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Depois da tempestade, o sol: o primeiro Dia dos Pais com a filha arco-íris nos braços

Junior Roedel e a esposa, Rafaela Rocha Roedel, falam sobre a emoção da chegada da Manu

27 de setembro de 2025

Foto: Arquivo Pessoal

Neste Dia dos Pais, o significado de ter um filho nos braços ganha contornos ainda mais profundos para Junior Roedel. Ao lado da esposa, Rafaela Rocha Roedel, ele vive um momento de plenitude e gratidão com a chegada da filha Manu — uma bebê arco-íris, como são conhecidos os filhos que nascem após a perda gestacional ou neonatal. Para o casal, ela é mais do que uma criança. É um presente, um recomeço, a luz depois da escuridão.

“Acredito que essa menina seja um presente de Deus, literalmente. Ela veio depois de um tempo conturbado, como se fosse o sol depois de uma tempestade, literalmente”, diz Rafaela. A chegada de Manu trouxe novos significados à rotina do casal.

“Antes da Manu, as coisas tinham outro sentido, as conquistas eram mais pessoais, os passeios mais tradicionais. Depois que conhecemos essa pequena pessoa, algumas coisas se encaixaram melhor: o passeio agora tem um motivo, a casa bagunçada é mais legal, até o carro de família ficou mais interessante que um esportivo. Estranho, mas é legal essa nova fase!”, completa.

A notícia da nova gravidez, após a dor da perda anterior, veio carregada de sentimentos difíceis de descrever. “Talvez eu pudesse responder esperança, mas não acho que seria a palavra certa”, reflete Rafaela. “A Manu veio no momento certo, veio para preencher, para completar, veio para fazer sentido e ser amada, muito amada. A Manu tem seu lugar no coração, como o Vini também terá sempre, embora eu nunca tenha conhecido ele fisicamente.”

A gestação da bebê arco-íris foi vivida com intensidade, entre medos, expectativas e muito amor. Junior admite que o receio o acompanhou durante todo o processo, mas destaca o quanto foi especial viver cada etapa. “Vivemos a experiência intensamente, foi gostoso!”, diz. E brinca: “Até pensei em virar médico!” Mesmo confuso, como ele próprio define, Junior viveu momentos emocionantes ao lado da esposa: “Ouvimos o coração bater, demos risadas vendo os ultrassons, choramos quando os médicos ficavam em silêncio olhando a tela. Eu nunca entendi muito bem os exames, até que a Manu mostrou os cinco dedinhos para a médica. Foi mágico e tenso ao mesmo tempo.”

O nascimento de Manu também foi marcado por emoções fortes. Por não conseguir ver sangue, Junior não acompanhou o parto na sala, mas viveu à sua maneira o momento mais transformador de sua vida. “Acompanhei do quarto, nervoso, andando quilômetros pelos corredores. Vi a Rafa chegando na maca e achei que aquele bolinho de lençóis era uma coberta, mas era minha filha! A primeira vez que encostei nela foi emocionante. Nasceu um pai ali. É estranho, mas você muda. Sua mente muda. Suas vontades agora são outras. Não tem como descrever.”

E, de fato, tudo mudou. “Agora, cada coisa que você faz, você pensa primeiro na pequena, sem exceção. É bom”, resume Junior. A paternidade, para ele, não se resume a aprender — é algo que nasce junto com o bebê. “Talvez não seja ‘aprendizado’, mas um pai treinado por instinto. Nunca segurei uma criança por mais de cinco minutos no colo, e agora até fralda eu troco (risos). Com menos de um mês de vida, sua filha te ensina mais do que você imagina.”

Neste primeiro Dia dos Pais com Manu nos braços, Junior define com uma única palavra: vida. “Uma riqueza que nenhum dinheiro poderia comprar. Talvez ela não lembre desse dia futuramente, mas eu vou lembrar pra vida toda.”

A jornada do casal é também um sopro de esperança para aqueles que vivem o luto e ainda sonham com a maternidade ou paternidade. “Acreditem”, aconselham. “Quando decidimos ser pais, é aceitar que coisas boas aconteçam, mas também se preparar para os tombos. Respirar fundo e entender que vivemos um dia por vez.”

Para Rafaela e Junior, a força do amor familiar foi essencial ao longo de todo o caminho — da dor à renovação. “Fundamental e indispensável, principalmente para o lado materno. Ouvir e falar alivia, e o silêncio às vezes conforta. Precisa haver equilíbrio. A família conta muito para que tudo volte à rotina da melhor forma possível.”

Neste Dia dos Pais, enquanto Manu cresce cercada de amor, Junior descobre, a cada olhar e sorriso da filha, o que significa, de fato, ser pai: “Acho que a paternidade é uma fase que todo menino precisa passar para se tornar homem de verdade. Não que isso seja obrigatório, mas ela te ensina coisas que só sendo pai você consegue notar.”

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