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De Pomerode para Budapeste

O conhecimento da língua alemã não só aproximou Barbara de outras culturas, mas foi essencial para sua carreira

14 de setembro de 2025

Foto: Arquivo Pessoal

A trajetória de Barbara Beatriz Bieging, natural de Pomerode, mostra como a educação sólida e o domínio de um segundo idioma podem abrir caminhos inesperados.

Hoje morando na Hungria e trabalhando como analista SAP, ela relembra a base construída ainda na infância e como o alemão foi peça-chave em cada passo.

Primeiros passos no Colégio Doutor Blumenau

A relação de Barbara com o Colégio Doutor Blumenau começou ainda muito cedo. “Iniciei no Colégio Doutor Blumenau quando ainda tinha 3 anos e meio”, conta. A escola, que oferece o curso de alemão com certificação Sprachdiplom, teve papel essencial em sua formação linguística e profissional.

“Participar das aulas do Sprachdiplom sempre me pareceu algo natural, quase mandatório dentro da grade curricular e nunca cogitei não participar”, destaca. Em casa, o idioma também estava presente. “Acredito que o fato de o alemão ser falado em casa foi um grande incentivo, assim como o desejo de viajar e compreender melhor o idioma durante essas experiências.”

Superando desafios e construindo aprendizados

Aprender alemão, no entanto, exigiu persistência. “Com certeza, a gramática foi um dos maiores desafios. Embora o alemão tenha algumas semelhanças com a estrutura do português, ainda assim exige bastante dedicação”, relembra.
Um dos maiores aprendizados, segundo ela, foi aprender a lidar com limitações no vocabulário: “Foi a habilidade de se expressar mesmo sem saber uma palavra específica. Como sempre nos foi ensinado: se você não sabe uma palavra, refaça a frase usando o vocabulário que já conhece.”

Inspiração na sala de aula

Barbara guarda com carinho as lembranças de sua professora de alemão. “Sem dúvida, a dedicação da Frau Strauss teve um impacto muito grande na minha formação. Lembro até hoje quando ela dizia que estaríamos fluentes no idioma no dia em que começássemos a sonhar em alemão e posso dizer que isso já acontece comigo de vez em quando.”

O idioma como porta de entrada para o mundo

O conhecimento da língua alemã não só aproximou Barbara de outras culturas, mas foi essencial para sua carreira. Sua primeira experiência no exterior aconteceu em 2014, quando decidiu ser au pair em Viena. “Inicialmente, não havia considerado essa possibilidade, mas acabei aceitando. Na época, era necessário ter um conhecimento básico de alemão, e o curso feito na escola me qualificava, mesmo tendo ficado alguns anos sem usar o idioma ativamente.”

De volta ao Brasil, ela buscou manter o contato com a língua. “Fiquei sabendo que a T-Systems em Blumenau estava recrutando profissionais com fluência em alemão, me candidatei e, graças ao idioma, fui inserida no mundo SAP (TI), onde atuo até hoje.”

Chegada à Hungria: novos desafios e oportunidades

A oportunidade de morar na Hungria surgiu durante sua atuação em um projeto para a Alemanha. “Quando esse projeto foi descontinuado no Brasil, nos foi oferecida a possibilidade de realocação para a Europa, com opções entre Polônia, Eslováquia ou Hungria. Já havia visitado a Hungria como turista e fiquei impressionada com a beleza de Budapeste. Assim, a escolhi como novo lar, e aqui estou até hoje.”

Mesmo morando em Budapeste, o alemão continua presente no dia a dia. “Atualmente, trabalho como analista SAP e continuo utilizando o alemão diariamente. Meus colegas de equipe são, em sua maioria, alemães, e mesmo com os húngaros, muitas vezes usamos o idioma alemão para nos comunicarmos.”

Viver fora: adaptação e aprendizados

A adaptação cultural foi um processo desafiador, sobretudo por conta da língua local. “O idioma local ainda é um grande desafio, já que aqui se fala húngaro. Com as gerações mais novas, consigo me comunicar em inglês, e com algumas pessoas mais velhas, uso o alemão. Ainda assim, há uma barreira.”

A culinária, mesmo nas opções mais conhecidas, também causou surpresa. “Perceber que até mesmo comidas ‘internacionais’ como pizza, hambúrguer e sushi têm sabores diferentes do que estamos acostumados no Brasil.” Fazer amigos exigiu tempo e paciência: “Os húngaros, em geral, são mais reservados no início.”

Rotina na capital húngara

Hoje, Barbara leva uma vida equilibrada. “Trabalho majoritariamente de casa, mas nos dias em que vou ao escritório, não preciso de carro, já que o transporte público é muito eficiente. Incluí também uma rotina de exercícios, que considero essencial para a saúde mental, principalmente para lidar com a saudade da família, dos amigos e da familiaridade do Brasil.”

Nos momentos de lazer, ela procura aproveitar ao máximo o cenário encantador da cidade: “Gosto de ir a parques, caminhar à beira do rio Danúbio, apreciar a beleza da cidade e encontrar amigos.”

Uma base sólida que ecoa no presente

Para Barbara, os anos de escola em Pomerode moldaram não apenas seu conhecimento, mas também sua personalidade. “Acredito que o colégio me ensinou valores fundamentais como resiliência, perseverança e constância. A vida está sempre nos testando, e tudo depende de como nos adaptamos e reagimos aos desafios.”

Ela destaca também a importância da convivência escolar como ferramenta de crescimento. “Na escola, somos desafiados tanto academicamente quanto na convivência com pessoas de diferentes idades, comportamentos e formas de pensar. Isso me preparou para enfrentar as dificuldades de viver no exterior, lidando com novas culturas, idiomas e mentalidades.”

Um conselho para os futuros estudantes

Com a experiência de quem viu o alemão transformar sua vida, Barbara deixa um recado aos alunos que estão começando sua jornada no idioma:

“Aprender alemão pode abrir muitas portas, tanto profissionalmente quanto pessoalmente. Poder se comunicar, entender placas e instruções durante uma viagem torna tudo mais fácil e agradável. Além disso, o domínio do idioma pode ser um grande diferencial no mercado de trabalho.”

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