Você sabe o que é Near Miss Materno? SC passa a exigir notificação obrigatória dos casos graves
Nova portaria da Secretaria da Saúde inclui o Near Miss Materno na lista de doenças de notificação compulsória e reforça a vigilância para reduzir mortes maternas evitáveis
Foto: Banco de imagens
Já ouviu falar em Near Miss Materno (NMM)? O termo, definido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), descreve mulheres que quase morreram, mas sobreviveram a complicações graves durante a gestação, o parto ou até 42 dias após o término da gravidez. Essas situações são consideradas “quase mortes maternas” e representam um importante marcador da qualidade da assistência obstétrica.
De acordo com a OMS, o Near Miss Materno ocorre quando há disfunção ou falência orgânica que poderia levar ao óbito, mas a mulher sobrevive graças à intervenção médica oportuna e eficaz. As causas mais comuns incluem hemorragias, infecções, hipertensão grave e outras complicações obstétricas.
Segundo especialistas, o monitoramento desses casos ajuda a identificar falhas e acertos do sistema de saúde. Se a complicação é detectada a tempo e o atendimento é adequado, a paciente tem grandes chances de sobreviver. Por outro lado, quando uma gestante chega aos serviços de referência em estado de gravidade extrema, isso pode indicar desorganização ou demora no atendimento.
Casos de Near Miss Materno passam a ser de notificação obrigatória em SC
Com o objetivo de fortalecer a vigilância e reduzir mortes maternas evitáveis, a Secretaria de Estado da Saúde (SES) incluiu os casos de Near Miss Materno na lista estadual de agravos e doenças de notificação compulsória.
A mudança consta na Portaria SES nº 1336, de 3 de outubro de 2025, publicada no Diário Oficial do Estado, acompanhada de uma Nota Técnica que define como a notificação deve ser feita.
De agora em diante, todo profissional de saúde que prestar assistência – ou tiver acesso às informações da paciente – deverá notificar obrigatoriamente os casos. A medida permitirá entender os fatores clínicos e estruturais envolvidos, contribuindo para intervenções rápidas e eficazes em todo o sistema de saúde.
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“A identificação desses casos permite compreender onde o sistema de saúde funcionou bem e onde pode ser aprimorado. A análise detalhada de cada ocorrência contribui para evitar novos episódios graves e, principalmente, reduzir mortes maternas evitáveis. Além disso, o monitoramento do Near Miss Materno serve como um indicador da qualidade da atenção à mulher no ciclo gravídico-puerperal em todos os níveis de atenção”, destacou João Augusto Fuck, diretor da Diretoria de Vigilância Epidemiológica (DIVE/SES).
De acordo com a SES, o Near Miss Materno tem incidência mais alta que a mortalidade materna, e os fatores de risco são semelhantes, o que torna a vigilância essencial para a prevenção de desfechos graves.
Com a implementação da nova portaria e o engajamento das equipes de saúde, Santa Catarina busca assegurar uma maternidade mais segura e melhorar a qualidade da assistência em todas as etapas do ciclo gestacional.
Com informações da Agência de Notícias/Secom e da DIVE – Diretoria de Vigilância Epidemiológica