Prefeito de Pouso Redondo é cassado por suspeita de compra de votos com material de construção
Operação Pactum e Justiça Eleitoral afastam Rafael Neitzke Tambozi e a vice Josane da Silva
Foto: Divulgação - Redes Sociais - Prefeitura Municipal de Pouso Redondo
O prefeito Rafael Neitzke Tambozi e a vice-prefeita Josane da Silva, de Pouso Redondo, tiveram seus mandatos cassados pela Justiça Eleitoral da 57ª Zona Eleitoral de Trombudo Central. A decisão foi proferida na segunda-feira, dia 26, pela juíza Bruna Luíza Hoffmann e também atinge o engenheiro civil da prefeitura, Thiago Esser.
Segundo a sentença, os três são acusados de praticar abuso de poder político e econômico durante a pré-campanha eleitoral de 2024. A denúncia aponta que o prefeito utilizou recursos públicos para a compra de materiais de construção, que teriam sido entregues a moradores do município em troca de apoio eleitoral.
O documento afirma que Thiago Esser, contratado temporariamente, teria intermediado a entrega dos materiais por meio de mensagens de WhatsApp com visualização única, mantendo contato com um funcionário de uma empresa distribuidora. Os insumos, de acordo com a decisão, eram custeados pela Prefeitura de Pouso Redondo e entregues diretamente nas residências dos eleitores.
Com a cassação, Rafael Tambozi também foi declarado inelegível por oito anos. A Justiça determinou a realização de novas eleições no município. A decisão é passível de recurso. Em publicação nas redes sociais, Rafael afirmou respeitar a Justiça, mas discordar da decisão e disse já estar adotando as medidas cabíveis para reverter o caso.
Na manhã desta quarta-feira (28), o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), com apoio do GAECO (Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas) e do GEAC (Grupo Especial Anticorrupção), deflagrou a segunda fase da Operação “Pactum”. A ação cumpriu 33 mandados de busca e apreensão em 19 municípios, incluindo Pouso Redondo.
A operação é resultado de três Procedimentos Investigatórios Criminais conduzidos pelas Promotorias de Justiça de Ituporanga, Joaçaba e São Bento do Sul. As ordens judiciais foram expedidas pelas Varas Regionais de Garantias de Rio do Sul, Caçador e Mafra.
As diligências ocorreram em residências e empresas ligadas aos investigados em cidades como Blumenau, Brusque, Itajaí, Lages, Balneário Camboriú, entre outras. Conforme o MPSC, a nova fase busca aprofundar a apuração de suspeitas de fraudes em licitações públicas. A investigação aponta indícios de conluio entre empresários e servidores públicos para manipular processos licitatórios, ferindo a competitividade dos certames.
Entre os crimes investigados estão corrupção ativa e passiva, advocacia administrativa e associação criminosa. A primeira fase da Operação Pactum foi deflagrada em agosto de 2024. O nome da operação, que significa “acordo” em latim, faz referência a supostos pactos ilegais firmados entre os investigados.
O caso segue sob sigilo judicial, e novas informações poderão ser divulgadas conforme o andamento das investigações.