Um dia após ser solto, Knaesel é entrevistado pelo JP
Pouco mais de 24 horas após sua soltura, o ex-deputado estadual Gilmar Knaesel concede entrevista exclusiva e fala sobre ação que culminou em sua prisão
Foi no fim da tarde de 13 de junho que a notícia da prisão do ex-deputado estadual Gilmar Knaesel surpreendeu pomerodenses e catarinenses. A ação foi resultado de uma operação da DEIC, de Florianópolis. Na sequência, o ex-parlamentar foi encaminhado ao Presídio Regional de Itajaí, onde permaneceu até o dia 21 de junho.
E na noite de quarta-feira, 22 de junho, pouco mais de 24 horas após sua soltura, Gilmar Knaesel recebeu a equipe de jornalismo do Jornal de Pomerode e da Rádio Pomerode, na capital catarinense, para uma entrevista exclusiva.

Foto: Mani Goede
Confira na íntegra o conteúdo do encontro
Jornal de Pomerode (JP) – Gilmar, como você se sente hoje ao retornar à sua residência, novamente em liberdade?
Gilmar Knaesel (GK) – Primeiramente, eu quero dizer que, para mim, após ter passado por um momento difícil, receber vocês, da minha cidade, é um momento também importante para poder esclarecer alguns fatos e, acima de tudo, é um momento que, em parte, a justiça já foi reestabelecida com a decisão do Tribunal de Justiça, através da Câmara Criminal, onde os desembargadores, por unanimidade, votaram e deram parecer que o ato que culminou na minha prisão foi extremamente inconstitucional, que não tinha razões de ser.
JP – Quais foram os motivos reais que culminaram na sua prisão?
GK – É uma boa pergunta e difícil de entender. Na verdade, o motivo da minha prisão é obstrução de justiça.A alegação é de que eu estaria obstruindo a justiça com um telefonema que recebi de uma pessoa, no qual ela me pede ajuda – e todos me conhecem e sabem do meu espírito de sempre estar à disposição e querer ajudar. Falei para a pessoa que ela tinha que tirar uma cópia do seu processo para encaminhar ao advogado e isso acabou sendo razão fundamental de obstrução à justiça para o delegado poder pedir minha prisão.
JP – Em algum momento passou pela sua cabeça que o envolvimento do seu nome em processos judiciais administrativos fossem levá-lo à prisão?
GK – Absolutamente. Todos que me conhecem, especialmente de Pomerode, sabem da minha história, a da minha família, a do meu comportamento ético em todos os momentos em que entrei na vida política herdada com meu pai. Também aprendi com meu ex-sogro, seu Rudolfo, com a Gladys, com todo mundo, que entramos na política para servir, para ajudar a fazer o bem. Jamais imaginei ter que passar por esse constrangimento por apenas ajudar, querer fazer a boa política.
JP – O senhor falou em obstrução da justiça. Você chegou a dar algum depoimento sobre o caso antes de ser preso?
GK – Sim. Existe, no caso específico, um inquérito que foi aberto em 2013 com uma suposta irregularidade de uma entidade. É bom esclarecer isso, que ao longo dos anos em que fui secretário do estado, mais de oito mil entidades, oito mil convênios foram assinados em Turismo, Cultura e Esporte e, claro que, a exemplo de tantos, algumas entidades tiveram problemas em suas prestações de contas. Tudo isso sempre foi muito bem esclarecido junto ao Tribunal de Contas, de que a minha participação na liberação dos recursos é uma parte do processo, em que a responsabilidade de aplicar bem os recursos cabe a entidade que os recebe. Então, administrativamente, todos os processos sempre foram assim. Causou estranheza neste fato, querer juntar erros administrativos com desvio de dinheiro público, que não aconteceu da minha parte, não aconteceu por parte da Secretaria em momento algum.
JP – E qual é a sua versão sobre os fatos?
GK – É essa aí. Estou estarrecido ainda, tentando me recompor graças ao apoio dos amigos, da família. Quero deixar muito claro o apoio especial das pessoas que me conhecem, não só de Pomerode, como em todo o estado, que tem prestado solidariedade. O meu partido, PSDB, a nível estadual e municipal, que tem me dado muita força nessa hora, para buscar energias, novamente, para um recomeço.
JP – Anteriormente a este fato, quando circulava no âmbito municipal a forte intenção de sua candidatura à prefeitura de Pomerode nas próximas eleições, falava-se nos bastidores do seu impedimento legal. Esse impedimento estava relacionado às acusações atuais ou a outros fatos?
GK – Nada a ver uma coisa com a outra. Afinal de contas esse é um processo que está ainda na fase de instrução, não houve julgamento nenhum. A minha prisão foi preventiva de obstrução à justiça. Eu não fui condenado, não tenho condenação nenhuma, então não se pode relacionar a isto. Eu já expliquei várias vezes, a entendimento do TRE da última eleição, foram multas do Tribunal de Contas. Eu tenho multas administrativas. Afinal, foram mais de oito mil convênios. Erros administrativos foram cometidos, que não são penalidades de desvio de dinheiro, de má fé ou dolo, dano ao erário. São infrações administrativas, são multas do Tribunal de Contas por, às vezes, faltar uma assinatura, uma publicação, um parecer. Na velocidade em que a Secretaria funcionava, erros de funcionários ou gerentes, e eu, como cordenador, acabei sendo penalizado com multas. A exemplo de entidades de Pomerode, todos conhecem alguns clubes, sociedades, que receberam recursos também e que tiveram algum problema na prestação de contas, mas que, em momento algum, ensejou desvio de dinheiro ou má aplicação de dinheiro público, apenas erros administrativos. Não tem uma coisa a ver com a outra, não há nenhum impedimento. Seria impedido de concorrer a qualquer eleição se eu tivesse alguma condenação em segundo grau e eu não tenho condenação alguma em segundo grau. Tenho outros tipos de ações, mas todas elas sendo colocadas dentro do direito de defesa e que ainda estão na fase de instrução.
JP – Além das investigações judiciais e administrativas, o senhor acredita que sua prisão possa ter, por trás, intenções políticas.
GK – Tudo é muito estranho ainda, mas não quero acreditar nessa hipótese. Eu sempre tratei a todos com respeito. E o exemplo está agora na nossa cidade, onde tinha ainda uma reserva orçamentária de quando deputado em 2014. Foi a emenda liberada ao nosso hospital de R$600mil, aproximadamente, que o Secretário liberou recentemente para a finalização do novo centro cirúrgico. Eu também tinha uma reserva orçamentária de R$1 milhão, como crédito na época de deputado. O governador agora a liberou e nós, através do meu partido, procuramos o prefeito e doamos esta emenda para a Prefeitura, que escolheu livremente uma rua para ser asfaltada, na qual beneficiou uma via em Pomerode Fundos, que mostra, mais uma vez, o meu espírito público de sempre ajudar, colaborar, sem discriminar partidos, pessoas ou qualquer instituição. Quero deixar claro meu respeito ao Ministério Público, à Polícia Civil, ao Tribunal de Justiça de SC, que sempre respeitei e nos momentos em que fui chamado, enquanto deputado estadual, para auxiliar em atendimento a alguma lei, sempre fui prestativo.
JP- Daqui para frente, Gilmar, quais os passos que você pretende dar para comprovar sua inocência?
JP – Os passos já estão dados. Os advogados estão fazendo a defesa, estão trabalhando. Tanto que o habeas corpus que foi impetrado teve sucesso muito rápido. E agora vamos partir para mostrar todos os erros que aconteceram durante os procedimentos, que vai culminar, com certeza, com a verdade.
JP – Os momentos que você passou recentemente, acredita que lhe fortaleceram ou enfraqueceram na política?
GK – Não sei fazer essa avaliação, não gostaria de fazê-la. Estou com a minha consciência muito tranquila. Todos os pomerodenses que me conhecem, sabem da minha história e também a do meu pai, de dedicação à vida pública, às pessoas em seus momentos de dificuldade, sempre estivemos à disposição. Não só eu, mas meu partido PSDB também, a Gladys como nossa presidente, enfim, eu fiz da vida pública um sacerdócio. Isso me custou muitos problemas, isso é inerente a função, mas sempre sabendo que o resultado era ajudar as pessoas, minha cidade. Então, não sei fazer essa avaliação, do resultado disso. Irei fazê-lo também, juntamente com meu partido, com meus amigos, com as pessoas. Com a consciência tranquila, quem me conhece sabe que, em momento algum, alguém pode apontar um dedo para a falta de ética ou algum ato lesivo que possa ter cometido durante meus mandatos como deputado, como secretário ou como presidente da Assembleia Legislativa, onde há um reconhecimento de todos os funcionários da Alesc, como uma das melhores gestões e, também, na área de esporte, turismo e cultura. Andem por aí, por SC, e perguntem para todas as entidades tanto de esporte, turismo, quanto de cultura, se alguma vez, para aprovar algum projeto, alguém teve que efetuar algum tipo de ação que não fosse ética. Quanto ao futuro, a Deus pertence. Meu desejo nesse momento é buscar energias junto aos verdadeiros amigos e familiares para recomeçar e provar a minha inocência, também nesse caso.
JP – Nesse momento, o senhor fala em recuperação, em trabalhar em nome de sua defesa. Existe, então, a possibilidade de dizer que seu nome também está à disposição do PSDB e da cidade de Pomerode para o próximo pleito?
GK – É muito cedo avaliar isso, cabe também muito ao meu partido. Temos grandes nomes. Além do meu, a Gladys, o Chico, o Rafael, nossos três vereadores, temos tantos nomes dentro do partido que podem ser candidatos a prefeito ou vice-prefeito. Também com os partidos com os quais já temos conversado sobre coligação, o PP, o DEM, o PSD, com quem nós temos afinidades históricas. E também não excluo a história de todos eles, onde todos os partidos tem nomes. Estamos a 24 horas de um dos episódios mais difíceis da minha vida, além da perda do meu pai com 24 anos de idade e da perda da minha irmã, com 17 anos. Mas, com certeza, este eu jamais pensei em ter que passar e estou tentando buscar energias para me recompor.
JP – Foi possível tirar algum aprendizado dessa situação toda, Gilmar?
GK – Também não tenho ainda isso em mente. Muita coisa passou pela minha cabeça nesses últimos sete dias. Imaginem passar por isso, por esse constrangimento, arbitrariedades, tratamentos difíceis. Só espero que Deus ilumine a Justiça catarinense, a qual confio, que nenhuma outra pessoa seja injustiçada ou que passe por isso, como passei, sem ter nenhum motivo. A decisão do Tribunal foi muito clara, que não havia motivos legais para isso e nenhum outro fator. Então, só desejo que isso não aconteça com nenhum outro catarinense, porque é difícil.