Viver com dor não é normal: saiba quando procurar um reumatologista
Reumatologista criado em Pomerode retorna à cidade e fala sobre doenças autoimunes, sinais de alerta, tratamentos modernos e expectativa de atendimento pelo SUS no Hospital Rio do Testo
Foto: João Petrazzini
O médico reumatologista Dr. Augusto Luís Kienen, CRM-SC 42207 e RQE 30785, está de volta a Pomerode para atender a população local. Após mais de uma década de estudos e formação em Curitiba, ele agora integra o corpo clínico do Hospital e Maternidade Rio do Testo. O atendimento atual é realizado de forma particular e por convênios, mas há expectativa de que em breve também seja oferecido pelo Sistema Único de Saúde.
O Hospital informou que aguarda a abertura de credenciamentos para que o profissional possa atuar também pelo SUS.
Da formação à prática
Natural de Pomerode, Dr. Augusto deixou a cidade aos 17 anos para cursar medicina na Faculdade Evangélica do Paraná, em Curitiba. Concluiu residência em clínica médica no Hospital Cajuru e especializou-se em reumatologia no Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná. É titulado pela Sociedade Brasileira de Reumatologia e voltou recentemente à cidade natal com o objetivo de prestar atendimento especializado.
“Escolhi a reumatologia por ser uma área que exige raciocínio clínico apurado e integra diversas partes da medicina. Também há grande demanda e poucos especialistas nessa área”, comenta o médico.
O que trata a reumatologia
A reumatologia é a especialidade médica voltada ao diagnóstico e tratamento das doenças do sistema musculoesquelético e do tecido conjuntivo, especialmente aquelas de origem inflamatória ou autoimune. Entre as mais comuns estão a artrose, fibromialgia, artrite reumatoide, lúpus, gota e espondiloartrites.
“Nosso papel é diferenciar as causas de dor articular e indicar o tratamento correto. Muitas vezes, cada articulação pode estar doendo por um motivo diferente”, explica Dr. Augusto. Ele acrescenta que o reumatologista também atua em conjunto com outras especialidades, como ortopedia, neurologia e oftalmologia, dependendo do caso.
Quando procurar um reumatologista
Dores persistentes nas articulações, rigidez matinal, especialmente nas mãos, inchaço ou limitação de movimento são sinais que devem levar o paciente a buscar avaliação especializada. O médico explica que esses sintomas podem ser causados por doenças inflamatórias, degenerativas, posturais ou mesmo por sobrecarga mecânica.
“Dor que dura semanas e que piora no repouso merece atenção. É diferente da dor da artrose, que costuma piorar com o uso. Saber diferenciar essas condições é essencial para o tratamento adequado”, alerta.
Doenças autoimunes e predisposição genética
Nas doenças autoimunes, o próprio sistema imunológico ataca estruturas do corpo, como articulações, pele ou órgãos internos. A origem pode estar relacionada a fatores genéticos somados a gatilhos ambientais, como estresse, infecções virais, sedentarismo, poluição e alimentação inadequada.
“Já são conhecidos mais de 30 genes relacionados a doenças como lúpus e artrite reumatoide. Ter histórico familiar aumenta o risco, mas não determina que a pessoa vá desenvolver a doença. Por isso, hábitos saudáveis e acompanhamento médico são importantes”, orienta.
Diagnóstico e tratamentos
O diagnóstico envolve exame físico, histórico clínico detalhado e, quando necessário, exames laboratoriais e de imagem. O tratamento pode incluir fisioterapia, mudanças no estilo de vida, uso de anti-inflamatórios, imunossupressores e, em casos mais graves, medicamentos imunobiológicos.
“Essas medicações têm alto custo e, em muitos casos, o acesso depende do fornecimento via Sistema Único de Saúde. São tratamentos que podem custar dezenas de milhares de reais por mês, mas o SUS oferece gratuitamente para os pacientes que se enquadram nos critérios, por meio de protocolo médico”, explica Dr. Augusto.
A realidade do SUS
Atualmente, o atendimento público em reumatologia ainda enfrenta dificuldades, principalmente no tempo de espera para consultas. Algumas regiões fazem triagens para priorizar os casos mais graves, mas nem todos os municípios têm essa estrutura.
“No caso de Pomerode, o atendimento pelo SUS ainda está em processo de estruturação, mas o hospital já se prepara para receber esse público assim que os trâmites forem concluídos”, informa.
Fibromialgia, artrose e confusões comuns
A fibromialgia, por exemplo, provoca dores generalizadas, cansaço e sono não reparador, mesmo sem inflamação nas articulações. Já a artrose está relacionada ao desgaste progressivo das articulações e é muito comum a partir dos 50 anos.
“Às vezes o paciente tem mais de uma causa de dor ao mesmo tempo. Cabe ao reumatologista investigar se é artrose, fibromialgia, doença autoimune ou uma combinação entre elas. Também é importante evitar o uso indiscriminado de corticoides. Quando mal utilizados, esses medicamentos podem causar efeitos adversos como osteoporose, catarata e perda muscular.”
Qualidade de vida e prevenção
Embora nem todas as doenças reumatológicas possam ser evitadas, é possível reduzir riscos com uma rotina mais saudável. Entre as medidas recomendadas estão manter o peso adequado, evitar o cigarro, reduzir o consumo de ultraprocessados e manter uma rotina regular de exercícios físicos.
“Não é preciso treinar em excesso, mas atividade física regular ajuda muito na prevenção e no controle das doenças articulares. O ideal é fazer ao menos 150 minutos de exercício por semana”, orienta o médico.
Atendimento em Pomerode
Os atendimentos com Dr. Augusto Luís Kienen estão disponíveis no Hospital e Maternidade Rio do Testo, com agendamento para consultas particulares ou por convênios. O hospital aguarda liberação dos credenciamentos para iniciar também o atendimento pelo SUS.
“Viver com dor não é normal. Mesmo quando não representa um risco imediato, a dor interfere na qualidade de vida e precisa ser investigada. Nosso objetivo é permitir que o corpo seja uma ferramenta de bem-estar e não um fardo diário”, finaliza.