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Tumulto em peregrinação à Meca deixa 717 mortos

Itamaraty informou que não havia brasileiros na tragédia

24 de setembro de 2015

O Itamaraty informa que não há brasileiros na tragédia que matou 717 pessoas durante peregrinação anual a Meca, na Arábia Saudita, nesta quinta-feira. O governo brasileiro também ofereceu condolências aos familiares das vítimas e disse que se solidariza com a grande comunidade islâmica no mundo. A Embaixada do Brasil em Riad acompanha a situação.

Além das mais de 700 pessoas mortas, 805 ficaram feridas no tumulto que aconteceu mais precisamente em Mina, perto de Meca. Esta é a segunda tragédia a atingir os fiéis em menos de duas semanas em Meca.

De acordo com uma fonte do ministério da Saúde, a correria provocada por um movimento de pânico aconteceu no primeiro dia do Eid al-Adha, durante o ritual de apedrejamento de satã em Mina, que consiste em lançar pedras contra as colunas que representam o mal.

A tragédia aconteceu perto de uma das colunas, quando várias pessoas que deixavam o local ficaram diante de um grande grupo de peregrinos, o qual desejava ter acesso à mesma área.

A Defesa Civil anunciou que as vítimas são de várias nacionalidades.

O príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed ben Nayef, ordenou uma investigação após a tragédia, informou a agência oficial SPA. Esta decisão foi tomada durante uma reunião em Mina com os principais responsáveis pelo Hajj e presidida pelo príncipe herdeiro, em sua qualidade de chefe da alta comissão da peregrinagem, segundo a agência.

As equipes de emergência tentavam retirar os feridos e os corpos das vítimas fatais, diante dos olhares de peregrinos atônitos.

Os fiéis têm acesso à área das pilastras por túneis e vias elevadas e, nos últimos anos, as autoridades realizaram obras importantes para facilitar o deslocamento das pessoas e evitar acidentes como o desta quinta-feira.

O Irã anunciou que pelo menos 43 cidadãos do país faleceram na tragédia e culpou as autoridades sauditas pelo tumulto. “Por motivos desconhecidos fecharam um acesso ao local onde os fiéis cumprem o ritual de apedrejamento de satã”, afirmou o diretor da organização iraniana do hajj (peregrinação), Said Ohadi. “Foi isto o que provocou este trágico incidente”, disse à televisão estatal iraniana.

“O incidente de hoje mostra a má gestão e uma falta de atenção séria para a segurança dos peregrinos. Não há outra explicação. As autoridades sauditas deveriam ser consideradas responsáveis”.

Já o ministro saudita da Saúde, Khaled al-Faleh, atribuiu a tragédia na cidade de Mina à falta de disciplina dos peregrinos, que, segundo ele, ignoraram as instruções de comportamento durante o hajj. “Se os peregrinos tivessem seguido as instruções, teria sido evitado esse tipo de acidente”, declarou à televisão pública El-Ekhbariya.

Local fechado


As autoridades decidiram fechar os acessos ao local da tragédia, que aconteceu no cruzamento de duas vias que haviam sido construídas para facilitar o deslocamento dos fiéis.

A Arábia Saudita mobilizou 100 mil policiais para garantir a segurança durante a peregrinação, depois que, no dia 11 de setembro, uma grua desabou na Grande Mesquita de Meca e matou 109 pessoas, além de ter deixado mais de 400 feridos.

O acidente anterior durante a peregrinação aconteceu em 2006. No dia 6 de janeiro daquele ano, 76 pessoas morreram no desabamento de um hotel em Meca. Seis dias depois, 364 peregrinos faleceram em outro tumulto durante o ritual de apedrejamento das pilastras de satã, em Mina.

Após o ritual, que pode durar entre dois e três dias, os peregrinos concluem o hajj com as cerimônias ao redor da Kaaba, a construção com forma de cubo no centro da Grande Mesquita de Meca, para a qual os muçulmanos se dirigem durante a oração.

O vale de Mina fica a poucos quilômetros de Meca, o principal local sagrado do islã.

Quase 1,5 milhão de muçulmanos de todo o mundo celebram o Eid al-Adha, a festa do sacrifício.

Antes de seguir para Mina, os peregrinos passaram a noite na planície de Muzdalifa, aos pés do Monte Arafat, para sacrificar um animal em memória de Abraão. De acordo com a tradição, o patriarca esteve a ponto de sacrificar o filho antes da intervenção do arcanjo Gabriel, que propôs o sacrifício de um cordeiro em seu lugar.

Segundo as autoridades sauditas, o hajj, um dos cinco pilares do islã, reuniu 1,4 milhão de pessoas do exterior e quase 600 mil peregrinos que vivem na Arábia Saudita.

Por ocasião da peregrinação, as autoridades anunciaram que estavam em alerta por possíveis atentados, depois que o grupo jihadista Estado Islâmico atacou as forças de segurança e várias mesquitas xiitas na Arábia Saudita nos últimos meses.

Também haviam sido mobilizados muitos médicos e enfermeiros para enfrentar uma possível epidemia de coronavírus Mers, do qual a Arábia Saudita é um dos principais focos no mundo.

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