Problemas de visão em pets exigem atenção e diagnóstico precoce
Veterinário alerta para sintomas oculares em cães e gatos e reforça a importância de exames regulares, especialmente em raças predispostas
Foto: Envato Elements
Problemas de visão não são exclusividade dos humanos cães e gatos também podem desenvolver diversas doenças oculares, muitas vezes de forma silenciosa. De acordo com o médico-veterinário Eduardo Bortoncello, da Tier Haus, é fundamental que os tutores fiquem atentos aos primeiros sinais de incômodo nos olhos dos animais, pois o diagnóstico precoce faz toda a diferença no tratamento.
Segundo o especialista, um dos sinais mais comuns é o piscar constante ou lacrimejamento excessivo. “O animal pode apresentar desconforto, vermelhidão na parte branca do olho e, em alguns casos, até coçar a região com as patas, o que pode agravar o problema e causar perfuração da córnea”, explica.
Raças predispostas e necessidade de acompanhamento
Bortoncello destaca que algumas raças exigem acompanhamento oftalmológico mais frequente. Cães como Pug, Lhasa Apso, Shih Tzu e Bulldog possuem características anatômicas que favorecem o surgimento de doenças oculares. “Esses animais têm o globo ocular mais proeminente e, em alguns casos, os pelos podem encostar no olho, causando irritação e até ceratite pigmentar, quando a córnea começa a escurecer”, observa.
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Para esses casos, o ideal é realizar consultas a cada seis meses. Já animais com doenças metabólicas, como diabetes ou hipertensão, também precisam de acompanhamento regular, já que esses problemas podem afetar a visão.
Doenças mais comuns
Entre os diagnósticos mais frequentes estão a ceratoconjuntivite seca, conhecida como “olho seco”, quando há deficiência na produção de lágrimas, e a ceratite pigmentar. Outras condições comuns, especialmente em raças de focinho achatado, são as úlceras de córnea, provocadas por pelos mal posicionados ou pela condição de dormir com os olhos parcialmente abertos.
“Em alguns casos, é necessária uma cirurgia chamada blefaroplastia, para reduzir a abertura das pálpebras e proteger o olho. Em outros, o uso de colírios lubrificantes pode ser suficiente”, explica o veterinário.
O tratamento depende da origem e da gravidade do problema. “Doenças das pálpebras, como cílios ectópicos ou distiquíase, geralmente exigem cirurgia, seguida de uso de antibióticos. Já úlceras superficiais podem ser tratadas apenas com medicamentos”, detalha Bortoncello.

Foto: Isadora Brehmer / JP
Em casos mais avançados, como ceratites severas, pode ser necessária uma ceratectomia, procedimento cirúrgico que remove parte da córnea e a protege com enxerto.
Catarata e glaucoma também afetam os animais
Doenças conhecidas entre humanos, como catarata e glaucoma, também aparecem com frequência em cães. A catarata, segundo o veterinário, pode ser causada por inflamações oculares, traumas, distúrbios metabólicos, como diabetes, ou mesmo pelo envelhecimento. “Assim como nas pessoas, a lente do olho do animal perde elasticidade com a idade, favorecendo o surgimento da catarata”, explica.
Engana-se quem pensa que apenas animais idosos podem ter problemas de visão. Filhotes também estão sujeitos a doenças oculares, como o “blue eye”, inflamação da córnea provocada pela hepatite viral canina, e o edema congênito de córnea, de origem genética. “Nesses casos, o olho do filhote fica azulado e a visão é comprometida desde cedo”, destaca.
Alimentação, prevenção e vacinas
Uma alimentação equilibrada é essencial para manter a saúde ocular dos pets. Dietas desbalanceadas podem causar distúrbios metabólicos e até doenças como a distrofia de córnea, que provoca manchas na superfície do olho.
Além disso, a vacinação tem papel preventivo. Em cães, a vacina contra o adenovírus (hepatite viral) ajuda a evitar problemas oculares; em gatos, imunizantes contra o herpesvírus felino e o cálcivirus previnem doenças que afetam a conjuntiva e causam secreção e sensibilidade à luz.
O veterinário reforça que qualquer sinal de desconforto ocular deve ser avaliado rapidamente. “Se o animal está piscando, lacrimejando ou com fotofobia, não espere. Leve ao veterinário. Muitas vezes, quando o tutor tenta tratar por conta própria, com colírios indicados por vizinhos, o olho já está em estado avançado e pode ser perdido”, alerta.
Traumas, brigas ou contato com produtos químicos também merecem atenção imediata. “Mesmo que pareça algo leve, é importante fazer uma avaliação profissional. Às vezes, o problema só aparece no dia seguinte”, completa.
Para Bortoncello, o principal cuidado é a observação atenta. “O tutor que conhece bem seu animal percebe rápido quando algo não está normal. E, nesses casos, agir cedo pode salvar a visão e evitar muito sofrimento.”