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A herdeira dos pioneiros

Filha dos fundadores conta a história do grupo, sob a perspectiva de quem viu o sonho se tornar realidade. Confira mais uma matéria do Especial de Comemoração aos 50 anos do Alpino Germânico

30 de setembro de 2018

Com um sorriso cativante, Dona Heide Goede, de 79 anos, filha dos fundadores Linda e Francisco Zmazek, conta que, para os pais, o grupo era tudo, e que vivam por ele. Antes de fundarem o Alpino Germânico, já usavam os trajes e dançavam em clubes de São Paulo, cidade em que se conheceram. Zmazek, nascido em 1911, era natural de uma pequena cidade da Áustria e veio para o Brasil com sua tia, quando tinha 14 anos. O casal veio, anos depois, com seus filhos Francisco Júnior e Heide, para Pomerode, para ele trabalhar na Porcelana Schmidt.

Já em Pomerode, Linda, que tinha conhecimentos sobre a área, abriu uma loja de tecidos. As vendas da loja da família Zmazek cresceram tanto, que Linda não conseguia manter a loja e ir a São Paulo buscar mais produtos. Para ajudar a esposa, Zmazek acabou saindo da empresa de porcelana e, anos depois, Heide conta que também foi ajudar a mãe na parte da costura. Seu irmão mais velho, Francisco Zmazek Júnior, estudou em um colégio interno e se formou na Aeronáutica, era o maior orgulho do pai. Logo após a formatura, ele foi transferido para o estado do Ceará, onde, no ano de 1960, em um acidente ocorrido com um caminhão, ele veio a óbito, o que deixou o pai extremamente abalado. 

Anos depois, o casal criou o grupo por amor à dança e à cultura, e em lembrança ao filho. O grupo foi criado em Testo Salto, de onde vinham a maior parte dos integrantes. Linda nunca chegou a ser dançarina, mas costurou os trajes e, junto do marido, ensaiou os dançarinos, já que o casal já conhecia as músicas e as danças. O pai de Heide era um dos músicos e tocava violão. Toda a parte de trajes, músicas e danças foram organizadas pelo casal. O grupo realizou diversas apresentações em nossa região e em outros estados, já que era o único de origem germânica em nossa região. Anos depois, por uma sugestão do então prefeito Eugênio Zimmer, o grupo se transferiu para Pomerode, de onde vinha a maior parte dos integrantes. Heide conta que não teve muita participação na fundação, mas acompanhou de longe a concretização do sonho do pai. “Meu pai amava esse grupo acima de tudo, mesmo quando não podia mais dançar, acompanhava o trabalho deles. Ele ficaria orgulhoso vendo como o grupo está hoje”, afirmou Heide. Até hoje, Heide guarda o violão e a Lederhose (calça de couro) do pai como uma forma de manter vivas as suas lembranças.

 

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