Alergias no inverno: cuidados vão além do frio e exigem atenção emocional e médica
Veja como identificar as causas dela e os principais sintomas
Jorge Marcelo Dornelles Diehl, médico pneumologista, pós-graduado em Alergia e Imunologia (Foto: Arquivo Pessoal)
No inverno, os casos de alergias costumam aumentar significativamente. Isso se deve principalmente ao fato de que, nesta estação, as pessoas tendem a permanecer mais tempo em ambientes fechados e com pouca ventilação, favorecendo o acúmulo de alérgenos como ácaros, mofo e pólen. Além disso, o ar frio e seco contribui para a irritação das vias aéreas, agravando alergias respiratórias como rinite e asma.
De acordo com o médico pneumologista Jorge Marcelo Dornelles Diehl, pós-graduado em Alergia e Imunologia, a mudança brusca de temperatura também pode desencadear reações alérgicas na pele, como a urticária ao frio. “As alergias no inverno não se limitam às vias respiratórias. A pele, por exemplo, sofre bastante com o ressecamento, e isso pode piorar quadros já existentes ou causar novos sintomas”, explica.
Alergia emocional: o que é e como se manifesta
Um aspecto menos conhecido, mas igualmente importante, é a chamada alergia emocional. Também conhecida como alergia psicossomática, ela se manifesta por meio de sintomas físicos semelhantes aos das alergias tradicionais, mas tem origem em fatores emocionais, como estresse, ansiedade, tristeza ou traumas.
“Embora não haja alérgenos envolvidos, o corpo pode reagir de forma intensa a desequilíbrios emocionais, causando alterações na pele e problemas respiratórios”, afirma Dr. Diehl. Nestes casos, o acompanhamento psicológico ou terapêutico é essencial, além da avaliação médica.
Como prevenir ou amenizar os sintomas alérgicos
Entre as principais formas de prevenção, está a manutenção de ambientes limpos e arejados, mesmo durante o inverno. Evitar objetos que acumulam poeira, como bichos de pelúcia, tapetes e cortinas, é uma das orientações. Também é indicado o uso de capas antiácaros em colchões e travesseiros, além de manter uma rotina de hidratação, alimentação saudável e cuidados com a pele.
No caso das alergias emocionais, é importante observar os sinais do corpo e procurar ajuda especializada para tratar as causas emocionais que podem estar por trás das manifestações físicas.
Atenção aos casos graves: o risco da anafilaxia
Uma das formas mais severas de reação alérgica é a anafilaxia, uma resposta rápida e intensa do organismo a determinados alérgenos, que pode levar à morte se não houver atendimento médico imediato. Os sintomas incluem falta de ar, inchaço, queda da pressão arterial e perda de consciência.
Pacientes que já apresentaram esse tipo de reação devem evitar completamente o alérgeno causador e seguir orientações médicas rigorosas.
Perigos da automedicação e importância do diagnóstico
Muitos pacientes recorrem à automedicação durante crises alérgicas, o que pode ser extremamente perigoso. O uso indiscriminado de antialérgicos pode mascarar doenças mais graves, causar efeitos colaterais, dependência e até intoxicação.
“O diagnóstico correto só pode ser feito por um profissional de saúde. Somente ele poderá identificar a causa real do problema e indicar o tratamento adequado”, alerta o especialista.
Alergias mais comuns e opções de tratamento
Entre as alergias mais comuns estão as respiratórias, como rinite e asma, alimentares, de pele (como urticária e dermatite de contato), além de reações a medicamentos, picadas de insetos e pelos de animais. A rinite alérgica, por exemplo, atinge cerca de 20% da população mundial, segundo a Organização Mundial da Alergia.
Os tratamentos variam de acordo com cada caso, podendo incluir o uso de medicamentos e até imunoterapia – popularmente conhecida como “vacina para alergia” –, que visa reduzir a sensibilidade do organismo aos alérgenos.
Consultar um especialista é fundamental
O acompanhamento médico é essencial para controlar as crises, orientar sobre os cuidados preventivos e, principalmente, garantir qualidade de vida ao paciente alérgico. Em qualquer suspeita de alergia, principalmente se os sintomas forem graves ou persistentes, a busca por ajuda médica deve ser imediata.