Aventura sobre duas rodas
Professor blumenauense percorre mais de 10 mil quilômetros pelo país e tem Pomerode como ponto de chegada. Agora, de acordo com o professor, os planos são bem mais simples, como morar no interior e tentar levar uma vida mais calma
10.630 quilômetros. 154 dias. 16 estados e inúmeras cidades visitados. Este é um resumo da aventura do professor e biólogo Pedro Bertelli, de 62 anos, que praticamente cruzou o País de bicicleta, conhecendo diversas culturas e modos de viver.
Sua aventura teve como ponto de partida a cidade onde reside, Blumenau, no dia 09 de fevereiro. De Blumenau, seguiu para o Sul, em direção ao Chuí. De lá, começou a “subir” o País, voltando para Santa Catarina, seguindo pelo litoral até Belém, no Pará, depois Macapá e Palmas, onde chegou ao seu limite. Da capital do Tocantins, veio de ônibus até Curitiba.
“Acabei tendo alguns problemas físicos, devido ao excesso de troca de marchas, o que me impossibilitou de seguir pedalando até meu destino final, Pomerode. Uma das dificuldades é que, às vezes, precisava parar antes, porque os locais de parada eram muito mais distantes, ficando exaustivo chegar até eles. Isso fazia com que eu não aproveitasse o dia totalmente”, relata.
Outra dificuldade, segundo Bertelli, são as estradas, que nem sempre são planas, como o ideal, têm muitas ondulações, subidas e descidas, além de não ter acostamento em muitos locais.
“Podemos considerar que há três categorias básicas de acostamento: acostamento bom, em cerca de 20% do que eu pedalei, cerca de 40% asfalto ruim, não agradável para pedalar, e uns 40% praticamente sem acostamento, com pouco acostamento ou estrada de chão, ou sem nenhum acostamento, o que torna tudo muito mais difícil, demorado e até perigoso”.
O biólogo também fala sobre o obstáculo que são as pontes estreitas, onde tem que parar, esperar o tráfego passar e, depois, atravessar a ponte. Porém, mesmo com os empecilhos, Bertelli não teve nenhum acidente com outro veículo, apenas pequenas quedas, principalmente, em terrenos irregulares.
Mas, mesmo com as dificuldades no caminho, Bertelli guarda uma série de boas recordações da viagem, principalmente lugares que possuem uma beleza fora do comum, segundo o biólogo. “Gostei muito dos morros rochosos da Bahia, de Minas Gerais. Outro ponto interessante é Barreirinhas, no Maranhão, onde começam os lençóis maranhenses, que tem a estrada muito ruim, mas um visual lindo, com as dunas. Sem contar locais como a Praia da Iracema, Fortaleza, Praia dos Reis Magos e cidade histórica de São Luiz. Também destaco a viagem de barco de Belém a Macapá, muito interessante, cruzando a Bacia do Rio Amazonas e muitas ilhas, onde podemos ver uma realidade muito diferente. Por exemplo, as crianças daqui ganham bicicletas; lá, ganham pequenas canoas, porque vão de um lugar para outro com elas. Deparei-me com várias situações muito diferentes”, relata.
Por ser um biólogo, Bertelli também reparou muito em questões que estão diretamente ligadas à sua área de atuação, como relevo, vegetação, fauna e flora. Ele explica que a fauna é parecida com a que temos no Sul, em alguns pontos, mas é interessante a fauna nativa das regiões Norte e Nordeste, com Macacos-de-Cheiro, Perirquito-Rei, que aqui só temos no zoológico, e lá existem em grande quantidade.
Bertelli comenta que essa foi a viagem de bicicleta mais longa que já fez, e que foi muito produtiva. “O novo impressiona, para o bem ou para o mal, mas o costume de chegar aqui e ver tudo limpo, pessoas em boas condições de vida, com alimentação de qualidade, nos torna gratos. Também foi muito bom ouvir as diversas pessoas passando por aqueles locais. Tanto nós, que vamos para lá, como quando eles vêm para cá, não acham nada melhor do que retornar à sua terra, por mais que viajar seja muito bom”.
Agora, de acordo com o professor, os planos são bem mais simples, como morar no interior e tentar levar uma vida mais calma.