Saúde

Doença de Parkinson: entenda os sintomas, diagnóstico e tratamentos disponíveis

O neurologista Dr. João Filipe de Oliveira explica mais sobre a doença

10 de maio de 2025

Foto: Envato Elements

A Doença de Parkinson é uma condição neurológica crônica e degenerativa que afeta principalmente o movimento, resultando em lentidão, rigidez e tremores. De acordo com o neurologista Dr. João Filipe de Oliveira, de Blumenau, a doença ocorre devido à degeneração do sistema nervoso, mais rapidamente do que seria esperado pelo envelhecimento natural. Essa degeneração afeta áreas do cérebro responsáveis pela produção de dopamina, um neurotransmissor essencial para o controle dos movimentos.

O que é a doença de Parkinson?

A Doença de Parkinson é caracterizada por um conjunto de sintomas conhecidos como parkinsonismo. A principal manifestação da doença inclui a bradicinesia, que é a lentificação dos movimentos, rigidez muscular, tremores em repouso e distúrbios na marcha, como instabilidade ao caminhar. Esses sintomas motores afetam, principalmente, a qualidade de vida do paciente.

O Dr. João Filipe destaca que a doença é multifatorial, o que significa que ela resulta de uma combinação de predisposição genética e fatores ambientais, como a exposição a toxinas e condições de saúde como hipertensão, diabetes e colesterol elevado. Em casos raros, a doença pode ser causada por uma mutação genética herdada, mas a grande maioria dos casos é esporádica.

“A gente pode ter uma predisposição do organismo a desenvolver, associado a fatores ambientais, às vezes produção de toxinas que são conhecidas e desconhecidas, associado a fatores de risco cardiovascular, pressão, diabetes, colesterol, metabólicos, e a gente fala que então, em decorrência disso, a gente não tem uma causa específica, ela é multifatorial. Existem sim casos de doença de Parkinson por uma mutação genética, como se fosse uma manifestação esporádica, mas de causa genética, de uma família ou até de causa familiar, mas são muito raros esses casos. A vasta maioria dos casos são de manifestação esporádica”, explica o neurologista.

Como identificar a doença de Parkinson?

O diagnóstico da Doença de Parkinson é feito principalmente com base em critérios clínicos, observando os sintomas motores característicos, como a bradicinesia, tremores e distúrbios de marcha. Para uma confirmação mais precisa, é comum que o médico utilize exames complementares, como a ressonância magnética para analisar o circuito dopaminérgico no cérebro, e a cintilografia para verificar a redução dos transportadores de dopamina. No entanto, o Dr. João Filipe alerta que, apesar dos avanços tecnológicos, o diagnóstico ainda depende muito da avaliação clínica.
Além disso, a resposta ao tratamento com levodopa, um medicamento que repõe a dopamina, também é um indicativo importante para o diagnóstico.

Fases da doença e como ela evolui

A evolução da Doença de Parkinson pode variar de paciente para paciente. O Dr. João Filipe explica que a doença é estratificada em estágios, sendo o estágio 1 unilateral, o estágio 2 bilateral, o estágio 3 com comprometimento de marcha e o estágio 4 com mobilidade prejudicada. No entanto, ele ressalta que os estágios não são fixos e que, com a otimização do tratamento, os pacientes podem apresentar flutuações na gravidade dos sintomas.

O tratamento eficaz, com medicamentos e intervenções terapêuticas adequadas, pode ajudar a melhorar a qualidade de vida e a controlar a progressão dos sintomas. A prática regular de atividades físicas também é fundamental para retardar a progressão da doença e melhorar o bem-estar geral do paciente.

Tratamentos disponíveis

Atualmente, não há cura para a Doença de Parkinson, mas os tratamentos disponíveis ajudam a controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida. O Dr. João Filipe enfatiza a importância da abordagem multidisciplinar no tratamento, que envolve não apenas o neurologista, mas também outros profissionais de saúde, como fisioterapeutas, fonoaudiólogos, nutricionistas e assistentes sociais.

A atividade física é uma das ferramentas mais importantes no manejo da doença, sendo indicada para melhorar a força muscular, coordenação e amplitude de movimentos. A fisioterapia também é crucial para manter a mobilidade do paciente e evitar complicações relacionadas à rigidez muscular.

Além disso, a estimulação cerebral profunda é uma opção de tratamento para casos mais avançados da doença. Esse procedimento envolve a implantação de um marcapasso no cérebro, que emite impulsos elétricos para melhorar os sintomas motores, especialmente tremores e rigidez.

Impacto no dia a dia

Os pacientes com Parkinson enfrentam dificuldades significativas em suas atividades diárias. A lentificação dos movimentos torna tarefas simples, como escovar os dentes ou preparar uma refeição, mais demoradas e cansativas. Além disso, a escrita se torna difícil, com letras menores, um sintoma conhecido como micrografia.

Outro aspecto importante abordado pelo Dr. João Filipe é o impacto emocional da doença. Muitos pacientes desenvolvem sentimentos de vergonha ou isolamento devido à dificuldade de mobilidade ou ao tremor visível, o que pode levar ao surgimento de ansiedade e depressão. Por isso, o apoio emocional e a inclusão social são fundamentais para o manejo da condição.

Os familiares também desempenham um papel importante no acompanhamento e apoio aos pacientes. O Dr. João Filipe recomenda que os familiares se envolvam no processo de tratamento e procurem grupos de apoio, como o Viva Parkinson, que oferece suporte emocional, atividades físicas e informações sobre a doença.

Como prevenir a doença?

Embora não seja possível evitar completamente a Doença de Parkinson, o Dr. João Filipe sugere algumas medidas que podem reduzir o risco de desenvolvimento da doença, como a prática regular de atividade física, o controle de fatores metabólicos como obesidade e diabetes, e a diminuição da exposição a toxinas ambientais, como agrotóxicos. Além disso, o consumo moderado de café pode ter efeitos neuroprotetores, segundo algumas pesquisas.

Embora a Doença de Parkinson seja uma condição crônica e sem cura, com os tratamentos atuais e uma abordagem multidisciplinar, é possível controlar os sintomas e levar uma vida ativa e com qualidade. O Dr. João Filipe de Oliveira destaca que o objetivo do tratamento é fazer com que o paciente viva bem, apesar da doença, e consiga continuar com suas atividades diárias, metas e sonhos.

“Eu fico muito contente em poder saber que a gente, na região, tem o ‘Viva Parkinson’, o qual pode trazer hoje auxílio para uma grande parcela de pacientes, não só em Blumenau, mas também em Itajaí, Balneário Camboriú, em Joinville, e outros grupos de apoio de pacientes, em Brusque, Criciúma e outras regiões. Com relação a se a doença pode ser evitada ou não, cada vez mais se discute que praticamente todas as doenças neurodegenerativas são multifatoriais, mas que fatores metabólicos, podem estar muito vinculados a processo neurodegenerativo. Em que sentido fatores metabólicos? Obesidade, ou por exemplo, pré-diabetes, o diabetes, dislipidemia, gordura no fígado, ou seja, fatores metabólicos que nós conhecemos são, inclusive, fatores de risco cardiovasculares, que também são cerebrovasculares, para risco de AVC e, consequentemente, são fatores de risco para doenças neurodegenerativas”, finaliza o Dr. João Filipe.

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