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O simples que se transforma em refinado

Artista plástica Silvana Pujol completa 55 anos de profissão, em 2018, e fala sobre planos futuros e novos projetos e de sua história na arte, que começou quando Silvana tinha apenas sete anos de idade e negociou o seu primeiro ovo, com a mãe de uma colega de escola

18 de outubro de 2018

Cinco décadas e meia. Esse é o tempo que a arte é praticamente a vida da artista plástica Silvana Pujol. Seu trabalho é conhecido nacional e internacionalmente, pela leveza e precisão dos traços nas pinturas de casquinhas e ovos. 

Tudo começou quando Silvana tinha apenas sete anos de idade e negociou o seu primeiro ovo, com a mãe de uma colega de escola. Antes disso, pintar os ovos era como uma brincadeira, que começou na casa da avó. Quando faltava cerca de um mês para a chegada da Páscoa, ela e os primos se reuniam na casa da avó para pintar as casquinhas de avós, e foi ali que o talento de Silvana foi aflorando.

“Justamente por ter descoberto meu talento por causa da tradição da família, sempre busquei, com o auxílio de outras pessoas da cidade, resgatar essa tradição da pintura de casquinhas. E o concurso com os alunos do município ajuda muito para este fim”, relata a artista.

Ela revela que, diversas vezes, já foi questionada sobre passar o seu legado adiante, ensinando seu modo de pintar a alguém, mas que não acredita que seja o ideal, porque cada um tem o seu talento e sua forma de expressá-lo. “Apoio a realização do concurso de casquinhas porque acredito que sempre precisamos de novos talentos. A liberdade para criar o seu ovo é algo tradicional, desde a época dos imigrantes é assim, por isso, acredito que todos devem se expressar da maneira como se sentem melhor”, afirma.

Com mais de meio século dedicado à arte, Silvana afirma que se sente muito realizada com tudo o que já conquistou. A artista carrega o nome de Pomerode e representa as tradições mantidas da Páscoa no Brasil e no exterior e acumula inúmeras histórias para contar. “Uma das realizações da minha vida é poder ver a Páscoa crescendo e, mais importante, mantendo a tradição e a religiosidade em Pomerode, valorizando as tradições familiares, de estarem todos juntos. Sempre passei a Páscoa na casa da minha avó e, por isso, acredito que a Páscoa é família”, ressalta a artista plástica.

E, falando na casa da avó, Silvana revela seu próximo passo relacionado à arte. “Meu desejo, agora, é reabrir o meu ateliê na casa da minha avó, em Testo Alto, pois foi ali que começou toda minha trajetória na arte. Esse é meu objetivo agora”, conta Silvana. Mas um outro plano também foi colocado na agenda da artista, já que Pomerode busca, para a próxima Páscoa, conquistar mais um recorde mundial: o de maior ovo pintado do mundo.

“Este ano eu recebi o convite da Avip para fazer o desenho do ovo e, inclusive, como já tenho a experiência, já consigo visualizá-lo pronto. Isso também me deu uma ideia, que virou mais um sonho: montar um ateliê fora da minha casa, em formato de ovo gigante, tudo pintado, que fosse não só um local de trabalho, mas que ficasse depois para o município, como algo que todos pudessem ter acesso. Nesse local, também já imagino dois ovos menores junto, com mais duas salas, onde dois jovens, por ano, teriam a oportunidade de mostrar seu trabalho”, comenta a artista, animada, reforçando o desejo de que fosse também em Testo Alto, onde tudo começou.

Um compromisso que Silvana reafirmou é com a continuidade de sua maneira simples de fazer arte, sem precisar de materiais caros e inúmeros pincéis. “Sempre pintei da maneira mais simples possível, uso apenas dois pincéis e não preciso de luxo para fazer o que eu gosto. Sinto-me honrada por ter conquistado o que conquistei dessa forma”, finaliza.

 

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