade. Também defendo que eventos como Jogos Olímpicos e Jasc poderiam pensar em reunir atletas normais e deficientes, cada um em suas categorias, mas em um mesmo evento. Se a educação e a sociedade precisam se adaptar, por que não o esporte?”, questiona.

 

Notícias relacionadas