Saúde

Pelo fim do Alcoolismo

Grupo dos Alcóolicos Anônimos se reúne em Pomerode às terças e sextas na Casa Comunitária da Igreja Evangélica do
Centro

28 de agosto de 2015

O alcoolismo é uma doença crônica que consiste no consumo compulsivo de álcool, fazendo com que o indivíduo se torne cada vez mais tolerante a ele, causando crises de abstinência quando não ingerido. As crises se caracterizam por meio de tremores, irritabilidade, náusea, ansiedade, taquicardia e pupilas dilatadas.

Por ano, o álcool aparece na causa de morte de 80 mil pessoas nas Américas. O Brasil tem a quinta maior taxa – a mais alta é a de El Salvador, com 27,4/100 mil mortes, e a mais baixa é a da Colômbia, com 1,8.

O alcoolismo não se dá de forma imediata. Geralmente se torna um hábito, tomando um papel de destaque na vida do sujeito. Embriaguez, alteração drástica de humor e, após o evento, “ressaca moral”, vão se tornando cada vez mais frequentes: casos sucessivos de abuso do álcool.

Sob o efeito do álcool, o indivíduo pode ter comportamentos não convencionais em virtude da perda de inibição. Exemplos: usar outras drogas, dirigir em alta velocidade, chorar, discutir, ser violento, dentre outros. Essas atitudes, além de causar problemas a ele próprio, podem gerar desconforto e até consequências mais drásticas a outras pessoas.

Para tentar reverter o problema e tentar ajudar pessoas dependentes, foi criado em 1935, inicialmente nos Estados Unidos da América, o famoso grupo intitulado Alcoólicos Anônimos, com o objetivo de alcançar e manter a sobriedade através da abstinência total de ingestão de bebidas alcoólicas. Em Pomerode, o AA foi fundado em 22 de setembro de 1984.

Alcóolicos Anônimos em Pomerode

Atualmente, as reuniões acontecem às terças e sextas-feiras, às 19h45min na Casa Comunitária da Igreja Evangélica do Centro. Para participar do grupo, o dependente só precisa chegar e se informar com qualquer pessoa no local.

Cerca de seis pessoas fazem a manutenção do grupo, dentre elas, o Representante de CTO (Comitê Trabalhando com os Outros) que trabalha na liderança do grupo e não quis ter sua identidade revelada. O tratamento depende da força de vontade. O representante explica que a era da internet, que leva informações em grande velocidade para as pessoas, pode ser um agravante no bom desempenho do tratamento do AA. ” Os jovens estão acostumados a saber tudo de modo instantâneo. Com um clique é possível ter a resposta sobre o que está acontecendo do outro lado do mundo. O AA não funciona desse modo. O processo é devagar. Nenhum alcóolico tornou-se alcóolico da noite para o dia, em um clique. Ele começa com uma cerveja, daqui a três ou quatro dias toma mais uma e assim vai aumentando a quantidade. Depois começa todo dia de noite, depois ao meio-dia e também a noite e quando o indivíduo percebe já é um alcóolico em potencial e sem ajuda ele não consegue se libertar. É muito difícil uma pessoa se libertar sozinha. Cada caso é um caso. Tem pessoas que são alcóolicas e que nem bebem tanto, mas são dependentes. Talvez elas nem andem sempre alcoolizadas, mas são dependentes da droga e têm que ingerir todo dia. E elas podem procurar o grupo AA”, explica.

Em Pomerode, o AA tem um método de rodízio de encargos, há cada dois anos a liderança muda. O Representante e Coordenador Trabalhando com Outros passou a integrar o grupo em 2000. Desde 2003 passou a trabalhar com liderança. Às vezes como representante legal do grupo, outras como coordenador de reuniões, coordenador de recepção, quando pessoas novas chegam elas são recepcionadas e também como coordenador do CTO.

Não existem números no Alcóolicos Anônimos. Não há registro de quem participa e tampouco se conta o número de participantes, mas atualmente cerca de 20 membros integram as reuniões.

O tratamento é na base do diálogo. Quem se sente à vontade reparte suas experiências, que servirão de referência para quem escuta. “É uma questão de ouvir o que os companheiros têm a dizer. O que eles passaram e sofreram nas garras do alcoolismo e como conseguiram se livrar”.

O AA não tem sede fixa. O AA não tem bens próprios registrados em seu nome. Existem as regras, que são tradições, escritas em livros utilizados como referência. Por isso os locais das reuniões podem ser trocados ocasionalmente.

Reunião com familiares

O grupo dos Alcóolicos Anônimos também tem um espaço voltado para os familiares dos dependentes, o Al-anon. Trata-se de um programa de Doze Passos para familiares e amigos de alcoólicos. Seus membros compartilham suas experiências nas reuniões de grupo e buscam forças e esperança na tentativa de resolver seus problemas comuns. Eles acreditam que o alcoolismo é uma doença familiar e que mudanças de atitudes podem colaborar com a recuperação. 

As reuniões do Al-anon, em Pomerode, acontecem às sextas-feiras, às 19h45, em uma sala anexa a da reunião do grupo de AA. A participação dos familiares é muito importante para tomar conhecimento sobre o que realmente é o alcoolismo. Por meio destas reuniões é possível descobrir como tratar o seu doente alcóolico e este não se sente tão desamparado e um pouco compreendido. “A pessoa não quer ser assim. Dizem que é um bom profissional, bom trabalhador, bom pai de família, ou muitas vezes uma boa mãe de família, pena que bebe. A questão é deter a marcha do alcoolismo”.

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