Consultas regulares ao veterinário garantem mais saúde aos pets
De exames preventivos a cuidados pós-viagem, rotina anual de acompanhamento é essencial para detectar doenças silenciosas e preservar o bem-estar dos pets
Foto: Envato Elements
Manter consultas regulares ao veterinário é uma das principais medidas para garantir a saúde e a longevidade de cães e gatos. Embora muitas vezes os tutores procurem atendimento apenas diante de sinais evidentes de doença, a prevenção continua sendo o melhor caminho para evitar complicações sérias e fortalecer o bem-estar dos animais de estimação.
É o que explica a médica veterinária Fabiana Guenther, da Tier Haus Clínica Veterinária, que reforça: a frequência ideal das consultas varia, principalmente, de acordo com a faixa etária do pet.
Para animais adultos e saudáveis, uma consulta ao menos uma vez por ano costuma ser suficiente. Esse momento geralmente coincide com a vacinação anual, que, embora não substitua uma consulta completa, permite que o veterinário faça um exame físico detalhado, avalie peso, observe mudanças comportamentais e identifique sinais iniciais de problemas.
“É durante a vacinação que o tutor costuma relatar pequenas queixas: perda de peso, alteração na alimentação, coceiras ou mudanças de comportamento. E muitas vezes é ali que iniciam as descobertas”, explica Fabiana.
O acompanhamento de peso, embora simples, é essencial. Oscilações podem indicar desde parasitoses até doenças metabólicas.
Idade e exames complementares: a atenção precisa aumentar
A partir dos sete anos, o animal já entra na fase adulta para idoso. Nesse momento, Fabiana recomenda a realização de um exame de sangue para estabelecer uma “base” de como o organismo do pet funciona quando ele está saudável. Essa referência será fundamental para avaliar mudanças futuras.
Depois disso, o exame pode ser repetido a cada dois ou três anos, até que o pet complete cerca de dez anos. A partir dessa idade, que marca o início da fase sênior, os cuidados devem ser intensificados:
* Exames anuais de sangue
* Ultrassom abdominal, quando necessário
* Avaliação periódica para doenças silenciosas
“Dos dez aos doze anos é quando normalmente começam a aparecer pequenas alterações. Quanto mais cedo identificamos, maior a qualidade de vida que conseguimos proporcionar”, destaca a veterinária.
Doenças silenciosas: renais e hepáticas lideram entre os perigos escondidos
Entre as doenças que podem ser descobertas precocemente em consultas de rotina, Fabiana aponta principalmente as doenças renais – especialmente graves em cães, embora gatos convivam melhor com elas – e as alterações hepáticas.
Os exames laboratoriais também detectam anemia, infecções e outras condições, mas essas costumam ser mais perceptíveis no dia a dia. “As doenças mais silenciosas são justamente as que o tutor não percebe. Quando os sintomas aparecem, às vezes a doença já está avançada”, explica.
Por isso, segundo ela, o acompanhamento preventivo é fundamental para prolongar não apenas a vida do animal, mas a qualidade dessa vida.

Dra. Fabiana Guenther. (Foto: Isadora Brehmer / JP)
Após viagens, atenção redobrada com parasitas
Para quem viaja com pets durante o período de férias, especialmente em ambientes como sítios, praias ou locais muito diferentes da rotina do animal, alguns cuidados adicionais são recomendados.
Entre eles:
* Aplicação de antipulgas antes da viagem
* Repetição da aplicação depois do retorno
* Vermífugo, preferencialmente após a viagem, devido à exposição a água, solo ou alimentos diferentes
* Observação geral do comportamento do pet
“Não é que o animal necessariamente fique doente porque viajou, mas ambientes diferentes podem expô-lo a parasitas ou situações às quais ele não está habituado”, comenta Fabiana.
Ela alerta que o controle de pulgas e vermes não serve apenas para proteger o pet, mas também os tutores. Um exemplo disso é a doença da arranhadura do gato, causada por uma bactéria presente nas fezes da pulga, que ficam presas nas unhas do felino e podem ser transmitidas ao arranhar uma pessoa.
Cuidados contínuos que os tutores podem manter em casa
Além das consultas e da vacinação anual, Fabiana ressalta alguns cuidados básicos que devem fazer parte da rotina dos tutores:
* Vermífugo semestral para animais adultos
* Controle periódico de pulgas e carrapatos, que pode variar de mensal a trimestral
* Monitoramento de peso
* Observação diária de comportamento e apetite
Esses cuidados, segundo ela, também são importantes para prevenir zoonoses. “As pessoas às vezes dão vermífugo para o pet, mas esquecem de tomar elas mesmas. Não precisa ser matéria da consulta, mas sempre lembramos: o cuidado é para todos.”
Raças exigem atenção? Só quando há sinais clínicos
Embora algumas raças tenham predisposição para doenças cardíacas ou genéticas específicas, Fabiana reforça que a clínica é soberana: sem sintomas, não há necessidade de exames complexos e frequentes. A prioridade é o acompanhamento regular e atento.
Para a veterinária da Tier Haus, a mensagem principal é simples, mas decisiva: não esperar os sintomas aparecerem. “A consulta anual já permite identificar muita coisa. Quando detectamos cedo, conseguimos intervir melhor, acompanhar de forma adequada e prolongar a qualidade de vida do pet”, afirma.