Estado

Ministério Público denuncia pai por sequestro, feminicídio e ocultação de cadáver de adolescente em SC

Acusação aponta que o crime teria sido cometido em contexto de violência doméstica e pede indenização mínima de R$ 100 mil à família da vítima.

15 de fevereiro de 2026

Foto: Divulgação/PCSC

O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) denunciou o pai da adolescente Isabela Miranda Borck, de 17 anos, pelos crimes de sequestro qualificado, feminicídio e ocultação de cadáver. A jovem estava desaparecida desde 30 de novembro de 2025, em Itajaí, e foi encontrada morta no dia 16 de janeiro de 2026, em uma área de mata no município de Caraá (RS).

Isabela Miranda Borck estava desaparecida desde 30 de novembro de 2025; corpo foi encontrado em 16 de janeiro de 2026 a 470 km do local onde foi vista pela última vezFoto: Reprodução/Redes sociais

A denúncia foi apresentada pela promotora de Justiça Micaela Cristina Villain, da 1ª Promotoria de Justiça de Itajaí. Segundo o MPSC, o acusado teria utilizado um dispositivo de eletrochoque para ameaçar e dominar a vítima antes de colocá-la em um veículo e levá-la a um local ermo na zona rural do município.

De acordo com a acusação, entre a madrugada de 30 de novembro e 1º de dezembro, o homem teria matado a filha. O MPSC sustenta que o crime teria sido cometido por motivo torpe, em vingança por uma condenação criminal anterior imposta ao denunciado por crimes sexuais praticados contra a própria adolescente.

A denúncia aponta ainda o emprego de meio cruel e de recursos que dificultaram a defesa da vítima, como a imobilização com abraçadeiras plásticas e o uso de fita adesiva.

Após o homicídio, o acusado teria transportado o corpo até um sítio de sua propriedade, no município de Caraá (RS), onde teria ocultado o cadáver em uma valeta em área de mata fechada, cobrindo-o com lona e pedras.

O acusado foi detido em 18 de dezembro de 2025, no Mato Grosso do Sul, em ação conjunta das polícias civis, e posteriormente transferido para Santa Catarina, onde permanece à disposição da Justiça. O homem, de 53 anos, já havia sido sentenciado a 16 anos e quatro meses de prisão por estupro, e a vítima possuía medida protetiva contra o pai.

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O MPSC enquadrou a conduta também sob a égide da Lei Henry Borel e requereu o recebimento da denúncia, a submissão do réu a julgamento pelo Tribunal do Júri e a fixação de indenização mínima de R$ 100 mil à família da vítima, a título de reparação pelos danos causados.

“Acompanhamos este caso desde o registro do desaparecimento da adolescente. Foi uma investigação dolorosa, que revelou uma sequência de violências extremamente graves dentro do próprio ambiente familiar. A denúncia apresentada pelo Ministério Público representa um passo essencial para a busca de justiça e para a proteção de meninas e mulheres em situação de violência”, destacou a promotora Micaela Cristina Villain.

O processo segue em tramitação e ainda não há data definida para o julgamento.

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